Goiás

"Tiro de borracha à toa", diz mulher de preso do Presídio Estadual de Anápolis; escute áudios

Mães procuraram o Portal Dia Online para denunciar supostas agressões no Presídio Estadual de Anápolis.
17/08/2018, 18h59

Mulheres sustentam denúncias da Pastoral Carcerária Nacional que cobrou, por meio de ofício enviado a órgãos competentes na segunda-feira (13/8), respostas acerca de um relatório que pede investigação de supostas torturas no Presídio Estadual de Anápolis, em Goiás.

Uma das mães conta ao Portal Dia Online que visitou o filho na quarta-feira (17/8) e soube que um preso teria tido o dedo quebrado na ocasião de uma ação de agentes para conter motim há cerca de dez dias.

“Cada visita é mais desgastante do que a outra. A gente lá não tem lugar para banhar, comer. Se a gente quiser ir ao banheiro, precisamos ir para o meio do mato”, conta.

Outra mulher, chorando ao telefone, conta que as visitantes chegam às 3h da madrugada na porta do presídio e começam a receber senhas às 12h. “Ficamos lá no sol escaldante até entrar às 14h, queimadas do sol, com fome e suadas”, reclama.

Ouça denúncia de uma mãe:

Empregada doméstica, a mãe de um dos presos não o vê há mais de quatro meses devido ao horário de visita e dias da semana – quarta ou quinta-feira. “Trabalho de doméstica e não posso sair do serviço. Se eu sair posso ficar desempregada. Se tivesse jeito de mudar o dia de visita para sábado ou domingo ia ajudar muito”, sugere.

Segundo ela, há uma determinação de que, mesmo sendo religiosa, não pode entrar no Presídio de saia. “Sou evangélica e não uso calça e desde que ele foi para lá fui obrigada a usar. Queria pelo menos que me deixassem vestir minha saia lá dentro  quando fosse para sair do presídio. É muito triste a gente ter a religião e eles obrigarem a gente a usar o que a gente não usa e até a ouvir coisas que não somos acostumadas. É muito sofrimento”, lamenta.

“Outra coisa são as crianças que para visitar o pai tem que matar aula. E outra, se perder a visita, fica até três meses sem ver os pais”, acrescenta.

Ouça o áudio:

Tiro de borracha “à toa” em procedimento “1” em Presídio Estadual de Anápolis

Familiares denunciam violência a presos em Presídio Estadual de Anápolis; escute áudios Familiares denunciam violência a presos em Presídio Estadual de Anápolis; escute áudios

A mulher de outro denuncia que agentes entraram gritando que era “procedimento 1” e disparou, segundo o preso disse para ela, “à toa”. O agente ainda teria ameaçado atirar na cabeça do apenado. “Se o agente não vai com a cara do preso, eles cagam e passam bosta [figurativo] na cara deles.”

Escute a denúncia:

Ainda segundo ela, depois de ameaçar denunciar os agentes, o marido teria sido levado por eles para fora do presídio onde teria sido obrigado a assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

Escute a denúncia:

Para o presidente do Sindicado dos Agentes Prisionais do Estado de Goiás, Maxuell Miranda das Neves, as denúncias dos familiares cumprem a um propósito: “É um discurso ensaiado porque a família tem muita dificuldade para visitá-los e querem que eles voltem para Goiânia. Desafio qualquer pessoa a me indicar um preso espancado e o levarei para fazer exame de corpo de delito,” assevera.

Democracia

Familiares denunciam violência a presos em Presídio Estadual de Anápolis; escute áudios
Foto: Reprodução/Estado de Goiás

Sobre a atuação do Grupo de Operações Penitenciárias (Gope), Maxuell destaca que quando algum preso é ferido, o procedimento é leva-lo fazer exame de corpo de delito. Sobre a denúncia de o preso ter sido levado para fora da unidade prisional, ele destaca que isso inexistente.

Acerca das denúncias sobre um dos presos ter sido levado para “passear” pela cidade porque a mulher teria ameaçado denunciar o agente que o acertou com uma bala de borracha no pé, Maxuell afirma: “O preso tem liberdade para assinar o que ele quiser. De forma alguma o coagimos. Vivemos democracia, não existe mais tortura.”

