Goiás

Em fraude no Imas, até morto fez exame e consultou em clínica

Série de reportagens do Dia Online revela fraude no Instituto Municipal de Assistência Social (Imas).
31/05/2018, 19h35

Seis meses depois de morrer, a matrícula do marido de uma servidora da Prefeitura de Goiânia, que era dependente dela, foi utilizada de maneira suspeita para fazer exames em uma clínica conveniada ao Instituto Municipal de Assistência Social (Imas). A suposta irregularidade é uma das constatadas por uma auditoria da Controladoria Geral do Município de Goiânia (CGM) e em documentos obtidos com exclusividade pelo Portal Dia Online .

Morto em junho de 2017, o marido da servidora teve a matrícula utilizada para realização de exames no dia 6 de fevereiro deste ano na Urgembras Eire-ME, que tem um contrato de R$ 10 milhões com o Imas.

A surpresa de que a matrícula do marido estava sendo utilizada veio por meio de uma visita de funcionários do próprio Imas. O marido, segundo ela, teria passado por consultas com um geriatra. “Ele nem ia ao geriatra”, contesta. A servidora conversou com o Portal Dia Online na mesma semana em que soube  de que médicos atenderam ao marido seis meses depois de sua morte.

Em fraude no Imas, criança e até morto "consultaram" com geriatra
Servidora denuncia que não reconhece assinatura em guias

“A gente sempre precisou de atendimento, mas eles sempre diziam que não tinha vaga, que não atendia porque não recebia do Imas”, relata, na casa em que mora nos fundos de uma igreja no setor Novo Mundo, em Goiânia. Com o atestado de óbito do marido, ela conseguiu suspender os “atendimentos” ao finado, mas não imaginava que aquilo não era um erro, mas provavelmente uma fraude.

“Meu marido era muito certinho com as coisas. Se ele soubesse disso, não ficaria feliz”, diz ela que prefere não se identificar. Assista a entrevista em um vídeo no final do texto.

Um caso semelhante aconteceu com a servidora Sueli das Dores da Silva. Ela denunciou as irregularidades à ouvidoria da Prefeitura de Goiânia depois de tentar marcar exames e ser informada de que ela já tinha passado pelos procedimentos. A filha, advogada, conseguiu resolver o problema. Juntou documentos e procurou, além da Prefeitura, o Ministério Público. Nem ela nem a mãe quiseram gravar entrevista.

No documento, escrito de próprio punho, Sueli das Dores relata que se surpreendeu com exames que ela não fez pela Urgembras Eire-ME. Ainda no documento, a servidora conta que compareceu ao Imas em 26 de fevereiro de 2018 ao constatar, no extrato de despesas, exames de eletroneuromiografia.

“Declaro que [também] não passei por consulta [com o reumatologista] Gleydson Jerônimo da Silva e [com o geriatra] Carlos Henrique”. Além dos exames que não fez, ela contesta assinatura das guias.

Em fraude no Imas, criança e até morto "consultaram" com geriatra
Em denúncia, servidor diz que matrícula foi utilizada de “forma criminosa”

“De forma criminosa”

É com desconfiança que o servidor Márcio Pereira de Oliveira atende o telefone. Quer saber como a reportagem conseguiu o seu contato. Prefere não comentar as cobranças e a utilização de sua matrícula. Para a Ouvidoria, ele informou que a sua matrícula vinha “sendo usada de forma criminosa para atendimentos na empresa Urgembras. Nunca estive lá”, conclui em uma denúncia do dia 20 de março deste ano.

Para a reportagem, o presidente do Imas, Sebastião Peixoto, nega as irregularidades e que todas as notas à empresa foram canceladas. “Está tudo certo, não tem nada irregular”, disse.

Na próxima reportagem, Dia Online  vai relevar quem são os responsáveis pela fraude e como eles atuam dentro do Imas.

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Brasil

Empresa sob suspeita de fraudes que tem contrato milionário com Imas é de fachada

Fraudes envolvem, além de falsidade ideológica, exame e consulta médica com morto.
01/06/2018, 13h52

A Urgembras, com contrato milionário com o Instituto Municipal de Assistência Social (Imas) é, na prática, uma escola de treinamentos para profissionais da saúde. Médicos e responsáveis pela empresa são suspeitos de fraudes quando exames foram feitos em nome de servidores.

