Eurico Rocha
07/05/2018, 10h05

Filha de Eduardo Cunha deve disputar vaga de deputada federal

A expectativa do MDB do Rio é eleger seis deputados no Rio em outubro, contando com Danielle.

No que depender do MDB, a publicitária Danielle Dytz da Cunha, filha mais velha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB), será deputada federal pelo Rio de Janeiro. Tanto o presidente nacional, o senador Romero Jucá (RR), quanto o regional, deputado Leonardo Picciani (RJ), afirmaram apostar no sucesso da jovem, cuja candidatura foi antecipada em dezembro pela coluna Radar.

“Ela será candidata e será eleita”, afirmou Jucá. “Ela tem potencial”, completou Picciani. A expectativa do MDB do Rio é eleger seis deputados no Rio em outubro, contando com Danielle. Seriam dois a menos do que em 2014, quando o estado representou a maior fração entre a bancada da legenda.

Durante a janela partidária deste ano, as condenações contra o ex-governador Sérgio Cabral na Lava Jato – que já somam 100 anos de prisão – levaram nada menos que cinco deputados a migrarem para outros partidos. Foi o filho do ex-governador, o parlamentar Marco Antônio Cabral, quem aprovou a filiação de Danielle Cunha ao MDB em outubro do ano passado.

A publicitária decidiu disputar as eleições a pedido do pai, que está inelegível até 2017 após ter o mandato cassado, em setembro de 2016, por ter mentido sobre a posse de contas bancárias no exterior. Sem foro privilegiado, Cunha foi preso um mês depois por ordem do juiz federal Sergio Moro, que o condenou posteriormente a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Evangélicos

De olho em uma cadeira na Câmara, Danielle vai buscar o eleitorado evangélico, o mesmo que sustentou a última vitória do pai em 2014. No feriado de 1º de maio, a publicitária marcou presença na confraternização das filiadas da igreja Assembleia de Deus de Madureira, denominação que apoiou ostensivamente a vitória de Eduardo Cunha em 2014.

Segundo relatos, Danielle conversou com fieis e pousou para fotos na celebração, que ocorreu em um sítio e contou com jogos de futebol e competições de dança. De acordo com cálculos não-oficiais de seus integrantes, a Assembleia de Deus de Madureira conta com cerca de 250.000 fieis no Rio de Janeiro.

A igreja foi citada em 2015 em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público, que acusou o então presidente da Câmara de usar a instituição religiosa para intermediar propinas de pelo menos 250.000 reais. Nas últimas eleições, com 232.700 votos, Cunha foi o terceiro deputado mais bem votado do Rio – perdendo apenas para Jair Bolsonaro (então PP, hoje PSL) e Clarissa Garotinho (então PR, hoje Pros).

Na busca por votos, Danielle conta com um influente apoio: o do ex-deputado e bispo Manoel Ferreira (PSC), presidente vitalício da Convenção Nacional das Assembleia de Deus no Brasil e que comanda o Ministério de Madureira. A publicitária quer se apresentar como a “candidata oficial” da igreja, mas tem concorrentes. Integrante de outra ramificação da Assembleia de Deus, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) também busca o apoio do Ministério de Madureira.