Goiás

Vídeo mostra fuga de dupla suspeita de matar advogada, em Goiânia

Informações preliminares apontam que a advogada foi baleada depois de se assustar e reagir a tentativa de assalto.
11/05/2018, 20h08

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens fogem, depois da maorte da advogada Laís Fernanda Araújo Silva, de 30 anos.

Confira na sequência de imagens o momento que em que dois homens entram em um carro branco (lado esquerdo da imagem):

O crime ocorreu na noite desta quinta-feira (10/5) enquanto Laís procurava uma vaga para estacionar, no Setor Alto da Glória, em Goiânia.

No vídeo é possível ver os suspeitos entrando, por uma só porta, em um carro branco que sai em alta velocidade.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de latrocínio. Informações preliminares apontam que a advogada foi baleada depois de se assustar e reagir a tentativa de assalto.

O corpo de Laís Fernanda foi enterrado no início da noite desta sexta-feira (11/5) no Parque Memorial de Goiânia.

Ela era assessora jurídica do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Laís cursava o mestrado em Tecnologia de Processos Sustentáveis, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG). Nas redes sociais da advogada, parentes e amigos escreveram mensagens de despedida.

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Saúde

Aparecida Shopping vira ponto de vacinação contra H1N1 neste sábado

Neste sábado (12/5) é realizado o dia "D" da campanha de imunização em todo o Brasil.
11/05/2018, 20h39

Neste sábado (12/5) Dia D de vacinação contra a influenza, o Aparecida Shopping terá um posto volante aberto para vacinação. Os atendimentos aos grupos de risco acontecerão das 10h às 17h.

Poderão receber a imunização: pessoas a partir de 60 anos, crianças de seis meses a menores de cinco aos de idade, grávidas, puérperas – mulheres até 45 dias após o parto -, portadores de doenças crônicas, trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, indígenas, além de funcionários do sistema prisional.

A vacina trivalente protege contra os vírus da Influenza A/H1N1, A/H3N2 e B.

Dia “D”

Amanhã (12/5) será realizada uma força-tarefa no país e todos os grupos de risco poderão ser vacinados, das 8h às 17h. Além dos locais fixos citados abaixo, com exceção da Maternidade, os atendimentos também ocorrerão nas UBS Jardim Boa Esperança, Residencial Anhembi, Porto das Pedras, Pontal Sul I, Bairro Cardoso e Expansul e no Aparecida Shopping, sendo que neste último o horário será das 10h às 17h.

Confira a lista dos postos de atendimento em Aparecida de Goiânia:

Unidades Básicas de Saúde realizam atendimentos de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 16h30.

