Goiás

Criminosos envolvidos em explosão de caixas eletrônicos morrem em confronto, em Aparecida

Os homens faziam parte de uma facção criminosa de São Paulo.
02/09/2018, 08h36

Dois integrantes de uma quadrilha responsável por explosão de caixas eletrônicos morreram durante confronto com a Polícia, na noite deste sábado (1/9), em Aparecida de Goiânia. Os homens faziam parte de uma facção criminosa de São Paulo.

A ação foi realizada por equipes da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (ROTAM) da Polícia Militar de Goiás, juntamente com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAEGO) e o grupo de Inteligência da Polícia Militar de São Paulo.

As equipes se deslocaram até o bairro Vila Maria em Aparecida de Goiânia para averiguar um possível local utilizado como base de organização de criminosos para a prática de explosão de caixas eletrônicos, na Região Metropolitana de Goiânia.

No local, de acordo com informações da Rotam, as equipes foram recebidas a tiros pelos homens que estavam na casa. De imediato, os disparos foram revidados e os criminosos foram baleados.

Willian Souza de Oliveira e Paulo Henrique de Oliveira Feitoz foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiram aos ferimentos.

Segundo informações da equipe de Rotam, os homens, que já tinham uma extensa ficha criminal, faziam parte de uma facção criminosa de São Paulo que atuava em Goiânia e Região Metropolitana.

Estiveram no local também o Grupo de Investigação de Homicídios de Aparecida de Goiânia, a Polícia Técnica Científica e o Intituto Médico Legal (IML) para as devidas providências.

Apreensões feita na casa dos criminosos

Na residência, foram apreendidas três armas de fogo, sendo duas pistolas de calibre restrito, um carro roubado com placas clonadas, tocas ninjas e materiais que seriam utilizados na ação criminosa, além de três explosivos prontos para serem detonados.

De acordo com a PMGO, todo o armamento e material que seriam utilizados pelos criminosos nas ações de caixas eletrônicos foram devidamente apreendidos pela Polícia Civil.

O esquadrão antibombas do Batalhão de Operações Especiais da PMGO realizou a remoção e detonação do material explosivo.

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Goiás

Pólio e sarampo em Goiás: 2º Dia D quase alcança 95% do público-alvo

De acordo com dados da SES-GO, 94,7% do público-alvo foi vacinado contra poliomelite e 93,46% contra sarampo.
02/09/2018, 09h48

A Secretaria Estadual e Saúde (SES-GO) divulgou neste sábado (1/9) um balanço parcial do segundo Dia D de vacinação contra pólio e sarampo em Goiás. De acordo com os dados, 94,7% do público-alvo (crianças de 1 a 5 anos) foi vacinado contra poliomelite e 93,46% contra sarampo.

O número de crianças vacinadas corresponde a 345.298 mil contra pólio e 340.775 contra sarampo.  O segundo Dia D de vacinação contra poliomelite e sarampo foi realizado em todo o país neste sábado, 1º de setembro, com o objetivo de alcançar um maior número de imunização. Com esta ação, Goiás está entre os dez estados que, proporcionalmente, mais vacinaram contra as doenças.

A Campanha Nacional foi encerrada na última sexta-feira (31/8), mas os estados e municípios que ainda não atingiram a meta de 95% de vacinação foram orientados pelo Ministério da Saúde a darem continuidade na imunização com o segundo Dia D.

Segundo os números parciais informados pelos estados, foram aplicadas, até o 1º de setembro, mais de 19 milhões de doses das duas vacinas, cerca de 9,5 milhões de cada.

Em Goiás, 181 municípios atingiram a cobertura vacinal maior ou igual a 95% para pólio e 177 cidades para sarampo. De acordo com informações da SES-GO, os números ainda podem sofrer alterações, pois alguns municípios ainda não informaram os dados da campanha.

Pólio e sarampo em Goiás

Apesar da confirmação de sarampo em outras cidades, não há registro da doença em Goiás. A última notificação no estado ocorreu em 1999.

