Juliana Nogueira
04/05/2018, 09h05

Após escândalo sexual, Nobel de Literatura 2018 fica para 2019

É a primeira vez em quase sete décadas que a premiação é cancelada.

A Academia Sueca anunciou, nesta sexta-feira (4/5), que o Prêmio Nobel de literatura 2018 será concedido no ano que vem devido a um escândalo de estupro e agressões sexuais.

“O Prêmio Nobel 2018 de Literatura será designado e anunciado ao mesmo tempo que o premiado de 2019”, anunciou a instituição em um comunicado. É a primeira vez em quase sete décadas que isso acontece.

Foram sete suspensões na história da premiação. A última aconteceu em 1949. As  outras seis forma nos anos de 1915, 1919, 1925, 1926, 1927 e 1936.

“Em cinco dessas ocasiões, o prêmio foi adiado e entregue ao mesmo tempo que o prêmio do ano seguinte”, afirmou a Academia em um comunicado.

“Os membros ativos da Academia Sueca estão, é claro, plenamente conscientes de que a atual crise de confiança representa um importante desafio em longo prazo e requer um trabalho sólido de reforma”, afirmou o presidente permanente interino, Anders Olsson, citado no comunicado.

“Acreditamos que seja necessário destinar tempo para recuperar a confiança pública na Academia antes que se possa anunciar o próximo ganhador”, afirmou.

Escândalos

A instituição está mergulhada em uma crise desde novembro, quando, no contexto da campanha mundial contra abusos sexuais, o jornal sueco Dagens Nyheter publicou os testemunhos de 18 mulheres que afirmavam terem sido violentadas, agredidas sexualmente, ou assediadas por Jean-Claude Arnault, uma influente figura da cena cultural sueca.

Arnault, marido francês da poetisa e membro da Academia Katarina Frostenson, negou as acusações.

Essas revelações semearam polêmica e discórdia entre os 18 membros da Academia sobre como reagir e, nas últimas semanas, seis deles decidiram renunciar, incluindo a secretária permanente Sara Danius.

Além disso, outros dois membros não participavam há tempos dos trabalhos da Academia, o que reduzia para dez o número de acadêmicos ativos.

Segundo o estatuto da Academia, pelo menos 12 membros ativos (do total de 18) são necessários para eleger um novo membro.

Em novembro, a Academia rompeu qualquer vínculo com Arnault e com seu centro cultural Forum, muito conhecido entre a intelectualidade de Estocolmo, e que também fechou suas portas após o escândalo.

O Ministério Público da capital sueca anunciou em março que parte da investigação iniciada contra Arnault havia sido arquivada por prescrição do suposto crime, ou por falta de provas. Ele é acusado de ter cometido estupro e outras agressões sexuais em 2013 e 2015.

A Academia também é alvo de uma investigação financeira sobre a entrega de generosos subsídios ao centro Forum, do qual Arnault e sua mulher eram coproprietários.