Economia

Grão especial puxa 'renascimento' do café em São Paulo

30/09/2018, 08h50

O cenário das lavouras de café do interior paulista está passando por uma transformação graças à migração de parte das fazendas do Estado para os cafés especiais, que se destacam em testes internacionais de sabor e aroma. Em todo o País, a produção de cafés para paladares mais refinados teve expansão média de 15% nos últimos anos, para um total de 8,5 milhões de sacas em 2017, segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (que se identifica pela sigla em inglês, BSCA). Esse movimento, segundo fontes do setor cafeeiro, está sendo puxado por São Paulo, onde a estimativa é de um crescimento anual desse segmento da ordem de 20%.

Um dos fatores que levam os cafeicultores paulistas a investir em grãos especiais é o preço. Enquanto a saca do café “commodity” hoje vive um momento de baixa e sai por cerca de R$ 400, os grãos especiais chegam a valer o dobro. “Temos contratos fechados há três anos com clientes dos Estados Unidos”, diz o produtor Mariano Martins, da Fazenda Santa Margarida, em São Manoel (SP). “Em função da alta do dólar, eles nos garantem hoje R$ 800 por saca.” O cafeicultor diz que a diferença de 100% não é regra. O “ágio” fica, em média, ao redor de 30%.

Trocar de variedade por causa da variação de curto prazo da cotação, segundo Martins, é um risco. Ele alerta que a mudança exige investimentos na lavoura e que, para ser considerado especial, o café precisa receber 80 pontos ou mais em análises sensoriais independentes. Alguns dados, porém, evidenciam que a busca pela qualidade é tendência: a receita com exportações do produto de primeira linha atingiu US$ 2 bilhões em 2017, uma alta de 600% em cinco anos, segundo a BSCA. O que fica no Brasil também tem boa demanda: o consumo interno de cafés especiais movimenta R$ 1,7 bilhão.

Formado em administração, Martins trabalhava em um banco, em São Paulo, quando decidiu largar tudo e assumir a fazenda centenária que seu pai pensava em vender. Desde 1975, quando uma forte geada dizimou os cafezais paulistas, parte da fazenda era arrendada para cana-de-açúcar. “Quando assumi, em 2008, comecei a formar cafezal na área da cana. No primeiro ano de produção, não consegui encaixar nenhuma saca de café como especial.”

Em dez anos, a situação mudou drasticamente. Hoje, a propriedade tem 1 milhão de pés de café e metade dos grãos produzidos são classificados como especiais. Dois terços da produção vão para a Califórnia, para atender clientes conquistados após um lote da fazenda receber 93 pontos de um crítico americano. O restante vai para a torrefação própria, que abastece uma rede de varejo paulistana.

O cafeicultor Luiz Eduardo de Bovi, da Fazenda 7 Senhoras, em Socorro, na região de Bragança Paulista, optou por transformar a fazenda cafeeira que pertenceu ao avô em um moderno sistema de produção de cafés especiais. De 2011 para cá, ele saiu de 13 mil pés para 250 mil cafeeiros.

Apesar de exportar e de fornecer para torrefações e cafeterias, Bovi está explorando a comercialização própria do produto como forma de se proteger das variações de preço. “Processo e vendo pequenas parcelas de um café selecionado – em grão, moído e em cápsulas. Como o mercado de café oscila muito, essa verticalização agrega valor”, ressalta.

Segundo o pesquisador Celso Luiz Rodrigues Vegro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a busca pelo café de qualidade ajudou a transformar a agricultura paulista na mais produtiva do País. Segundo ele, cafeicultores da região de Franca, norte do Estado, fecharam a safra de 2018 com produtividade média de 40 sacas por hectare, quase 30% acima da média nacional.

O uso das técnicas para produção com qualidade, segundo o especialista, fez a produção crescer sem ampliação de área plantada. “Estamos com os mesmos 200 mil hectares cultivados há quase duas décadas, mas a produção cresceu e agregou valor”, disse Vegro.

Dúvida

Apesar da euforia de parte dos fazendeiros, o café especial não é opção para todo mundo. O engenheiro agrônomo Luiz Antonio Basile Sobrinho considera a migração, mas resiste em razão do custo. “Nesta região, para obter o gourmet, é obrigatório colher o café maduro e descascar para evitar a fermentação. Além de equipamentos, você precisa de mais mão de obra, que é cara.” Fazendo as contas do investimento e da vantagem de preço, ele disse ainda não estar convencido de que a mudança vale a pena.