A SES-GO informou, no começo deste mês, que não foi confirmado nenhum caso de sarampo em Goiás. Até o momento, foram notificados 40 casos suspeitos, sendo que 32 foram descartados e os outros oito foram investigados.

Em relação à pólio, não há casos desde 1989 no Brasil e a doença é considerada erradicada no país. Entretanto, a existência de notificações da circulação do vírus em três países representa uma ameaça às áreas livres da poliomielite.

No ano de 2017 a cobertura vacinal para a poliomielite em Goiânia foi de 80,5% e de sarampo 80,9%.

Casos de sarampo no Brasil

Foram confirmados no país, até o último dia 28, 1.553 casos de sarampo e 6.975 permanecem em investigação. Atualmente, o país enfrenta dois surtos de sarampo: no Amazonas que já computa 1.211 casos e 6.905 em investigação, e em Roraima, com o registro de 300 casos da doença, sendo que 70 continuam em investigação.

Já em relação a mortes, até o momento, foram confirmados sete mortes por sarampo no Brasil, sendo quatro em Roraima, sendo três em estrangeiros e um em brasileiro, e três no estado do Amazonas, todos brasileiros.

Imagens: Jornal Ibiá 

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Brasil

Três meses depois, caminhoneiros seguem insatisfeitos

O resultado é uma redução de até R$ 48 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.
02/09/2018, 10h33

Três meses após o fim da greve dos caminhoneiros, os brasileiros ainda pagam a conta do movimento que parou o País por dez dias e interrompeu a recuperação da economia. Os fretes aumentaram até 160% para alguns produtos; a inflação subiu 1,62 ponto porcentual de maio para cá; e até os motoristas, que fizeram inúmeras exigências para liberar as estradas, continuam insatisfeitos. O resultado é uma redução de até R$ 48 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e uma ruptura na confiança – que vinha se recuperando lentamente.

A alta de apenas 0,2% na economia no segundo trimestre do ano, divulgada na sexta-feira, é um retrato desse cenário de deterioração pós-greve. Na avaliação de economistas, os reflexos deverão aparecer também no terceiro trimestre, que continuará em ritmo mais lento. “O principal prejuízo foi a quebra de confiança do empresariado, que resultou na paralisação de investimentos”, afirmaram os economistas da consultoria 4E Bruno Lavieri e Giulia Coelho.

Depois da greve, eles revisaram o PIB deste ano em 0,45 ponto, para 1,4%. O Santander foi ainda mais severo nas projeções e cortou em 0,7 ponto porcentual a previsão de PIB deste ano. O economista do banco Rodolfo Margato explicou que o aumento das incertezas provocadas pela greve levou as empresas a um comportamento de maior precaução, o que resulta numa menor geração de empregos. “Há uns cinco meses, os dados do mercado de trabalho ficaram frustrantes. As incertezas do segundo trimestre intensificaram esse processo.”

Em maio, para colocar fim à greve, o governo firmou um acordo com os caminhoneiros que incluiu uma mudança na cobrança do pedágio, a criação de uma tabela de frete e um subsídio de R$ 9,5 bilhões para reduzir em R$ 0,46 o preço do diesel. Nessa última medida, parte dos ganhos serão corroídos pelo aumento promovido pela Petrobrás na semana passada. “Apesar do subsídio do governo (para dar o desconto no preço do óleo), o preço vai aumentar”, afirmou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

A maior polêmica, no entanto, ainda é a tabela de frete. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Usuários dos Transportes de Carga (Anut), Luis Henrique Teixeira Baldez, as mudanças promovidas pelo governo desorganizaram e trouxeram insegurança para as empresas. A tabela é limitada em termos de mercadorias e tipo de caminhões, diz ele. “Ninguém sabe como aplicar a tabela porque são tantas variáveis que precisaria de umas 50 tabelas.”

Ele afirma que algumas empresas aguardam a decisão do STF (Superior Tribunal Federal) para decidir que rumo tomar. Outras estão tentando comprar ou alugar caminhões para fazer o próprio frete. A Cargill, por exemplo, estuda comprar mil caminhões para evitar a alta do frete e a dependência de empresas de transporte terceirizado. Em nota, a companhia disse que “o ambiente de contratação de frete continua marcado por incertezas”.

