Yago Sales
Por Yago Sales e Jefferson SantosJefferson Santos
14/05/2018, 21h05

Polícia goiana prende, por acaso, piloto que buscou traficantes para a morte

Pelo menos 12 policiais fortemente armados foram atrás dos rastros do que parecia ser mais um caso de narcotráfico em Goiás e prenderam o piloto.

Policiais da Delegacia Estadual de Investigação Criminal de Goiás (Deic) não sabiam, mas prenderiam na tarde desta segunda-feira (14/5) a peça-chave para entender a morte do segundo principal chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), em fevereiro deste ano, no Ceará. Depois de a família de um piloto desaparecido em Anápolis registrar um Boletim de Ocorrências (BO) também em fevereiro, os policiais começaram a investigar o caso.

A princípio tudo não passava de um desaparecimento. Mas denúncias de um piloto traficante surgiram e o curso da investigação mudou. Tanto que pelo menos 12 policiais fortemente armados foram atrás dos rastros do que parecia ser mais um caso de narcotráfico em Goiás, um dos estados considerados a rota para o percurso das drogas que vêm da Bolivia, Colombia e Paraguai – a chamada Rota Caipira.

“Pensei que ia achar um piloto e acabei achando outro”, conta ao Dia Online o titular da  Deic, Valdemir Pereira da Silva. Uma das pistas – de que um piloto que estaria trazendo drogas do Paraguai para Goiás rondava o município turístico Caldas Novas – levou à ação que encontrou Felipe Ramos Morais, de 31 anos, em um condomínio de luxo.

O traficante pilotava o helicóptero utilizado para transportar os assassinos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca. Ele mesmo assumiu que foi contratado para fazer o transporte dos integrantes da facção criminosa. Conforme investigação da polícia cearense, piloto e um copiloto teriam simulado a pane de um helicóptero no percurso entre Ceará – onde a dupla passava a Quarta Feira de Cinzas com a família – até a Bolívia. Em uma aldeia, o pouso terminou com os Gegê e Paca mortos. Primeiro, foram torturados. Depois, mortos a tiros.

Um desses assassinos seria o piloto preso pelos policiais goianos. Em Goiás, ele costumava se apresentar com uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) falsa. O traficante justificou que utilizava o documento falso, que comprou, para despistar homens ligados a facções criminosas que estariam em sua busca. “Eles chegaram a procurar meu advogado”, disse.

Documento falso utilizado por piloto preso em Goiás. Foto: Jefferson Santos

O traficante responde na Justiça por tráfico de drogas e não teria autorização para pilotar avião, conforme disse o delegado Valdemir Silva. “Não tenho mais informações porque são a Polícia de São Paulo, do Ceará que investigam ele”. O criminoso foi levado para o Núcleo de Custódia, onde ficam criminosos de alta periculosidade.

“Já fizemos a comunicação informal às autoridades do Ceará e eles devem buscá-lo nos próximos dias”, informou, sem querer contar para a reportagem quem é o piloto desaparecido que levou a polícia a prender a peça que faltava para entender a dinâmica do assassinato de um dos maiores traficantes do Brasil. “Não posso falar. Pode atrapalhar as investigações”, disse, antes de desligar o telefone.