  • UBS Andrade Reis – Avenida dos Girassóis, Qd. 11, APM-3, Setor Andrade Reis.
  • UBS JardimTiradentes – Avenida 8 esquina com a Rua 11, APM-16, Jardim Tiradentes.
  • UBS Jardim Florença –  Rua Verona esquina com a Rua São Paulo, Qd. 22, Lt. 01/20, Jardim Florença.
  • UBS Independência Mansões – Rua 56, Qd. 125, Lt. 09 a 18, Setor Independência Mansões.
  • UBS Pontal Sul II – Rua do Rodeio, Qd. 49, Lt. 01, 02 e 03, Pontal Sul.
  • UBS Vila Delfiori – Rua Péricles Ramos, Qd. 16, Lt. 34, Vila Delfiori.
  • UBS Bandeirantes – Rua Amador Bueno com Rua Pascoal Moreira Cabral, Setor Bandeirantes.
  • UBS Riviera – Rua Alberto Pasqualini com a Rua Dr. Pedro Ludovico Teixeira, APM-7, Qd. 31, Lt. 19, Setor Jardim Riviera.
  • UBS Campos Elísios – Rua La Rochelle, Qd. 50, APM-6, Campos Elísios.
  • UBS Veiga Jardim – Avenida Major Manoel Augusto Silva Brandão, Área Pública.
  • UBS Bairro Independência – Rua 60, Qd. k 40, Lt. 01, Bairro Independência.
  • UBS Caraíbas – Avenida Domitília Lobo, Qd. 26, Lt. 13, Residencial Caraíbas.
  • UBS Alto Paraíso – Rua Cabo Frio com a Rua São Félix e Rua Santa Ana, APM-5, Jardim Alto Paraíso.
  • UBS Jardim dos Ipês – Rua JI 51, Qd. 202, Lt. 35/36, Residencial Jardim dos Ipês.
  • UBS Madre Germana – Rua MG 17, Área Verde, Madre Germana I.
  • UBS Mansões Paraíso – Rua J-50 e Avenida W-1, Qd. 65, Lt. 19/20, Mansões Paraíso.
  • UBS Buriti Sereno – Praça Marechal Hermes com Rua Pedro Américo, Qd. 306, Jardim Buriti Sereno.
  • UBS Residencial Garavelo Park – Rua 36-E, Qd. 106, APM-1C, Residencial Garavelo Park.
  • UBS Parque Trindade – Alameda Wilton Pinheiro, Qd. 25, APM-05, Parque Trindade.
  • UBS Santa Luzia – Avenida W-5, Qd. 13, Lt. 16, Jardim Olímpico.
  • UBS Jardim Olímpico – Avenida Monte Carlo, Qd. 28, Jardim Olímpico.
  • UBS Jardim dos Buritis – Avenida das Palmeiras, Qd. 18, Lt. 17, Jardim dos Buritis.
  • UBS Jardim Bela Vista – Rua das Paineiras, Qd. 15, Lt. 11, Jardim Bela Vista.
  • UBS Chácara São Pedro – Rua 5, Chácara nº 314, Chácaras São Pedro.
  • UBS Nova Olinda – Avenida Independência, Qd. 14, Lt. 03, Jardim Nova Olinda.
  • UBS Rosa dos Ventos – Rua Dimitry Novgorodcev, APM-05, Setor Rosa dos Ventos.
  • UBS Retiro do Bosque – Rua das Paineiras com Rua Jacarandás APM-4, Retiro do Bosque.
  • UBS Cândido de Queiroz – Rua 20, Qd. 28, APM-7, Residencial Cândido de Queiroz.
  • UBS Jardim Paraíso – Rua Paraíso, Qd. 07, Lt. 01 a 08 e 23 a 26, Jardim Paraíso.
  • Drogaria MedFácil – Avenida São Paulo, Qd. 42, Lt. 01, Jardim das Esmeraldas.
  • Cais Colina Azul – Avenida das Gaivotas, APM-1, Colina Azul.
  • Cais Nova Era – Avenida São João, s/n, Jardim Nova Era. Apenas crianças, gestantes e puérperas, durante toda a campanha.
  • Centro de Saúde Papillon Park – Praça João XXIII, s/n, Papillon Park
  • Centro Ambulatorial de Atendimento – Rua 11 de Maio, s/n, Centro.
  • Maternidade Marlene Teixeira – Avenida das Bandeiras, Vila Brasília. Apenas gestantes e puérperas em atendimento e acompanhamento exclusivo na maternidade.

Cais, Centros de Saúde e Maternidade realizam atendimentos de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 18h30. A campanha segue até 1º de junho.

Saiba mais: 

Confira a lista dos postos de vacinação contra H1N1 em Aparecida de Goiânia

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Saúde

Goiânia realiza 'Dia D' de vacinação contra a gripe neste sábado

Doses estarão disponíveis em 54 postos da Capital.
11/05/2018, 21h01

Quem faz parte dos grupos prioritários e ainda não se imunizou contra a gripe deve procurar uma das 54 salas de vacina da Prefeitura de Goiânia que estarão abertas neste sábado (12/5).

Durante o ‘Dia D’ de vacinação, serão disponibilizadas 38 mil doses para crianças de seis meses a cinco anos incompletos, gestantes, mulheres no ‘pós-parto’, idosos, trabalhadores de saúde, professores e pessoas com doenças crônicas e condições clínicas especiais. Os postos funcionam das 8h às 17h.

Em quase um mês de campanha, 315.820 mil doses já foram aplicadas em Goiânia. O número corresponde a 83,25% da população considerada de risco. Com o ‘Dia D’ o esperado é que a taxa de cobertura aumente entre os grupos com menor procura como gestantes (49,25%), crianças (50,62%) e mulheres no pós-parto (58,50%). Entre as pessoas com maior adesão estão os doentes crônicos (126%), trabalhadores da saúde (101,75%) e idosos (100,58%).

Duas unidades que não ofereciam a vacina contra gripe irão aplicar as doses durante o ‘Dia D’. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) ampliou o atendimento para o Centro de Saúde do Parque Amazônia e o da Vila Redenção, ambos na região Sul da Capital.

Pessoas com doenças crônicas e outras condições clínicas especiais devem apresentar uma prescrição médica no ato da vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle de doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS) devem procurar os postos em que estão registrados para receber a dose, sem necessidade de prescrição médica. Trabalhadores da saúde e professores também devem comprovar vínculo profissional para receberem as doses.