Aumento

Representantes do setor produtivo têm reclamado que o preço do frete explodiu em alguns segmentos. Baldez afirma que o transporte de sal do Rio Grande do Norte – responsável por 95% da produção nacional – subiu 160% para Brasília e 110% para São Paulo. Segundo ele, os produtores de arroz do Rio Grande do Sul também sentiram o efeito da tabela com aumentos de até 40%.

Entre os produtores do agronegócio, as incertezas em torno do preço do frete têm dificultado a realização de vendas em contratos futuros. “As empresas não estão conseguindo fechar contratos porque as tradings não sabem quanto será o frete no futuro”, diz o superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), Bruno Lucchi. Por causa dessa situação, o setor conseguiu fazer apenas 20% do volume de contratos do mesmo período do ano passado.

Apesar de parte do setor produtivo garantir que o preço do frete subiu, caminhoneiros dizem que muitas empresas não cumprem a tabela. O motorista Marco Antônio Ferreira conta que, entre seus colegas, é comum a reclamação de que o preço continua inalterado. Ele trabalha com batatas, cujo preço do transporte é fixado por sacos, e recebe entre R$ 5,50 e R$ 6 por unidade. “É o preço normal, de todos os anos.”

O gerente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pablo Cesário, afirma que os efeitos da tabelamento do frete ainda não foram todos sentidos. “Haverá mais e chegará à população nos próximos meses.”

Cálculo da LCA Consultores aponta que, se o aumento do frete fosse adotado por toda economia e repassado integralmente ao consumidor, a inflação daqui a seis messes alcançaria 5,49%.

‘Melhorou um lado, piorou outro’

O pátio da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) – onde diariamente centenas de veículos estacionam para descarregar alimentos que abastecem a capital paulista, mas que ficou completamente vazio durante a greve – é hoje cenário de reclamações e insatisfações de caminhoneiros. Todos que circulam por ali dizem que “nada mudou” desde a paralisação. Apesar de admitirem que o diesel está mais barato, afirmam serem poucas as empresas que pagam o frete de acordo com a tabela definida após o movimento. É unânime a opinião de que a greve deveria ter durado mais uns dias, pois teriam conseguido mais avanços. Nem todos acreditam, porém, que a paralisação tenha valido a pena.

“Fiquei nove dias parado em Marabá (PA). Não tinha banheiro. Dormíamos num estádio abandonado e os fazendeiros traziam comida pra gente. (A greve) não valeu a pena. Melhorou de um lado, mas piorou do outro”, diz o caminhoneiro Nilson Ferreira Gomes, de 38 anos – 15 deles dirigindo.

O paulistano costuma sair de Jundiaí para levar peças para a Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. Na volta, para em Lagoa da Confusão (TO) para carregar o caminhão de melancias e entregá-las no Ceagesp, em São Paulo. São nove dias de viagem que lhe rendem R$ 12,5 mil brutos. Antes da greve, eram R$ 12,1 mil. “É muito pequena a diferença. Queria menos imposto ou um plano de saúde”, diz.

Apenas as viagens de ida de Gomes até o Pará estão sendo pagas de acordo com a tabela do frete. As de retorno continuam como antes, já que o transporte de frutas é pago por quilo. Sobre a redução do diesel, ele diz que só em São Paulo o combustível está acessível. Antes, costumava pagar R$ 3,45 o litro; agora, R$ 3,30. “Acho que não mudou nada. Em outros Estados, é muito mais caro.” O caminhoneiro admite, porém, que o diesel saía por cerca de R$ 4 no Pará até maio e, depois de junho, caiu para R$ 3,85. A redução não o satisfez, ele gostaria que o preço fosse o mesmo em todo o País.