No entanto, Basile Sobrinho investiu em tecnologia nos 80 hectares de café arábica que cultiva em Piraju e Sarutaiá, no sudoeste paulista. Uma das mudanças que ele levou a cabo foi a adoção da poda drástica em parte do cafezal – uma das técnicas usadas por quem já vive no mundo dos cafés “gourmet”. A opção se reverteu em melhora da produtividade, que chegou a 38 sacas por hectare.

Apesar de ainda vender café comum, ele diz que o ganho em quantidade está “salvando a lavoura” em tempo de preço baixo. “Há dez anos, eu vendia o café cereja (na casca) a R$ 500. Nesta safra, minha produção saiu à média de R$ 400 a saca.” Embora ainda não tenha embarcado na tendência dos grãos especiais, Basile Sobrinho considera que a transformação está sendo positiva para a cafeicultura paulista. “Tem muito cafeicultor tradicional investindo em qualidade para não ficar para trás.”

Cafés finos

Levantamento da Conab indica que a produção paulista de café alcança 6,2 milhões de sacas de arábica este ano. O Estado de São Paulo é o 3.º maior produtor de café no País, atrás de Minas Gerais e do Espírito Santo, onde dois terços da produção de 13 milhões de sacas são do café conilon, mais rústico e menos valorizado. O café arábica se diferencia do robusta, que inclui o conilon, pelo aroma mais intenso e pela doçura, com menos acidez e cafeína. O café gourmet é feito exclusivamente com o arábica.

Três regiões paulistas se destacam na produção do café gourmet. Na região de Caconde e Espírito Santo do Pinhal, 10% dos cafezais são de bourbon amarelo, variedade arábica. A região de Franca, na Alta Mogiana, produz cafés de aroma marcante, acidez média e corpo cremoso e aveludado. Ao menos 15 municípios cultivam o arábica.

Na região de São João da Boa Vista, na Média Mogiana, são 16 municípios produtores, entre eles Espírito Santo do Pinhal. A área é de clima apto ao grão e montanhosa. Como a mecanização é limitada, muitos cafeicultores optaram por colher os grãos especiais à mão. Já a região de Ourinhos, onde fica Piraju, tem o problema da maior umidade relativa do ar, que acelera a fermentação do café. Por isso, adotou a técnica do descascamento do café cereja. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Política

Saiba como acompanhar a totalização de votos nas eleições pelo celular

Com o aplicativo "Resultados" é possível acompanhar em tempo real a contagem de votos de todas as regiões do Brasil.
30/09/2018, 09h49

Para quem quiser acompanhar a totalização de votos nas eleições, a Justiça Eleitoral disponibilizou neste sábado (29/9) o aplicativo “Resultados”. A ferramenta é uma versão atualizada do “Apuração 2014”, desenvolvida para o pleito daquele ano, que se tornou o aplicativo mais baixado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O app é gratuito é já pode ser baixado nas lojas virtuais dos sistemas IOS e Android. O primeiro turno das eleições ocorre no próximo domingo, dia 7 de outubro.

De acordo com o TSE, com o aplicativo “é possível acompanhar a contagem de votos de todo o Brasil e visualizá-la a partir de consulta nominal, que apresenta o quantitativo de votos totalizados para cada candidato com a indicação dos eleitos ou dos que foram para o segundo turno.”

A nova versão do app chega com novidades como o aprimoramento do layout do sistema, que aparece completamente renovado com a apresentação das fotos de todos os candidatos que disputam a eleição. Outra inovação é que com o “Resultados” será possível consultar, na mesma tela, informações referentes a todos os cargos majoritários – presidente, governador e senador.

O “Resultados” permitirá ainda que o eleitor verifique resultados das eleições proporcionais para os deputados estaduais, distritais e federais por meio da geolocalização do aparelho, onde é possível indicar os resultados relativos ao estado em que ele se encontra.  O usuário também poderá optar por selecionar outras localizações.