Até um ex-diretor assinou documentos classificados como fraudulentos, com registros de exames na matrícula de servidores que nunca ouviram falar da Urgembras. A reportagem do Portal Dia Online publicou relatos de servidores que tiveram descontados na Folha de Pagamento exames que eles não fizeram.

O dependente de uma servidora teria feito exames seis meses depois de sua morte. “Meu marido já estava morto quando usaram a matrícula dele”, disse a mulher.

Além do site da empresa, a reportagem verificou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) que deveria ser uma clínica que atenderia nas áreas de Psiquiatria, Cardiologia, Acupuntura, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, como prevê o contrato com o Imas.

Antes do escândalo, o presidente do Imas, Sebastião Peixoto, demitiu o diretor de Assistência à Saúde do Servidor do órgão, o geriatra Carlos Henrique Duarte Bahia, e determinou uma auditoria interna que constatou as irregularidades.

Com sua designação ao cargo, Carlos Henrique articulou a contratação da empresa que deveria oferecer atendimento médico mas, como apurou o Portal Dia Online, é uma escola de treinamentos para profissionais da saúde.

O contrato firmado com a Urgembras é de R$ 10 milhões e foi feito com dispensa de licitação, como publicado no decreto nº 054/2017, assinado por Sebastião Peixoto em 23 de outubro de 2017, com vigência até o dia 31 de dezembro de 2021.

Veja denúncia de servidora em que matrícula de marido morto foi usado em fraude:

“Caique”

Carlos Henrique Duarte Bahia, na data das consultas sob suspeita de fraude, era diretor de Assistência à Saúde do Servidor do Imas. Ele foi exonerado do cargo em 27 de abril quando o órgão começou a receber denúncias envolvendo o médico com as consultas. Um dos braços direito de Sebastião Peixoto, a reportagem encontrou dificuldades em descobrir quem era o médico pelo seu nome de batismo.

Empresa com contrato milionário com Imas é de fachada
Conhecido como “Caique”, ex-diretor Carlos Henrique Duarte

É que Carlos Henrique é conhecido como “Caique” tanto no Imas quanto no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), de onde foi exonerado do cargo de diretor após ser preso devido a fraudes na transferência de pacientes para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em 2016, em uma operação intitulada “S.O.S SAMU”.

Além de assinar guias de atendimento classificadas em uma auditoria feita pelo próprio Imas em abril como fraudulentas, Carlos Henrique era dono da Urgembras. Quando assumiu o cargo no Imas, ele já havia deixado a sociedade na mão da advogada Luiza Ribeiro Fernandes. A reportagem tentou contato nas últimas três semanas com Luiza, mas ninguém sabia de quem se tratava.

Em entrevista à reportagem, Sebastião Peixoto prefere culpar uma funcionária da Urgembras. “Tudo culpa de uma funcionária deles [Urgembras] que foi demitida”, Sebastião culpa. “Já resolvemos tudo, cancelamos todas as notas fiscais”, avisa, enquanto o repórter folheia, durante uma hora, os documentos sobre a mesa de Sebastião.

“Não sou sócio da empresa, porém ela é credenciada pelo Imas e com o objetivo de melhorar a prestação de serviços aos usuários houve atendimento aberto para este convênio na clínica onde trabalho, onde foi respeitado todos os requisitos no chamamento 02/2016. Devido à falhas no cumprimento de obrigações contratuais de segurança (o que foi amplamente esclarecido na auditoria feita pela própria empresa), todos os procedimentos incompletos em itens de segurança foram listados e cancelados com rigor. Informo ainda que nenhum pagamento foi realizado para a empresa, afastando possibilidade de prejuízo para o IMAS. Assim, entendo necessário o acesso às correções realizadas que ainda a imprensa e até mesmo a Controladoria não tiveram acesso. Encontro-me à inteira disposição para demais esclarecimentos. Gentilmente, solicito a consideração de todo o trabalho de retificação realizado para fins de melhor esclarecimento do caso e afastar divulgação incorreta ou até mesmo injusta. À disposição.”

Quer dizer…

No primeiro telefone disponível na internet da Urgembras, atendeu um escritório de contabilidade. Depois de pelo menos três ligações, a recepcionista passou um número de telefone. Neste segundo número, a secretária eletrônica, no entanto, repete: “Você ligou para a Amice Clínica”. Por fim, o repórter conversa com uma atendente que afirma desconhecer a Urgembras.