Ele ainda defende atuações “necessárias”. “Os agentes prisionais são profissionais competentes. Esta é uma função que exige curso superior. Entre nós temos agentes com mestrado e doutorado”, diz, complementando: “Se a denúncia tem fundamentação porque não procuram advogado – para fazer exame de corpo de delito – e deixam de conversa paralela?”

Diretor-geral adjunto da DGAP, Agnaldo Augusto, explica que pelo menos duas semanas atrás, uma tentativa de motim. “Destruíram o interior de duas celas em um motim. Não destruíram mais porque houve a intervenção”, destaca.

“Todas as informações de denúncias são apuradas”, garante. A respeito da alimentação, o tenente-coronel destaca que a terceirizada oferece quatro refeições por dia. “Os presos tomam café da manhã, almoço, lanche e jantar”, salienta.

“Lá é uma unidade classificada como Estadual, com rito diferente. A entrada de produto e toda visitação é controlada, com monitoramento dos objetos. Não existe fogão, microondas em cela, tudo o que não encontraram em outros presídios.”

Para o tenente-coronel, o local “respeita os Direitos Humanos”. “Trabalhamos com respeito e disciplina. O preso tem cama, quatro refeições por dia, garantia de visita. Toda garantia da Lei de Execuções Penais é respeitada. O agente não pode agir de qualquer jeito, ele obedece ao Procedimento Operacional Padrão (POP)”, esclarece.

Ofício da Pastoral Carcerária Nacional denuncia tortura

O ofício a que o Portal Dia Online teve acesso informa e publicado que a Pastoral  recebeu denúncia anônima, “através de via eletrônica, relatando a existência de violações de direitos e tortura na Penitenciária de Anápolis, em Goiás.”

Assessor Jurídico da Pastoral Carcerária Nacional, Paulo Malvezzi Filho, informou que os membros e os presos têm medo de ser penalizados quando denunciam. “Os presos e os membros da Carcerária têm medo de represálias. Os entes da Pastoral têm medo de perder o acesso aos presos. Muitos de nossos agentes são proibidos de, inclusive, exercer atividade religiosa”, conta.

“Temos muitos relatos em Goiás. Tortura, ausência de direitos e outras violência”, complementa Malvezzi.

Ainda conforme o documento, o denunciante relatou que há torturas, agressões físicas e psicológicas. “Com relação a assistência médica, os detentos estão com problemas bucais, como infecções e com ‘buracos’ nos dentes, devido à falta desse atendimento, fazendo com que seus quadros clínicos sejam agravados.”

A entrega de alimentos que seria feita pelos familiares “não é permitida na unidade com exceção de bolachas de água e sal entregues nos dias de visita”.

Com isso, conforme a denúncia, os presos ficam “à mercê da vontade dos agentes prisionais que sem razão aparente ou por motivos fúteis, não respeitam um horário pré-estabelecido para a entrega da comida dos apenados, bem como, a alimentação está sendo servida com ‘bichos’ e larvas.”

Segundo consta ainda, nesta unidade prisional, “os apenados estão sendo submetidas a tratamentos humilhantes de forma consciente, os presos são machucados e possuem dedos quebrados. O denunciante relata que os presos são conduzidos para celas de isolamento/castigo de maneira que lá são agredidos com tiros e bombas, estando no local uma cápsula de armamento letal deflagrado.”

Presídio Estadual de Anápolis
Foto: Reprodução/ Estado de Goiás

NOTA-DGAP sobre denúncias enviadas à reportagem pelas mulheres

“A propósito dos questionamentos da reportagem do Portal Dia Online, a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) esclarece o que se segue:

A DGAP está aberta para receber e apurar quaisquer denúncias feitas por familiares de presos, desde que a mesma seja feita de maneira formal nos canais de comunicação disponíveis. Os interessados podem entrar em contato com a Ouvidoria, Corregedoria, Ouvidoria Geral do Estado ou direção do órgão para fazer suas denúncias de irregularidades.

O usuário pode procurar também, caso julgue necessário, os órgãos fiscalizadores do sistema prisional como o Ministério Público, Poder Judiciário e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO).

Sobre a reclamação da comida, os presos recebem alimentação balanceada, baseada em cardápio elaborado por especialistas e feita diariamente.