O principal objetivo da vacina é reduzir as internações, complicações e mortes decorrentes das infecções pelo vírus da influenza. Para isso, é fundamental que a população procure uma das salas de imunização. ‘A vacina é segura e ajuda a prevenir manifestações da grave da doença”, destaca Flúvia Amorim. A vacina oferecida na rede pública de Saúde protege contra três vírus do tipo influenza, incluindo o H1N1 e o H3N2.

Confira aqui a lista com as salas de vacina abertas neste sábado.

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Entretenimento

Moda: Personal Stylist dá dicas para arrasar na pecuária

A pecuária começa 18 de maio e vai até dia 26.
12/05/2018, 08h00

A tradicional festa da Pecuária de Goiânia está chegando e já é hora de ficar de olho nos looks para arrasar durante a maior festa agropecuária do estado. Se engana quem pensa que o xadrez, botas e chapéus são as únicas opções. A personal stylist Lizandra Coelho diz que hoje em dia não existe mais isso. “A dica é utilizar peças da tendência outono/inverno para ficar na moda e ao mesmo tempo aproveitar esse época do ano”.

Para nos ajudar a ter mais criatividade, Lizandra criou alguns looks, dos mais básicos, com aquela calça jeans e camisa que temos em casa, até modelos mais ousados e finos. Por que pecuária é lugar de requinte sim, né gente?!

A especialista aconselha: “jeans combina com tudo, também vale usar uma saia com bota tanto de cano alto como curto, vestidos e casacos. O falso couro está super em alta. Vale a pena apostar”, resumiu ela.

Confira a entrevista completa e inspire-se:

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Brasil

A maternidade fora do cárcere

Presas retomam a vida junto dos filhos após decisão do STF.
12/05/2018, 12h08

Quando foi presa pelos policiais, em setembro do ano passado, Taiane Gonçalves ainda estava amamentando o filho Enzo, de 1 ano e 8 meses. Durante cinco meses, ela só teve notícias do bebê, seu primeiro filho, por meio de parentes, pois não queria que ele frequentasse o Centro de Detenção Provisória Feminino de Franco da Rocha (SP), onde ela estava detida. De longe, ficou sabendo que Enzo, mesmo tão pequeno, sentiu o afastamento e demorou para se acostumar com a falta da mãe.

“Ele ficou com febre, perguntando por mim, estranhando as pessoas. Ficar longe dele foi a pior situação possível que eu passei, porque somos muito apegados, sempre estivemos juntos”, diz a mãe, de 23 anos, acusada de tráfico de drogas, associação ao tráfico e porte de arma.

Em fevereiro deste ano, Taiane foi a primeira mulher do país beneficiada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que aprovou um habeas corpus coletivo para substituir a prisão preventiva por domiciliar para presas de todo o país que sejam gestantes ou mães de crianças de até 12 anos ou de pessoas com deficiência.

Um dia depois da votação no STF, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Joel Ilan Paciornik determinou a substituição da prisão preventiva de Taiane pela domiciliar. Na decisão, ele afirmou que, apesar de estar sob os cuidados de parentes, o contato permanente da criança com a mãe “mostra-se essencial ao seu desenvolvimento, além de ser um direito previsto em inúmeros dispositivos legais”.

Presas com seus filhos na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia)

Presas com seus filhos na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia) – Luiz Silveira/Agência CNJ/ Direitos Reservados

No dia do esperado reencontro com o filho, Taiane sentiu uma mistura de alegria e decepção, porque a criança não a reconhecia mais, depois de ficar tanto tempo sob os cuidados da avó paterna. “Ele não me reconheceu, não queria vir para mim, não sabia quem era a mãe dele, tinha esquecido já. Só depois de umas duas semanas ele voltou a ficar comigo de novo, me chamar de mãe”, conta.

Antes do habeas corpus, Taiane estava presa de forma provisória. Atualmente, teve a prisão domiciliar revogada e aguarda o fim do julgamento em liberdade. Seu companheiro assumiu a posse pelas drogas que estavam escondidas na casa dela.

Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), 10.321 presas em todo o país atendem os requisitos da decisão do STF e poderiam ser beneficiadas com a medida, assim como Taiane. O STF deu 60 dias para que os tribunais de Justiça dos estados cumprissem integralmente a decisão e liberassem as presas grávidas ou com filhos pequenos para aguardar o julgamento em casa. O prazo terminou no início de maio, mas em muitos estados, presas que atendem aos requisitos determinados pela Corte ainda estão encarceradas. A concessão da prisão domiciliar ainda ocorre de forma lenta, segundo entidades e órgãos ouvidos pela Agência Brasil que acompanham o assunto.

Para o Dia das Mães, Taiane não tem planos especiais, só ficar perto do filho e da família. “Agora é só felicidade. Quem diria que eu estaria aqui fora perto dele. É o que eu quero agora, viver minha vida da melhor forma”, diz.

Maternidade digna

Em 2016, o Brasil aprovou o Marco Legal da Primeira Infância, que entre outras proteções a crianças de até 6 anos, modificou o artigo 318 do Código de Processo Penal para incluir novas hipóteses de prisão domiciliar. Além dos casos de pessoas acima de 80 anos, com doenças crônicas, mães com filhos menores de 6 anos, com deficiência ou dependentes de cuidados especiais, situações já previstas na lei, o dispositivo passou a assegurar prisão domiciliar também a mulheres gestantes, mães com ao menos um filho até 12 anos, e também a homens com ao menos um filho da mesma idade, quando caracterizado serem eles o único responsável pela criança.

“Toda mulher tem direito de exercer a maternidade de maneira digna. Essas mulheres são capazes de amar seus filhos e nós temos que propiciar que isso aconteça de uma maneira digna, respeitando seus direitos e os direitos das crianças”, defende o advogado Pedro Hartung, coordenador do programa Prioridade Absoluta, do Instituto Alana, organização da sociedade civil que atuou como amicus curiae no julgamento da ação no STF.

Essas mulheres são capazes de amar seus filhos e nós temos que propiciar que isso aconteça de uma maneira digna, respeitando seus direitos e os direitos das crianças”,  Pedro Hartung, advogado e coordenador do programa Prioridade Absoluta, do Instituto Alana

O advogado explica que a decisão do Supremo favorece principalmente as crianças, para que elas possam ter um desenvolvimento adequado e sadio ao lado das mães. “Nenhuma criança merece passar um dia sequer dentro de um presídio. A gente sabe que as condições nos presídios femininos são insalubres, com altos índices de doenças transmissíveis como tuberculose, aids, nenhuma criança merece ter esse tratamento assim que chega ao mundo”, diz. Segundo o Instituto Alana, na ocasião da votação do habeas corpus, cerca de 2 mil crianças estavam com as mães em presídios no país, e somente 121 tinham acesso a espaços adequados.

Infografia mães presas 1

A forma como os filhos de mães presas vêm ao mundo e o que acontece com eles depois varia de acordo com as regras de cada estado. Não são raros os partos que acontecem em celas, corredores ou nos pátios das prisões. Quando as mães têm atendimento médico, muitas vezes o parto é feito com o uso de algemas ou com a presença de agentes penitenciários. Em seguida, alguns bebês são retirados do convívio da mãe logo após o nascimento, e encaminhados para a família ou para abrigos. Em outros casos, ficam com a mãe até completarem seis meses, vivendo dentro do presídio.

Para o relator da matéria no STF, ministro Ricardo Lewandowski, a separação entre as mães e filhos, seja nos presídios, seja em entidades de acolhimento institucional, pode causar dano irreversível e permanente às crianças filhas de mães presas. “Nos cárceres, habitualmente estão limitadas em suas experiências de vida, confinadas que estão à situação prisional. Nos abrigos, sofrerão com a inconsistência do afeto que, numa entidade de acolhimento, normalmente, restringe-se ao atendimento das necessidades físicas imediatas das crianças”, disse o ministro, em seu voto.

Em parecer enviado ao STF, o Ministério Público Federal se manifestou contra o direito automático à prisão domiciliar para mulheres gestantes ou com filhos de até 12 anos. A subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques, que assina o parecer, disse que a análise não pode ser feita de forma coletiva, e defendeu que não se pode permitir que a maternidade vire uma “garantia irrestrita e uma proibição à prisão cautelar”.

Demora para o cumprimento da medida

A falta de documentos das mães e das crianças e a não priorização por parte dos juízes para determinar a prisão domiciliar são as principais causas apontadas pelo defensor público-geral da União, Carlos Eduardo Paz, para a demora no cumprimento da decisão do STF. Ele já pediu informações para todas as defensorias estaduais para entender quais são os principais obstáculos para a liberação das presas que deveriam ser beneficiadas pelo habeas corpus coletivo.