Depois de consultar uma segunda pessoa, a recepcionista volta atrás e informa que a Urgembras fica no mesmo prédio da clínica Amice.

Amice é uma tímida clínica no Marista, um setor de classe média alta da capital, de propriedade de Glaydson Jerônimo Da Silva, o reumatologista que assina guias de suposto atendimento à servidora que denunciou as fraudes.

No endereço, a reportagem encontra apenas um banner desbotado da Urgembras e pede para falar com um responsável. “Olha, é o doutor Carlos Henrique, mas ele está em atendimento”, diz a recepcionista.

Empresa com contrato milionário com Imas é de fachada
Presidente do Imas, Sebastião Peixoto

Em seguida, um médico aparece. Sem saber que está sendo gravado, ele conta que os cursos da Urgembras são ministrados na clínica Amice. Ainda conforme ele, o proprietário das duas é Carlos Henrique Duarte.

Presidente do Imas desde o início da gestão do prefeito Iris Rezende (MDB),  Sebastião Peixoto é um conhecido nome do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Vez ou outra ele se envolve em alguma suspeita de irregularidade com o dinheiro público por onde ele passa como gestor nos últimos 50 anos em Goiânia. Ele nega irregularidades no contrato com a empresa.

Em resposta à reportagem, o médico Carlos Henrique Duarte enviou a seguinte nota:

“Não sou sócio da empresa, porém ela é credenciada pelo Imas e com o objetivo de melhorar a prestação de serviços aos usuários houve atendimento aberto para este convênio na clínica onde trabalho, onde foi respeitado todos os requisitos no chamamento 02/2016. Devido à falhas no cumprimento de obrigações contratuais de segurança (o que foi amplamente esclarecido na auditoria feita pela própria empresa), todos os procedimentos incompletos em itens de segurança foram listados e cancelados com rigor. Informo ainda que nenhum pagamento foi realizado para a empresa, afastando possibilidade de prejuízo para o IMAS. Assim, entendo necessário o acesso às correções realizadas que ainda a imprensa e até mesmo a Controladoria não tiveram acesso. Encontro-me à inteira disposição para demais esclarecimentos. Gentilmente, solicito a consideração de todo o trabalho de retificação realizado para fins de melhor esclarecimento do caso e afastar divulgação incorreta ou até mesmo injusta. À disposição.”

Na próxima reportagem da série, Sebastião se contradiz com informações equivocadas.

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Brasil

Grávida morta conheceu motorista ao arrumar vidro de ônibus de dupla sertaneja

Grávida conheceu motorista de dupla em fábrica de vidros de São Paulo.
04/06/2018, 12h02

Assassinada a tiros pelo ex-marido na madrugada desta segunda-feira (4/6), Denise Ferreira da Silva, de 32 anos, deixou um emprego em São Paulo quando conheceu Aginaldo Veríssimo Coelho, de 50 anos.

Os dois se conheceram em uma empresa de vidros para automóveis em que ela era encarregada quando o motorista da dupla Henrique e Juliano levou um ônibus para reparos. Com o acerto na firma, comprou uma casa no Setor Caravelas, em Goiânia.

Além da mudança, trouxe o filho de 6 anos. “Ela deixou emprego e comprou esta casa aí em Goiânia. Abriu um empório, onde vendia comida congelada, bebida e refrigerantes”, lembra o primo, Leandro Nunes.

Grávida de quatro meses, Denise tentou escapar do motorista que arrombou a casa por volta das 3h da manhã. Quando tentou fugir pela rua do condomínio, a mulher levou um tiro na cabeça.

De acordo com vizinhos de Denise, as brigas entre o casal eram constantes. Foragido, a Polícia Civil busca o homem que fugiu a pé.

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Goiás

Feira Hippie começa a funcionar às sextas-feiras, anuncia prefeitura

A decisão é provisória e tem validade até o início da revitalização da Praça do Trabalhador.
04/06/2018, 17h01

Foi decidido na manhã desta segunda-feira (4/6), pelo prefeito Iris Rezende, que a Feira Hippie funcionará a partir das 8h das sextas-feiras. A medida é provisória e tem validade até o início da revitalização da Praça do Trabalhador.

“Dou minha autorização para que possam atuar na região a partir de sexta-feira. No entanto, essa alteração será provisória, visto que iniciaremos, em breve, uma grande revitalização na Praça do Trabalhador. Quando começarem as obras, outras definições serão tomadas de forma que não comprometam o bom andamento dessa requalificação na área”, explicou o prefeito.