O caminhoneiro Reginaldo de França Barros, de 61 anos, transporta cerâmica e coco. Diz que continua recebendo R$ 4 mil para uma viagem de ida e volta, mas gasta R$ 1,9 mil de combustível e pedágio – antes da greve, eram R$ 2,2 mil. Também precisa pagar as parcelas mensais do caminhão, de R$ 4,2 mil. “Tenho feito quatro dessas viagens por mês, precisaria de seis, mas não tem carga.”

O representante do Comando Nacional do Transporte (CNT), Ivar Luiz Schmidt, entende que a redução do diesel e do pedágio são grandes conquistas dos caminhoneiros e fazem diferença no bolso, mas afirma não haver efetividade da tabela do frete mínimo. “É um sonho que não se realizou. A ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) não tem efetivo para fiscalizar o setor.”

Na semana passada, o líder dos caminhoneiros Wallace Landim, conhecido como Chorão, ameaçou entrar na Justiça para obrigar a agência a fiscalizar o cumprimento da tabela de frete. “O caminhoneiro não tem condição de enfrentar as empresas sozinho; se ele denunciar, elas não dão mais frete para ele.”

O presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, André Nasser, diz que seu setor está pagando o “preço de mercado” aos caminhoneiro, o que significa R$ 15 a menos por tonelada de grão na comparação com o valor tabelado. “A tabela é ilegal.”

Como ainda restam 29 milhões de toneladas de soja e milho para serem exportados neste ano, o setor deverá economizar R$ 435 milhões ao não pagar o valor tabelado. A constitucionalidade da tabela do frete está em discussão no Supremo Tribunal Federal. Procurada, a ANTT disse estar realizando consulta pública para regulamentar a tabela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Imagens: Hiperativa FM 

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Goiás

Conta de luz em Goiás continua com bandeira mais cara em setembro 

Este é o quarto mês seguido com cobrança feita na bandeira vermelha patamar 2.
02/09/2018, 11h31

Neste mês de setembro a conta de luz continua com bandeira tarifária mais cara. O anúncio foi feito na última sexta-feira (31/8) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Este já é o quarto mês seguido que a cobrança é feita na bandeira vermelha patamar 2, que significa o mais alto do sistema.

Em maio deste ano a bandeira tarifária estava na cor amarela, que tem cobrança extra de R$ 1 para cada 100 kWh. Em junho passou a ser cobrada a bandeira vermelha com cobrança extra de R$ 5 nas contas de luz para cada 100 quilowatts-hora (kWh) de energia consumidos. A Aneel manteve o sistema em julho e agosto, e agora em setembro.

De acordo com a agência, a bandeira continua nesse patamar em razão das condições hidrológicas ainda desfavoráveis e pela redução no nível de armazenamento dos principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Em Goiás, a Enel Distribuição  deixa um aviso no site para que os consumidores se atentem a cobrança e ainda explica que os goianos podem verificar qual a bandeira tarifária cobrada na própria conta de luz.

Dicas para economizar na conta de luz

A Aneel explica aos consumidores que como este é o quarto mês seguido com acionamento da bandeira vermelha patamar 2 é necessário economizar nos gastos de energia, além de fazer uso consciente. E para ajudar, a agência separou algumas dicas de como evitar o desperdício. Confira abaixo:

Chuveiro elétrico

– Tomar banhos mais curtos, de até cinco minutos;

– Selecionar a temperatura morna no verão;

– Verificar as potências no seu chuveiro e calcular o seu consumo.

Ar condicionado

– Não deixar portas e janelas abertas em ambientes com ar condicionado;

– Manter os filtros limpos;

– Diminuir ao máximo o tempo de utilização do aparelho de ar condicionado;

– Colocar cortinas nas janelas que recebem sol direto.

Geladeira

– Só deixar a porta da geladeira aberta o tempo que for necessário;

– Regular a temperatura interna de acordo com o manual de instruções;

– Nunca colocar alimentos quentes dentro da geladeira;

– Deixar espaço para ventilação na parte de trás da geladeira e não utilizá-la para secar panos;

– Não forrar as prateleiras;

– Descongelar a geladeira e verificar as borrachas de vedação regularmente.