No café da manhã, os presos são alimentados com leite achocolatado e pão com manteiga, o almoço é servido com cardápio de 600g, arroz carne, legumes, acompanhado de uma fruta e doce, no período vespertino é servido achocolatado e pão com manteiga, além do jantar (600g). Tudo fornecido por empresa especializada contratada, devidamente fiscalizada.

Sobre a denúncia de agressão com bala de borracha, a DGAP informa que armamento com munição menos que letal são disponibilizados para serem utilizados quando há a necessidade de uso da força para conter insurgências nas unidades prisionais.

Sempre que utilizadas, a direção da unidade faz o devido registro na delegacia de Polícia Civil, com a narrativa dos fatos.

Em 2018, ocorreram três motins no Presídio Estadual de Anápolis.

Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP)”

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Política

Veja o resumo do segundo debate dos candidatos à Presidência

O debate dos candidatos à Presidência da República, transmitido ontem (17/8), pela RedeTV, teve alfinetadas, provocações e confrontos diretos.

Por Ton Paulo
18/08/2018, 11h23

A emissora RedeTV! promoveu na noite desta sexta-feira (17/8) o segundo debate dos candidatos à Presidência da República nas eleições 2018. Assim como no último, realizado pela Band, oito concorrentes ao cargo de presidente marcaram presença: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede).

Jair Bolsonaro e Marina Silva protagonizaram o principal confronto direto, e um dos pontos altos do debate. A representante da Rede atacou a postura do rival em razão de seu posicionamento sobre o salário para mulheres, que rebateu associando a religião da candidata às suas propostas de promover plebiscitos para discutir temas como aborto e descriminalização das drogas.

Veja os pontos altos do debate dos candidatos na RedeTV

Alvaro Dias e Jair Bolsonaro x Lula e PT

De novo fora do debate presidencial, o ex-presidente Lula e seu partido foram alvo de críticas por parte dos adversários.

Enquanto Geraldo Alckmin creditou às gestões petistas – em diferentes oportunidades – a crise atravessada pelo País, Jair Bolsonaro e Alvaro Dias dispararam diretamente contra Lula. Enquanto o candidato do PSL chamou o ex-presidente de bandido, o representante do Podemos disse que a insistência em sua candidatura representa um risco para a democracia.

“Não há como admitir essa vergonha nacional, de uma candidatura que não pode existir”, disse Dias. “Essa candidatura não existe”.Registrado como candidato nas eleições 2018 pelo PT, Luiz Inácio da Silva não esteve no debate.

Preso em Curitiba, o ex-presidente teve negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para participar do debate. O petista seria representado por um lugar vazio, mas o nono púlpito foi retirado por decisão da maioria dos candidatos.

Henrique Meirelles x Guilherme Boulos

Em uma das ocasiões em que tentava se esquivar da associação a Temer, ao responder uma provocação de Guilherme Boulos sobre o “toma-lá-dá-cá” do MDB, o candidato Meirelles disse que a imprensa classificou como “time dos sonhos” a equipe de técnicos escolhida por ele durante sua gestão no Ministério da Fazenda.Na réplica, o presidenciável do PSOL afirmou que para os milhões de brasileiros desempregados, aquele era o “time dos pesadelos”.

Na tréplica, Meirelles voltou a lembrar do período em que foi presidente do Banco Central no governo Lula e disse que, na época, criou emprego para quem queria trabalhar e não para quem queria invadir propriedades alheias.

Boulos, que é líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), rebateu indiretamente em um diálogo com Cabo Daciolo.“Quero responder uma insinuação do Henrique Meirelles, ele fez uma menção sobre trabalho.

Quero dizer que não sou banqueiro. Eu sou professor, escrevo e ganho minha vida honestamente. Luto ao lado dos sem-teto com muito orgulho. Estou junto com sem-teto, com sem-terra. Só não estou junto com sem-vergonha.”

Veja o resumo do segundo debate dos candidatos à Presidência, na RedeTV

Marina x Bolsonaro

No terceiro bloco do debate da RedeTV!, Jair Bolsonaro usou uma cola em sua mão para questionar Marina Silva sobre seu posicionamento acerca da liberação do porte de arma. A presidenciável da Rede prontamente respondeu ser contra e aproveitou o tempo de um minuto de resposta para atacar o candidato do PSL sobre seu posicionamento sobre o salário das mulheres. Durante o debate, ele declarou ser contra a intervenção do governo do assunto.