Iris Rezende ressaltou ainda que a mudança pode contribuir de forma positiva no sustento das famílias dependentes da Feira.

Ainda durante a reunião, que foi acompanhada pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia (Sedetec), Ricardo De Val Borges, haverão ajustes sobre os próximos passos para se promover a mudança solicitada.

“Nós sabemos das dificuldades de vocês que estão na ponta e o que eu sempre defendi foi o diálogo, pois sempre estamos de portas abertas para receber a todos. Com a conversa que tivemos hoje e destacando o cuidado do prefeito tanto com os comerciantes quanto com a Feira Hippie, espaço pelo qual Iris Rezende tem profundo apreço, comunico que providenciaremos um decreto para oficializar esta alteração junto com o secretário de Planejamento Urbano e Habitação, Henrique Alves”, explicou De Val.

De acordo com o secretário da Sedetec, as equipes que tratarão da mudança trabalharão para que, nesta sexta-feira (8/6) a Feira Hippie já esteja em plena atividade.

“No entanto, precisamos ainda agendar alguns encontros com os representantes da feira para adequarmos esta alteração de horário da forma mais organizada possível. Precisamos garantir o tranquilo fluxo de veículos e pedestres, mantendo a ordem para que todas as atividades da região possam seguir com o ritmo normal de funcionamento”, conclui.

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Goiás

Motorista confessa que matou ex-mulher grávida por ciúmes

Crime ocorreu na madrugada desta segunda-feira (4/6), em Goiânia.
04/06/2018, 21h02

Foi preso na tarde desta segunda-feira (4/6) em Anápolis, Aginaldo Veríssimo Coelho, de 50 anos, o assassino confesso da vendedora Denise Ferreira da Silva, de 34 anos, que estava grávida de quatro meses. A mulher foi morta a tiros nesta última madrugada, em um condomínio do Setor  Caravelas, em Goiânia, onde morava.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Dannilo Proto, da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), Aginaldo confessou o crime e disse que teria matado a mulher por ciúmes e por conta de uma possível traição. O homem disse ainda que cometeu o assassinato em um momento de fúria.

“Aginaldo é autor confesso da morte da sua companheira, Denise. Segundo ele, a motivação foi por ciúmes e uma possível traição. Nessa oportunidade, possuído por esse sentimento de fúria, ele resolveu ir ao apartamento dela, entrou em vias de fato e efetuou esse disparo”, contou o delegado.

O principal suspeito estava foragido desde a manhã desta segunda e foi encontrado na casa de parentes em Anápolis. Segundo informações do delegado, Aginaldo contou que logo após o crime, solicitou um carro por aplicativo de transporte e fugiu do local. O homem, que responderá por feminicídio e aborto, não resistiu à prisão.

Relacionamento 

Denise se mudou para Goiânia depois de conhecer Aginaldo em uma empresa de vidros para automóveis onde ela era encarregada, em São Paulo. A história do casal começou depois que Aginaldo, que é motorista da dupla Henrique e Juliano, levou um ônibus para reparos na empresa.

Com o dinheiro do acerto, Denise comprou uma casa em um condomínio no Setor  Caravelas, onde foi assassinada, e depois de um tempo abriu um empório. Denise trouxe também o filho de seis anos, fruto do primeiro casamento.

O casal, que já não morava mais junto quando o crime aconteceu, tinha um histórico de brigas, segundo informações do vizinhos. Denise tentava fugir de Aginaldo, que para matá-la, arrombou a porta da casa por volta das 3h.

Família 

Ainda na tarde desta segunda-feira, uma tia de Denise e o pai do primeiro filho da vendedora desembarcaram no Aeroporto de Goiânia. Eles vieram até a Capital para levar a criança e o corpo da mãe para São Paulo, onde será enterrado.

Para isso, a família pede ajuda financeira para a realização dos tramites legais. Qualquer valor pode ser doado e depositado na conta abaixo:

  • Agência: 6844-6
  • Conta-corrente: 10641-0
  • Nome: Idivonete Ferreira Martins
  • Banco do Brasil

Detalhes sobre o caso 

A Polícia Civil informou que outros detalhes sobre o caso serão apresentados na manhã desta terça-feira (5/6) pelo delegado Dannilo Proto, na DIH de Goiânia.

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