Votos nas eleições suplementares

Ainda segundo o TSE, com o app é possível acompanhar também os números das eleições municipais complementares. Essas votações serão realizadas na mesma data do segundo turno, no dia 28 de outubro. Em Goiás, as eleições suplementares para prefeito e vice-prefeitos serão realizadas em em cinco cidades, sendo elas: Davinópolis, Divinópolis, Planaltina de Goiás, Serranópolis e Turvelândia.

Nas eleições deste ano, 147.302.357 eleitores brasileiros vão às urnas. O número oficial foi anunciado no dia 1º de agosto pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, durante a inauguração do Centro de Divulgação das Eleições (CDE).

Via: TSE 
Imagens: Portal no Ar 

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Goiás

Jovem é morto a tiros e sobrinha de 4 anos baleada no Jardim Primavera

Um dos suspeitos do crime foi preso em flagrante; criança está em estado grave.
30/09/2018, 10h57

Um jovem foi morto a tiros e a sobrinha de quatro anos baleada na note deste sábado (29/9) no Jardim Primavera, em Goiânia. Crime ocorreu por volta das 20h30, na GO-070, enquanto João Pedro da Silva. de 24 anos, levava as sobrinhas para a casa da mãe.

De acordo com informações da Polícia Civil, João Pedro estava na casa da sogra em Goianira, e uma cunhada ligou para que ele levasse as crianças até a casa dela. Durante o trajeto, o carro em que o jovem estava foi abordado por três homens em duas motos, que atiraram diversas vezes. João Pedro morreu no local  e uma das crianças, de quatro anos, foi baleada na cabeça.

A menina foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL), onde está internada em estado grave e respirando com ajuda de aparelhos, segundo boletim médico divulgado na manhã de hoje (30/9).

Crimes no Jardim Primavera

Logo após o ocorrido, um dos suspeitos do crime  foi preso em flagrante por equipes do 13º Batalhão da Polícia Militar e da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), no Jardim Primavera. Edvaldo Trindade dos Santos, de 26 anos, confessou participação na morte, mas disse que não atirou em João Pedro e sim pilotou uma das motos.

Edvaldo foi localizado por meio do sistema de monitoramento da Central de Alternativas à Prisão (CAP) do Governo de Goiás, já que o suspeito usa tornozeleira eletrônica. O equipamento também apontou que ele esteve no local do crime.

O homem foi encaminhado à Central de Flagrantes, onde disse, em depoimento, que o crime foi motivado por vingança. De acordo com ele, em janeiro deste ano, João Pedro teria matado seu irmão também no Jardim Primavera.

A Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) vai investigar o crime para saber se a motivação foi mesmo a contada com Edvaldo na delegacia.  Até o momento, os dois comparsas do homem não foram presos.

Via: G1 

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Saúde

Outubro Rosa: mês de conscientização sobre prevenção ao câncer de mama

A Secretaria de Saúde de Goiás preparou, para todo o mês, ações voltadas para as mulheres; confira!
30/09/2018, 12h51

Outubro começa nesta segunda-feira (1/10), e junto, começa também o período de intensificação e conscientização de combate ao câncer de mama, conhecido como Outubro Rosa. A principal meta é incentivar o diagnóstico precoce, que aumenta as chances de tratamento e cura.

A data foi criada na década de 90, nos Estados Unidos, pela norte-americana Nancy Brinker, que criou a Susan G. Komen Breast Cancer Foundation, uma instituição pensada para cumprir uma promessa feita a sua irmã, Susan, que morreu dois anos antes lutando contra o câncer de mama.

De acordo com informações do site oficial da organização, no ano seguinte à criação da fundação, foi promovida a primeira Corrida pela Cura em Dallas, no Texas, com apenas 800 participantes. Já em 2002, o instituto contabilizou aproximadamente 1,3 milhões de participantes em centenas de eventos da corrida não só nos EUA como também em outros dois países. Desde então, a mobilização só tem crescido no mundo inteiro.

Câncer de mama

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil, o câncer de mama é o mais recorrente entre as mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. Em 2018, foram estimados 59.700 novos casos, que representam uma taxa de incidência de 51,29 casos a cada 100.000 mulheres.

Entre os anos de 2011 e 2015, o câncer de mama ocupou o primeiro lugar entre a causa de morte da população feminina brasileira. Os maiores percentuais na mortalidade proporcional por câncer de mama foram os do Sudeste (16,5%) e Centro-Oeste (16,1%), seguidos pelos Sul (15,2%) e Nordeste (14,8%).