Iluminação

– Utilizar iluminação natural ou lâmpadas econômicas e apagar a luz ao sair de um cômodo; pintar o ambiente com cores claras.

Ferro de passar

– Juntar roupas para passar de uma só vez;

– Separar as roupas por tipo e começar por aquelas que exigem menor temperatura;

– Nunca deixe o ferro ligado enquanto faz outra coisa.

Aparelhos em stand-by

– Retirar os aparelhos da tomada quando possível ou durante longas ausências;

– Confira aqui mais dicas de economia de energia.

Imagens: Total Light 

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Política

Crescimento de gastos da saúde pressiona governo

Área se torna um desafio para o próximo presidente.
02/09/2018, 12h37

A Saúde tem potencial para se transformar numa fonte de graves problemas e de desgaste para o próximo presidente. Por causa das mudanças nas regras de reajuste de gastos do governo federal, o orçamento da área foi reduzido e congelado no momento em que a pressão pelos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) aumenta. Desde 2014, pelo menos 3 milhões de pessoas deixaram de ter planos de saúde por causa da crise econômica. Sem assistência suplementar, esse grupo que pouco usava o SUS passou a depender dele.

“Será menos dinheiro para atender mais gente”, resume o presidente do Conselho dos Secretários Estaduais de Saúde, Rafael Vilela. E aumento da demanda não deve ser efêmero. “Muitas das pessoas que saíram dos planos não querem ou não terão condições de voltar.” O dinheiro curto pode afetar ainda a capacidade de resposta, num momento em que a população envelhece, a pressão pela incorporação de novas tecnologias aumenta e que capacidade de planejamento se esgota.

“O aumento de custos é natural. Antes, quando alguém aparecia com dor de cabeça, o médico prescrevia analgésico. Hoje é encaminhado à tomografia. Muito câncer é curável. Mas tratá-los custa”, diz o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Pelotas, Cesar Victora.

Média

Vilela tem avaliação parecida. Ele lembra que, em 1997, a média global dos gastos em Saúde era de 8% do PIB mundial. Em 2017, alcançava 9,9%. “Os serviços em saúde são caros e crescentes em todo mundo.”

Por isso, Vilela classificou a nova regra de teto de gastos como “esdrúxula”. “Ela engessa os gastos, não leva em conta o crescimento populacional.”

A Emenda Constitucional 95 congela os recursos em termos reais a partir deste ano. O piso para o setor é calculado com base nos 15% da Receita Corrente Líquida de 2017, corrigido pelo IPCA. A regra vale até 2036.

Segundo Vilela, se a regra estivesse em vigor em 2003, o orçamento em Saúde em 2017 seria de R$ 50 bilhões. “Bem menos do que os R$ 120 bilhões que foram desembolsados.”

Quando a proposta ainda estava em discussão, um estudo feito pela especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), Fabíola Sulpino Vieira, já indicava que o setor perderia recursos se fosse comparado com a regra anterior e num cenário com crescimento do PIB. Quanto o maior o crescimento, maior seria a perda.

Por isso, o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, integrante da Academia Nacional Medicina, considera essencial acabar com a regra no próximo governo. “A questão é central: garantir a sustentabilidade econômica do SUS.”

Temporão aponta outro aspecto: recolocar a saúde no centro da agenda política e recuperar a credibilidade do ministério.

O posto sempre foi cobiçado nos governos. Não é à toa. Ele é um dos maiores orçamentos da Esplanada – R$ 131,2 bilhões em 2018. Além disso, tem grande capilaridade no País.

Os reflexos disso ficam claros quando se analisa a rotatividade no posto. Em três anos, quatro ministros ficaram à frente da pasta. Na equipe do atual ministro – Gilberto Occhi -, só um secretário é médico: o secretário executivo, Adeilson Cavalcante. “Há grande desconfiança”, diz Temporão.

Isso e a falta de continuidade das políticas trazem o baixo impacto de algumas ações. Como exemplo, Temporão cita a redução da cobertura vacinal. “Não há apelo para que a população se mobilize.”