“Só uma pessoa que não sabe o que significa uma mulher ganhar um salário menor do que o homem e ter as mesmas capacidades, a mesma competência e ser a primeira a ser demitida, ser a última a ser promovida e quando vai à uma fila de emprego, pelo simples fato de ser mulher, não é aceita”, disse Marina.

“Não é uma questão que não precisa se preocupar, precisa se preocupar sim. Não fazer vista grossa, dizendo que não precisa se preocupar”, finalizou.

Na réplica a que tinha direito, Bolsonaro usou a religião de Marina para contra-atacar. “Temos aqui uma evangélica que quer fazer um plebiscito para o aborto e para a maconha. Você não sabe o que é uma mulher, Marina, com um filho jogado no mundo das drogas”, afirmou.Na tréplica, a candidata partiu para o ataque novamente e lembrou que Bolsonaro posou para fotos com crianças fazendo o sinal de uma arma.

“Você sabe o que a bíblia diz sobre ensinar uma criança? Ensina a criança no caminho que deve andar e, até quando for grande, não se desviará do caminho”, disse Marina.

Veja o resumo do segundo debate dos candidatos à Presidência, na RedeTV

Daciolo

Cabo Daciolo não citou a Ursal, mas voltou a chamar atenção pelas denúncias durante o debate na RedeTV!. Desta vez, o alvo foi um suposto esquema para fraudar as urnas eletrônicas. “Vamos votar em cédulas, para honra e glória do senhor Jesus”, disse o candidato.

Apesar de afirmar “amá-los”, o deputado também disparou contra os demais candidatos no debate eleitoral.

“Nação brasileira: maldito é o homem que acredita nos homens, mas bendito é o homem que acredita em Deus. Parem de acreditar em partidos políticos. Eles são todos amiguinhos. Se eu olhar na minha frente tenho aqui Alvaro Dias, Henrique Meirelles, Geraldo Alckmin e Marina. Tudo aqui é praticamente PSDB, são amigos”, disse o presidenciável do Patriota.

Ciro Gomes x Jair Bolsonaro

No momento reservado às perguntas de jornalistas para os candidatos, o jornalista Reinaldo Azevedo (forte crítico ao PT), fez pergunta a Jair Bolsonaro com comentário de Ciro Gomes.

Azevedo questionou o candidato do PSL sobre o tamanho da dívida pública, e o que ele, se eleito, faria a respeito. Finalizou a pergunta com a provocação “Ou o senhor acha que isso não é competência do presidente”.

Bolsonaro começou dizendo que o tamanho da dívida pública era um absurdo, e terminou falando sobre a burocracia existente para se abrir empresas no Brasil.

Ciro Gomes respondeu dizendo que a solução para a diminuição da dívida pública no Brasil era o corte direto dos juros.

O candidato do PDT foi flagrado dando risadas durante o confronto direto entre Daciolo e Bolsonaro.

Veja o resumo do segundo debate dos candidatos à Presidência, na RedeTV

Via: Estadão 

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Goiás

Estudante da UFG que estava desaparecido é encontrado em estado de choque em Goiânia

O estudante, que estava desaparecido desde ontem (17/8), foi encontrado por amigos em estado de desorientação.

Por Ton Paulo
18/08/2018, 12h52

O estudante de Relações Internacionais da UFG, Fernando Jorge Saraiva, 23, foi encontrado por amigos na manhã deste sábado (18/8) em estado de choque, no centro de Goiânia.

Fernando, que é aluno de Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás, havia desaparecido depois de desembarcar de um Uber, em um posto de gasolina na Avenida São Francisco, no setor Santa Genoveva, em Goiânia, por volta das 19h30 de ontem (17/8).

Segundo informações da família, o estudante tinha a intenção de ir de Uber até o setor Santa Genoveva e, de lá, devido a uma promoção do App, pegaria outro para o Campus Sambambaia da UFG. Entretanto, Fernando desapareceu no intervalo desses trajetos.

A família e os amigos, então, começaram as buscas e uma ocorrência de desaparecimento foi registrada, uma vez que o rapaz não tem o hábito de ficar sem contato com a família e a namorada por longos períodos de tempo.

