Juliana Nogueira
11/06/2018, 08h06

Documentário “Construindo Pontes” é o grande campeão do Fica 2018

A produção recebeu o troféu Cora Coralina, um prêmio no valor de 100 mil reais e também foi a vencedora do Troféu do Juri Jovem.

Depois de cinco dias de mostras e exibições, o 20° Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica) entregou na manhã deste domingo (10/6), sexto e último dia dessa edição 2018, a premiação das Mostras Competitiva, ABD e Saneago.

O documentário brasileiro “Construindo Pontes”, de Heloísa Passos, foi escolhido por unanimidade pelo júri de premiação como a melhor produção e levou o Grande Prêmio Cora Coralina da Mostra Competitiva. A seleção foi feita entre os 21 filmes exibidos, provenientes de 8 países.

Além do troféu Cora Coralina, a produção recebe um prêmio no valor de 100 mil reais e também foi a vencedora do Troféu do Juri Jovem.

O Fica exibiu em sua 20° edição 101 filmes, sendo 47 goianos. O ex-ministro da Cultura, um dos idealizadores do Fica, João Batista Andrade, entregou o prêmio de melhor documentário e celebrou sua volta ao festival, afirmando a importância do Fica para o ressurgimento do cinema goiano.

“Eu queria dizer, 20 anos depois, da minha alegria de estar aqui vendo que o festival continua forte, inovando e tratando uma questão tão importante para nós como a questão do meio ambiente e vendo a quantidade de jovens cineastas fazendo cinema e recriando o cinema goiano” , afirmou o idealizador que também coordenou a primeira edição do Festival.

O documentário vencedor fala das perdas afetivas com o afogamento das Sete Quedas para construção da Usina de Itaipu e, em paralelo, os conflitos de opinião da diretora com o pai conservador.

A paranaense Heloísa Passos agradeceu a premiação dedicando sua vitória a todas as cineastas e produtoras de cinema goianas. Ela celebrou a diversidade e a representatividade no cinema. “O ser humano é meio ambiente” disse a vencedora.

O Trófeu Carmo Bernardes de melhor longa-metragem ficou com o documentário italiano “Coros do Anoitecer”, dirigido por Nika Saravanja e Alessandro d`Emilia, que recebe um prêmio de R$ 50 mil. O filme italiano trabalha a temática inusitada da devastação sonora da floresta amazônica e retrata a empreitada do compositor eco-acústico David Monacchi para registrar o som de ecossistemas da Floresta Amazônica.

Com uma narrativa lúdica que usa de uma estética rica para discutir o problema do desmatamento, o brasileiro “Plantae”, de Guilherme Gehr, foi premiado na categoria de melhor curta ou média-metragem, levando o Prêmio Acary Passos e R$ 35 mil. Para o diretor produzir e premiar cinema ambiental é em si uma atitude de mudança. “Eu sinto que a gente já está fazendo a diferença e eu fico muito feliz por isso aqui” declarou em seu discurso.

O Prêmio João Bennio de Melhor filme goiano e a quantia de R$ 50 mil foram para o documentário “Diriti de bdé Buré”, de Silvana Beline. O filme narra a vida de uma ceramista de bonecas Karajá. Silvana Beline é estreante no cinema e disse que “só de ser selecionada m, já me senti premiada, estou emocionada” disse a diretora. A obra também, foi premiada na Mostra ABD Cine Goiás.

O troféu Troféu José Petrillo de Segundo Melhor Filme Goiano e o prêmio de R$ 35 mil foram para o curta-metragem “A Viagem de Ícaro”, de Kaco Olímpio e Larissa Fernandes, também premiado na 16ª Mostra ABD Cine Goiás. O filme explora o território fantástico através de um catador de materiais recicláveis que sonha em voar.

O curta-metragem português “Penúmbria” recebeu Menção Honrosa e foi escolhido pela imprensa para receber o Troféu Jesco Von Putkamer. A obra de Eduardo Britto conta a história da cidade fictícia que dá nome ao filme.

Em todas as sessões da Mostra Competitiva, o público recebeu cédulas para classificar os filmes assistidos. O filme que recebe melhores avaliações é premiado no Júri Popular e recebe uma premiação no valor de R$10 mil. Esse ano, a categoria entregou o Troféu Luiz Gonzaga Soares à animação argentina de Pablo Polledri “Corp.”. Com uma narrativa que explora efeitos sonoros, o diretor mostra como uma corporação cresce às custas da exploração ambiental e humana.