A área sofre com as mudanças nas regras para ajuste de gastos federais, que provocaram uma perda para a Saúde de R$ 6,8 bi em três anos, de acordo com cálculos da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES) obtidos pelo Estado.

Eles comparam os valores estabelecidos pela regra do período entre 2016 e 2018 com o que seria aplicado, caso a regra anterior estivesse em vigor.

“A queda é significativa”, diz o presidente da entidade, Carlos Ocké. Para se ter ideia, a quantia é o triplo do repassado pelo Ministério da Saúde em 2017 às ações de vigilância em saúde. “Para além das dificuldades atuais, o congelamento da aplicação mínima em saúde pelo governo federal trará prejuízos para o acesso da população aos serviços do SUS”, avalia Fabíola.

O impacto da regra de teto de gastos se soma a uma tendência histórica da redução da participação de verbas federais para o financiamento da Saúde.

Quando o SUS foi criado, em 1988, a União era responsável por 72% dos gastos públicos na área. Essa participação é hoje de 43%. A diferença foi assumida por Estados e municípios (25,8%).

Élida Graziane Pinto, procuradora de Contas do Ministério Público de Contas de São Paulo, classifica a mudança como erro. “Neste período, a União expandiu a capacidade arrecadatória, que hoje é de 60%. Caberia a ela verter mais recursos no SUS, porque é quem mais arrecada”, afirma.

Família

Quando se avalia o total de recursos da área, o que se vê é que os gastos públicos estão abaixo do que famílias dispensam para o setor. As despesas com bens e serviços de saúde em 2015 representavam 9,1% do PIB.

Desse total, 5,2% era desembolsado por famílias. Só 3,9% eram governamentais. “Essa é mais uma distorção, algo que chama a atenção sobretudo pelo fato de que o SUS é universal”, diz Elida.

Mais verba e gestão

Com R$ 3,60 por pessoa por dia, União, Estados e municípios financiam todas as consultas, internações, remédios, vacinas, exames e outros tratamentos ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para o professor da Universidade Estadual de Campinas Gastão Wagner, só esse cálculo seria suficiente para mostrar que o gigantismo do orçamento do SUS é mito. “Os valores são restritos. E, apesar das dificuldades, ele trouxe uma ampliação do acesso à saúde, sobretudo da atenção básica.”

Nos últimos anos, no entanto, ganhou força a tese de que saúde não precisa de recursos, mas de gestão. A pesquisadora do Ipea Fabíola Sulpino Vieira discorda e diz não haver como separar os dois movimentos. “É preciso investir para melhorar a gestão e, para isso, mais recursos são necessários.” Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta para o mesmo caminho. Feito com 14 secretarias estaduais e 2.570 cidades, o trabalho indicou que 74% das secretarias municipais tinham dificuldades para identificar os principais problemas da população. E isso – afirma o secretário de Controle Externo do TCU, Marcelo Chaves – é fundamental para planejar os serviços e estabelecer o quanto é necessário se investir.

A falta de recursos e de gestão também traz reflexos na maneira como todo o sistema é organizado. Uma análise feita pela pesquisadora do Ipea com dados de 2011 mostra que só 29 municípios do País (0,5% do total) tinham muitas estrutura de média e alta complexidade. Ali vivia 25% da população do Brasil. Em 75% dos municípios, onde vivem 23% da população brasileira, não há serviço de média e alta complexidade. “Não há acesso igualitário de saúde. Dependendo de onde se vive, a pessoa pode ter acesso a um serviço melhor.”

Consultor na área de saúde da Confederação Nacional dos Municípios, Denilson Magalhães concorda. Para ele, a construção das políticas de Saúde devia partir dos municípios. Ele cita o exemplo do Samu. “Como ambulâncias seriam usadas no Amazonas? O modelo não atendia o Estado. Até que o sistema com lanchas foi organizado a pedido dos municípios.” Magalhães diz que o oposto ocorreu com o programa da Saúde da Família. Ele começou no Ceará. “O uso de agentes comunitários se expandiu, foi adotado em outros Estados até chegar a ser uma recomendação da União.”