Um grupo de amigos de Fernando já preparava uma busca pela cidade, com a afixação de cartazes com a foto de Fernando, quando receberam a notícia de que o amigo havia sido encontrado.

Estudante foi encontrado por colega do Ensino Médio

Uma colega do Ensino Médio de Fernando, que ficara sabendo do desaparecimento do rapaz, o avistou na manhã deste sábado em um ponto de ônibus no centro de Goiânia, próximo a Avenida Araguaia, e avisou a família do estudante.

Fernando estava desorientado e em aparente estado de choque, mas não apresentava ferimentos. Segundo os amigos que o encontraram, o rapaz não conseguia se lembrar do que tinha acontecido, e demonstrava estar abalado psicologicamente, sem conseguir formular frases coerentes.

Ainda não se sabe o que aconteceu, mas a suspeita é que o rapaz tenha sofrido algum tipo de trauma ou surto, uma vez que ele não possui histórico de desaparecimento ou de envolvimento com drogas.

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Goiás

"Fui humilhada sem ter feito nada", diz estudante agredida com tapas no rosto por PM em Goiânia; veja o vídeo

No vídeo, é possível ver a moça perdendo o equilíbrio com os tapas levados no rosto pelo PM.

Por Ton Paulo
18/08/2018, 15h56

O que era para ser apenas um descontraído lanche entre amigos numa noite de quinta-feira, acabou se tornando um verdadeiro pesadelo para a estudante de Direito Maria Gabriela, de 23 anos. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver a moça, mesmo com as mãos nas costas e totalmente imóvel, levando violentos tapas no rosto por parte de um policial militar em uma abordagem no setor Universitário, em Goiânia.

Em entrevista ao Portal Dia Online, Maria Gabriela, que cursa Direito na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) conta que na última quinta-feira (16/8) saiu da faculdade e, acompanhada de dois amigos, foi para um dos campi da Universidade para que um dos amigos resolvesse uma questão da matrícula.

Como o departamento responsável estava fechado, o grupo de amigos resolveu, então, ir à uma sanduicheria na Rua 10, no setor Universitário para comer e se distrair.

A estudante relata que na hora de irem embora, o atendente da sanduicheria interpelou um de seus amigos alegando que o rapaz não havia pago pelo lanche, alegação essa rebatida pelo grupo que afirmou que o rapaz havia pago assim que solicitou a comida.

Um desentendimento acabou sendo criado, momento em que a dona do estabelecimento resolveu chamar a polícia. Quando os quatro policiais militares chegaram, três homens e uma mulher, segundo Maria Gabriela, seus dois amigos foram postos do outro lado da rua para serem revistados.

“Ele me dava tapas na cara e me xingava”

Maria Gabriela conta que, então, resolveu se aproximar e perguntar pelo motivo da revista, uma vez que, de acordo com a lei, o revistado deve ser obrigatoriamente informado do motivo da abordagem e da revista. Entretanto, ainda de acordo com o relato da estudante, um dos policiais pareceu não ter gostado do questionamento, e mandou que Maria Gabriela também encostasse, com as mãos para cima, para ser revistada, ordem que a moça prontamente obedeceu.

Entretanto, a estudante de Direito insistiu na pergunta, e mais uma vez questionou o policial sobre o porquê da abordagem. E foi nesse momento que Maria Gabriela sofreu a primeira agressão por parte do PM. “Ele me mandou calar a boca e me deu um tapa na cara. Mesmo assim, continuei perguntando por que aquilo estava acontecendo”, relata.

Depois do primeiro bofetão, Maria Gabriela continuou questionando o motivo da abordagem, como informa a lei, e acabou levando mais dois fortes tapas no rosto (visíveis no vídeo no final desta matéria), dessa vez, segundo a jovem, acompanhados de xingamentos e ofensas. “Ele me mandava calar a boca e me chamava de vagabunda, folgada”.

Incrédula com a situação, depois de levar o terceiro tapa a estudante perguntou para a policial do sexo feminino, que observava a tudo, por que estava sendo agredida. A resposta a deixou perplexa: “Ela disse que eu estava apanhando porque estava resistindo. Eu estava parada com as mãos para trás! Se eu estivesse realmente resistido, ele teria me espancado”, lembra Maria.