“Temos notícias de casos em que a questão é tratada como qualquer outra, ou seja, não parece que tem uma ordem do Supremo, não parece que tem um prazo a ser cumprido”, diz o defensor. A Defensoria Pública da União (DPU) também quer saber se existem dificuldades estruturais para o cumprimento da medida, como falta de tornozeleira eletrônica ou de equipe multidisciplinar para monitorar a prisão domiciliar.

Para Paz, a demora na liberação das presas pode prejudicar mães e crianças. “Se você faz uma lei para proteger a primeira infância, você está reconhecendo que o tempo passa. E um dia a mais ou a menos de cárcere na vida de uma criança, de uma gestante, de uma lactante traz máculas e deixa marcas que não sabemos como isso vai repercutir lá na frente”, diz.

Presa com bebê na Penitenciária Feminina do DF (Colmeia)

Presa com bebê na Penitenciária Feminina do DF (Colmeia) – Luiz Silveira/Agência CNJ/ Direitos Reservados

A defensora pública do Distrito Federal Karoline Leal também considera que há uma resistência dos juízes para analisar a possibilidade de prisão domiciliar. “Os juízes estão muito reticentes em promover análises ou reanálises de prisão de ofício, eles ficam aguardando uma ação da defesa como se essa fosse uma atribuição só da defesa. Na verdade, a decisão do STF foi muito clara para que o próprio Judiciário fizesse essa reanálise, já que o Supremo indicou que os direitos das mulheres e das crianças não têm sido observados”, relata a defensora.

habeas corpus coletivo foi apresentado no STF pelo Coletivo de Advogados em Direitos Humanos. A advogada Eloísa Machado, uma das signatárias do pedido, também acompanha a execução da medida. Segundo ela, dos 3,3 mil pedidos feitos em favor de mulheres presas provisórias grávidas ou mães de crianças até 12 anos no estado de São Paulo, pouco mais de 1,5 mil foram julgados.

“A nossa impressão geral é que os estados estão demorando um pouco mais do que o imaginado para cumprir essa decisão. Nós imaginávamos essas dificuldades em razão da ausência de informações sistematizadas sobre quem são e onde estão essas mulheres”, avalia.

Ao aprovar o habeas corpus coletivo, o STF indicou três exceções para que a prisão domiciliar não seja concedida: os casos de crimes praticados mediante violência ou grave ameaça, crimes contra os filhos ou, ainda, em “situações excepcionalíssimas”, que deverão ser analisada caso a caso pelos juízes. No voto, Lewandowski também orienta que, quando a detida for reincidente, o juiz deverá proceder em atenção às circunstâncias do caso concreto. Se o juiz entender que a prisão domiciliar se mostra inviável ou inadequada, poderá substituí-la por medidas alternativas.

A vice-presidente institucional da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, diz que um dos principais problemas é a falta de documentação adequada das presas para que o juiz analise a situação de cada mulher.

“O que percebemos em muitos desses habeas corpus é que não havia a sustentação necessária e a defensoria alegava que o núcleo do lugar em que a presa é originaria não teria obtido facilmente esses documentos. Mas, infelizmente, meras alegações não são suficientes para juiz avaliar uma situação prisional”.

Segundo ela, os judiciários dos estados ainda estão se organizando para a análise dos processos. “Daqui a pouco, todos os estados terão a sua sistemática adequada de modo que a gente não tenha mais pedidos pendentes”, diz a juíza, que também é presidente da Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro.

No Distrito Federal, profissionais da Vara de Execuções Penais estão indo às casas de cada uma das presas provisórias que se encaixariam na decisão do STF para verificar a situação atual dos filhos. A pesquisa vai resultar em relatórios individuais que irão balizar as decisões dos juízes. Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a concessão da prisão domiciliar não é automática, e os juízes terão que analisar os casos um por um.

Infografia mães presas 2

Pedidos negados

Além da demora na análise dos pedidos, as entidades apontam que alguns juízes estão negando a prisão domiciliar, mesmo quando as mulheres atendem aos critérios definidos pelo STF. A advogada Eloísa Machado diz que, em muitos casos, o pedido tem sido negado de maneira inapropriada. Segundo ela, há situações que mesmo em crimes de tráfico de drogas a prisão domiciliar não está sendo concedida.

“Esses juízes estão apenas atrasando a implementação dessa decisão, porque esses casos serão objetos de recursos e serão certamente deferidos pelo STF. Na prática, os juízes estão desprezando os direitos das mulheres, os direitos das crianças, desprezando a decisão do Supremo e assoberbando o tribunal com mais recursos que seriam desnecessários”, avalia.