Ainda de acordo com o INCA, “a incidência do câncer de mama tende a crescer progressivamente a partir dos 40 anos, assim como a mortalidade por essa neoplasia. Na população feminina abaixo de 40 anos, ocorrem menos de 10 óbitos a cada 100 mil mulheres, enquanto na faixa etária a partir de 60 anos o risco é 10 vezes maior.”

Outubro Rosa em Goiás

Em Goiás, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) organizou uma série de ações voltadas para as mulheres. No dia 27 de outubro, o Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG) promove um mutirão de reconstrução mamária em pacientes que tiveram câncer de mama e aguardam pelo procedimento reparador, além de exames de mamografias para as colaboradoras. Já no Ambulatório de Medicina Avançada (AMA), do dia 8 ao dia 22, pacientes e acompanhantes que estiverem aguardando consultas receberão palestras educativas com foco na prevenção do câncer de mama.

No dia 11, o “Saúde na Praça” também será reservado ao Outubro Rosa, tendo como tema principal a Obesidade como fator de risco para câncer de mama. Serão oferecidos ainda serviços de aferição de pressão arterial, teste de diabetes e cálculo de Índice de Massa Corpórea (IMC), orientações de nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. As mulheres acima de 40 anos também receberão instruções de como realizar o auto exame de mama.

E a partir do dia 10 de outubro, as pacientes do Centro Estadual de Atendimento ao Diabetes (CEAD) acima de 40 anos também receberão consulta com mastologista, em uma campanha de prevenção às pacientes com diabetes. Serão atendidas 10 mulheres por dia.

Imagens: Área da Mulher INCA 

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Goiás

Ultrapassagem indevida provoca morte de mãe e bebê de quatro meses no interior de Goiás

Segundo a PRF, a tragédia se deu por causa de um cálculo errado de uma ultrapassagem, na BR-153, Km 366, próximo à cidade de Jaraguá.

Por Ton Paulo
01/10/2018, 08h25

Uma tragédia no trânsito tirou a vida de uma mulher de 31 anos e sua filha recém-nascida, um bebê de quatro meses, no final da tarde do último domingo (30/9). O acidente aconteceu no BR-153, Km 366, próximo à cidade de Jaraguá.

De acordo com informações da assessoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente se deu por por volta das 17h30, envolvendo a condutora de um veículo GM Cobalt, Geska Aline Zago, e de sua filha, uma recém-nascida quatro meses de vida, e um Gol.

Segundo levantamento preliminar feito pela equipe PRF, a tragédia se deu por causa de um cálculo errado de uma ultrapassagem, na BR-153, Km 366, próximo à cidade de Jaraguá, quando para não colidir frontalmente com outro veículo, Geska, que dirigia o Cobalt e estava com sua filha recém-nascida e a mãe idosa no momento, jogou seu carro para o acostamento, perdendo o controle do veículo.

Ultrapassagem indevida provoca morte de mãe e bebê de quatro meses no interior de Goiás
Geska Aline e sua filha (Foto: Reprodução)

Ela, que estava dirigindo no sentido sul para norte do estado, ao retornar à pista, foi colhida na lateral por outro veículo, um Gol. Com a colisão, a mulher teve morte instantânea. Já a filha, uma bebê de apenas quatro meses de idade, foi arremessada para fora do veículo e socorrida, inicialmente por populares, e logo em seguida pelo Corpo de Bombeiros, mas levada ao hospital, não resistiu aos ferimentos e também veio a óbito.

Avó da criança ficou gravemente ferida no acidente que aconteceu por causa de ultrapassagem indevida

A avó da recém-nascida e mãe de Geska, que também estava no veículo, foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada para o Hospital Municipal de Jaraguá. De lá, a idosa, que não teve a identidade divulgada, foi levada em estado grave para uma unidade de saúde de Anápolis, a 55 km de Goiânia.

Os policiais identificaram que a criança utilizava, no momento do choque, o bebê conforto, porém, a possibilidade de não estar bem afixado ao corpo da bebê, pode ter provocado seu rompimento, somado à força do impacto da batida.

Outros dois veículos também colidiram nas respectivas traseiras, o que pode indicar distância de segurança inadequada, mas não houve mais feridos, somente danos materiais.

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