Como não encontraram nada ilícito com o grupo de amigos, os policiais os liberaram e foram embora. Quando os jovens voltaram para a sanduicheria, uma mulher que comia no local e que havia presenciado todo o ocorrido disse que havia filmado o momento da agressão, e enviou o vídeo para Maria Gabriela.

A estudante, que está profundamente abalada psicologicamente, procurou a Corregedoria da Polícia Militar na manhã do dia seguinte, sexta-feira, e denunciou o acontecido, munida da prova do vídeo. “Eu não vou me calar. Eu fui humilhada sem ter feito nada, e eu conheço meus direitos”, desabafa.

Segundo Conselheira da OAB, houve excesso por parte da PM

Em entrevista exclusiva ao Portal Dia Online, a presidente da Comissão da Mulher Advogada e Conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dra. Ariana Garcia, declarou que o excesso da PM foi explícito. “Ali naquela situação, era nítido que ele [o PM] já havia controlado a situação. O que a Maria Gabriela fez foi questionar o que estava acontecendo”, explica.

Ainda segundo a doutora, o comportamento do policial que agrediu a estudante causa perplexidade. “O policial agiu com extremo machismo e misoginia em relação à conduta de uma mulher consciente de seus direitos”, esclarece.

Quanto às ofensas e xingamentos relatados por Maria Gabriela, conforme a Dra. Ariana, já se tornou algo comum no meio policial. “Infelizmente é uma situação de praxe nas autoridades públicas e policiais em relação a quaisquer tipos de mulheres, fato contra o qual estamos lutando no mundo inteiro”, finaliza.

A reportagem do Portal Dia Online tentou contato com a Corregedoria da Polícia Militar de Goiás e com um Coronel da corporação, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

Veja o vídeo do momento em que Maria Gabriela é agredida pelo policial:

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Entretenimento

Portal Dia Online fecha parceria histórica com R7

A parceria chamou a atenção da comunidade jornalística do Estado de Goiás.

Por Ton Paulo
18/08/2018, 18h31

O Portal Dia Online, plataforma digital que traz notícias exclusivas regionais e nacionais, conteúdo de entretenimento, entrevistas inéditas e coberturas ao vivo de acontecimentos do Estado de Goiás através das redes sociais e do site oficial, fechou uma parceria histórica com um dos portais mais visitados da América Latina: o R7.

Nascido da ideia de inovar e oferecer conteúdo online de alto padrão, o Portal Dia Online se destaca pelos serviços de de vídeo: o veículo é o único do Estado de Goiás que conta com câmeras 24h em várias partes da capital e de diversas outras cidades do interior.

A notícia da parceria foi anunciada neste mês de agosto, depois de meses de negociação. Agora, o Dia Online e o R7 estão oficialmente vinculados, podendo compartilhar conteúdos um do outro e informações exclusivas.

Em entrevista exclusiva ao Portal Dia Online, a gerente de parcerias do R7, Cibele, declarou que a parceria é uma oportunidade de conquistar o público goiano e crescer ainda mais.

Ainda segundo a gerente do R7, ambos os portais saem ganhando. “A parceria com o Dia Online possibilitará ao R7 oferecer notícias específicas de Goiás e região a todos os leitores do portal. Em contrapartida, o Dia Online conquistará novos leitores em todo o Brasil”, finaliza.

O portal R7

De acordo com a ComScore, insituto que acompanha e divulga os rankings de sites mais acessados do Brasil e do mundo, o Portal R7 é segundo maior portal de conteúdo do país e o sétimo site mais visitado do Brasil, ficando atrás de marcas globais como Facebook, Microsoft e Yahoo.

Apenas a editoria de notícias do R7 trabalha com número recorde de audiência 138.000.000 de acessos mensais.

Em 2016, no ranking mais atual dos 10 sites mais visitados da América Latina, também divulgado pela ComScore, o portal de notícias da RecordTV ocupa a quinta posição, com 18,1 milhões de visitantes únicos, superando marcas como Netflix, Terra e Spotify.

Sob a chancela do jornalismo verdade do Grupo Record, o portal é um reflexo do sucesso da programação da RecordTV entre os brasileiros.

Desde 2009, com um crescimento de 1.500%, o R7 traz as principais notícias e os assuntos mais comentados através de sistema de curadoria própria das redes sociais mais utilizadas pelo público, com um time de mais de 300 profissionais espalhados por todo o Brasil.

Via: R7 

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