Melhores indicadores

A secretária executiva Cláudia Maria de França, de 53 anos, está sem plano de saúde há um ano e meio. Não foi uma decisão fácil. Depois de deixar o emprego que oferecia assistência médica, ela contratou por um período um plano “falso coletivo”, mas as mensalidades comprometiam boa parte de seu orçamento.

Com a desistência, veio a insegurança. “Crescemos com a ideia de que um plano particular dá maior amparo. Ficar sem ele é como se alguém dissesse: ‘A partir de agora, você estará sob risco’.” Desde a decisão, ela afirma que pouco precisou de assistência. “Vou às vezes no posto, já sabendo que é preciso chegar cedo para garantir a vaga.”

Cláudia integra um grupo de cerca de 3 milhões de pessoas que migraram da saúde suplementar para a assistência exclusiva no SUS, sistema criado há 30 anos e que, embora ainda desperte a desconfiança de boa parte da população, é apontado por especialistas como o principal responsável pela melhora nos indicadores do País.

“Não há dúvida sobre o impacto positivo do SUS para a população”, diz o professor da Universidade Federal de Pelotas, Cesar Victora. “Mas o sistema, que já era subfinanciado, agora é ameaçado com a pressão para reduzir seu tamanho e dar prioridade a planos privados de saúde, muitos de baixa qualidade”, avalia.

Professor da Universidade Estadual de Campinas, Gastão Wagner tem avaliação semelhante. Ele afirma haver inúmeras evidências de que sistemas públicos e universais de saúde são mais eficientes do que modelos de mercado. Como exemplo, faz uma comparação de números da saúde nos Estados Unidos e no Reino Unido, que é universal. A saúde norte-americana tem um gasto equivalente a 16,4% do PIB. A do Reino Unido, por sua vez, de 7,11%. “E indicadores de saúde são equivalentes, com ligeira vantagem para o Reino Unido”, completa Wagner

Além do financiamento, Victora e Wagner listam dois grandes desafios para o SUS: garantir a qualidade de atendimento e resguardar as conquistas obtidas pelo sistema. Os números recentes mostram que essa última tarefa é urgente.

A mortalidade infantil voltou a subir, depois de anos de queda. “A experiência internacional mostra que são raríssimos os casos em que tais retomadas ocorrem. A tendência é de que mesmo em situação de crise, as taxas de mortalidade, permaneçam estáveis”, afirma o professor de epidemiologia da Universidade Federal da Bahia Naomar de Almeida Filho.

“As exceções são raras, como em alguns países da África”, afirma Almeida Filho. Mantida a tendência, completa o professor da Federal da Bahia, a expectativa de vida do brasileiro poderá diminuir.

A aumento da mortalidade de crianças surpreendeu especialistas e ocorre pouco depois da divulgação de dados que indicavam uma melhora nos indicadores até 2015. Um estudo coordenador por Maria de Fátima Marinho de Souza, que está à frente do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, mostra o avanço dos indicadores de saúde no País entre 1990 e 2015.

A taxa de mortalidade havia sofrido uma redução de 28,7%. Neste período, a taxa de mortalidade por diarreia havia caído 86,8% e de meningite, em 70,7%. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida ao nascer passou de 67,9 anos para 74,4 anos.

O retrocesso também está estampado nas estatísticas de malária. Depois de seis anos de queda, a infecção voltou a aumentar no ano passado. “Quando a doença começa a cair, a atenção se dispersa”, afirma Cláudio Maierovitch, da Fundação Oswaldo Cruz. O retrocesso, avalia, tem um efeito perverso, que é a perda de mobilização. “Retomar os ganhos é sempre mais difícil do que avançar na primeira vez.”

Cláudia diz torcer pela melhora no sistema e não cogita voltar mais para os planos privados. “Minha mãe também se trata no SUS. Pode ser demorado, mas quando a gente consegue o tratamento, ele é de boa qualidade.”