O defensor público-geral diz que também já ouviu relatos de juízes que têm firmado posições mais ortodoxas sobre o assunto. “De não olhar a situação com o gabarito que o STF colocou. Isso pode até ser fruto de um posicionamento contrário dos juízes”, diz Carlos Eduardo Paz.

No Espírito Santo, uma grávida teve o pedido de prisão domiciliar negado e acabou ganhando o bebê enquanto estava presa. A Defensoria Pública estadual fez um pedido de habeas corpus coletivo para 198 mulheres, que foi negado pelo Tribunal de Justiça. Em outros estados, a maioria dos pedidos também não tem sido atendidos, como na Bahia, Minas Gerais e Pernambuco, onde todos os pedidos de prisão domiciliar foram negados.

“Na maioria dos estados, os juízes estão criando um requisito que não estava no habeas corpus do STF, porque eles estão falando que é necessário avaliar o caso concreto, a situação de cada mulher e de cada criança, para verificar se de fato a criança depende da mãe”, diz a coordenadora da Comissão de Execução Penal do Colégio Nacional de Defensores Públicos-Gerais (Condege), Roberta Ferraz.

A juíza Renata Gil, vice-presidente da AMB, explica que há casos de presas que não têm contato com os filhos, que muitas vezes são criados por parentes ou vizinhos. “Isso não é incomum nessa situação de mulheres que se envolvem com a criminalidade. Temos casos de presas que estão foragidas há bastante tempo e quando são encarceradas não mantiveram essa relação de afetividade com essa criança”, diz. Segundo ela, nem todos os casos apresentam possibilidade de liberação, e a análise deve ser feita caso a caso. “Se não você está cometendo uma injustiça, de colocar em liberdade alguém que não faz jus a essa liberdade”, diz Renata.

“Isso não é incomum nessa situação de mulheres que se envolvem com a criminalidade. Temos casos de presas que estão foragidas há bastante tempo e quando são encarceradas não mantiveram essa relação de afetividade com essa criança”, Renata Gil, vice-presidente da AMB

Pedro Hartung, do Instituto Alana, defende que a decisão do STF não significa soltar as mulheres, mas possibilitar que elas aguardem o julgamento em prisão domiciliar. “É muito importante que o sistema de Justiça se conscientize dessa importância. Não se está soltando mulheres que deveriam estar presas, está se possibilitando que elas cumpram essa medida provisória em domicílio para que a criança tenha um cuidado adequado e que a mulher não seja submetida às condições insalubres dos presídios femininos”, defende.

Não se está soltando mulheres que deveriam estar presas, está se possibilitando que elas cumpram essa medida provisória em domicílio para que a criança tenha um cuidado adequado”, Pedro Hartung, Instituto Alana

Depressão e repetência

Joana* foi beneficiada e cumpre prisão domiciliar em Brasília

Joana* foi beneficiada e cumpre prisão domiciliar em Brasília – Valter Campanato/Agência Brasil

Os quatro filhos da manicure Joana* também sofreram com a ausência da mãe nos sete meses em que ela ficou detida na Penitenciária Feminina do Distrito Federal. Depois de verem a mãe ser algemada e presa, o mais velho, de 11 anos, entrou em depressão e uma das meninas, de 10 anos, repetiu de ano na escola.

“Ele não queria mais brincar, vivia chorando, trancado no quarto, só mexendo no celular, não queria contato com as pessoas”, conta a mãe, que foi acusada de tráfico de drogas, grilagem de terra e organização criminosa. O caso dela ainda não foi a julgamento.

Beneficiada pelo habeas corpus coletivo, ela retornou para casa no início de abril. Agora, se preocupa com as mulheres que ainda estão na penitenciária, aguardando uma decisão favorável para cumprir prisão domiciliar. Segundo ela, muitas ainda estão na expectativa de sair para ficar perto dos filhos.

“Nós somos mães, temos que estar vendo o que acontece no dia a dia dos filhos. Se estamos presentes, a gente já erra, imagina sem estar presente. Tenho muito medo de eles cometerem o mesmo erro que eu”, diz a moradora da comunidade do Sol Nascente.

Nesse Dia das Mães, Joana tem um desejo: fazer um grande almoço ao lado dos filhos e da mãe, que cuidou das quatro crianças enquanto ela esteve presa.

*Nome fictício

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