Como exemplo, ela cita uma cirurgia que fez durante o tratamento de câncer. “Uma das operações foi feita pelo SUS. Não ficou nada a dever aos hospitais privados. O atendimento é nosso direito. Talvez seja melhor, em vez de recorrer ao plano, cobrar bom atendimento, lutar pelo SUS.”

Demora

O desafio da qualidade fica claro com o relato da estudante Karolini da Luz Oliveira, de 24 anos. Sentada à espera de atendimento na Casa de Saúde de Santa Maria (RS), ela não escondia o cansaço.

Estava em meados de junho e, só então, três meses depois da primeira visita ao médico, seu problema começava a ser solucionado. “Foram sete consultas, um socorro com ambulância, um desmaio, internação.”

Karolini estava com toxoplasmose, doença provocada por um parasita que causou na cidade gaúcha um surto de proporções nunca vista. Na primeira visita ao centro médico, em março, o diagnóstico foi virose.

Dias depois, como o problema não se resolvia, a estudante voltou ao posto, mas o sistema estava fora do ar. Em outra visita, já com nódulos, fez uma radiografia. Após desmaiar e ser internada, recebeu soro. Só na sexta consulta veio a hipótese da toxoplasmose, confirmada no exame. “Fico pensando quanto desgaste, quanto desperdício.”

Wagner reconhece haver limitações do SUS, mas argumenta que o sistema ainda não foi totalmente implementado, não recebe recursos suficientes e não tem apoio político. “O primeiro passo é fazer com que o SUS ganhe corações e mentes: 75% da população depende exclusivamente dele, além de realizar serviços para toda sociedade.” / L.F.

Mortalidade infantil

A trajetória da taxa de mortalidade infantil no País é apontada como um claro exemplo de que os progressos alcançados na área de saúde estão longe de serem irreversíveis. Depois de 25 anos de queda, o Brasil registrou em 2016 o primeiro aumento nos indicadores de mortes entre crianças de até um ano. Foram 14 óbitos a cada mil nascidos vivos, 5% a mais do que havia sido contabilizado no ano anterior.

Inicialmente atribuído à redução de nascimentos por causa da zika, o crescimento da mortalidade também ocorreu em 2017. Dados preliminares mostram que 13,6 mortes a cada mil nascidos vivos. “A epidemia não explica o fenômeno por dois anos seguidos. Há provavelmente uma tendência de aumento”, constata o professor da Universidade Federal de Pelotas, Cesar Victora.

Pobre

O pesquisador atribui em parte a retomada das taxas de mortalidade a retrocessos em áreas que sabidamente exercem influência na qualidade saúde, como emprego, renda e igualdade no acesso. “A população está mais pobre, mais suscetível”, resume o professor. Não bastasse esses fatores, investimentos na saúde pública inferiores às necessidades comprometem também a qualidade da assistência médica – mesmo de programas voltados para problemas específicos, seja imunização, seja amamentação, seja cuidados básicos para saúde infantil.

“As mortes por diarreia voltaram a aumentar. O programa de imunização, que sempre foi motivo de orgulho, também começou a mostrar sinais de retrocesso, com altos índices de crianças desprotegidas.” Outra iniciativa considerada exemplar do País, o programa de aleitamento materno, também está estagnado. “Houve avanços muito importantes. Mas desde 2013, as taxas de amamentação exclusiva estão estacionadas em números baixos.” Atualmente, 40% dos bebês recebem o aleitamento como alimentação exclusiva até os 6 meses. O ideal seria 100%. Com aleitamento, o bebê cresce com maior proteção contra infecções, por exemplo.

Para Victora, é essencial trabalhar pela melhora na qualidade do atendimento. “Esse é um dos desafios.” E isso vale também para a assistência à gestante. Assim como a mortalidade infantil, a taxa de morte materna (durante a gestação e até 42 dias depois do parto) também considerada alta: 64,4 por 100 mil nascidos vivos. “Para reduzi-las, precisamos enfrentar a discussão sobre a liberação do aborto, melhorar o pré-natal e reduzir as cesáreas”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Imagens: Época Negócios 

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