Política

Bolsonaro enquadra do PSL e faz acenos a deputados do Centrão

Candidato do PSL à Presidência chega à reta final do segundo turno projetando construir uma ampla base parlamentar.
22/10/2018, 13h45

Depois de começar a campanha sem praticamente nenhum apoio partidário e sob a desconfiança do mundo político, o deputado Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, chega à reta final do segundo turno projetando construir uma ampla base parlamentar, na hipótese de ser o eleito no domingo, dia 28, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro enquadra PSL

Em nome da governabilidade, Bolsonaro enquadra PSL, que conta com 52 deputados eleitos, enquanto faz acenos ao Centrão, que perdeu força, mas segue sendo um bloco com poder de fogo na Câmara. Com 142 deputados eleitos – 22 a menos que na legislatura anterior -, o grupo integrado por DEM, PP, PR, Solidariedade, PRB, PSC e PTB quer manter o controle de postos-chave da Casa, entre eles a presidência.

Para ter um ponto de partida confortável e acalmar o DEM, que elegeu 29 deputados federais, Bolsonaro promoveu a primeira intervenção direta na bancada do PSL ao afirmar, na quinta-feira passada, que o partido não vai disputar o comando da Câmara. Anunciado como chefe da Casa Civil caso Bolsonaro seja eleito, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) tem feito a ponte com o DEM, que articula a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Casa.

O movimento do presidenciável parte de duas constatações. A primeira delas é que, se quiser tirar do papel algumas de suas propostas de campanha, terá de garantir apoio confortável na Câmara. Para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ser aprovada pelo plenário em dois turnos, por exemplo, são necessários os votos de 3/5 dos deputados (ou 308 votos). A outra constatação é que, seja quem for o novo presidente, ele terá de lidar com um Congresso mais pulverizado – uma dificuldade extra para costurar apoios.

Ministério

Além da sinalização de apoio a Maia, visto pelo presidente do PSL, Gustavo Bebianno, como um “bom nome”, Lorenzoni tem conversado com caciques do DEM sobre eventual participação do partido na Esplanada dos Ministérios.

Derrotado na disputa por uma vaga no Senado por Pernambuco, o ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM-PE), que é conselheiro da campanha de Bolsonaro, é cotado para reassumir a pasta.

Outro partido que já se aproxima de Bolsonaro é o PSD. A sigla ficou neutra no segundo turno, mas o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, que comanda a legenda, declarou apoio a Bolsonaro. Segundo ele, a maioria do partido segue essa linha e a neutralidade foi declarada a pedido dos diretórios da Bahia e de Sergipe, que apoiam Fernando Haddad (PT).

Com esse dois apoios, Bolsonaro começaria sua eventual gestão com um núcleo duro de 144 deputados governistas: 52 do PSL, 10 do PTB, 8 do PSC, 34 do PSD, 29 do DEM e 11 do Podemos. Tirando o PSD e o DEM, os demais partidos já declararam apoio ao presidenciável do PSL. Quando começou seu mandato em 2003, Lula tinha cerca de 230 deputados na base de apoio.

A projeção do PSL é superar esse número. “Acredito que teremos uma maioria ampla. Bolsonaro não fará braço de ferro pela presidência da Câmara”, disse ao Estado o senador eleito Major Olímpio, presidente do PSL de São Paulo.

Pelas contas dos operadores políticos de Bolsonaro, ele deve contar com uma base superior a 300 deputados, caso seja eleito. Essa projeção foi feita após a formalização do apoio das bancadas evangélica, rural e da segurança.

Reeleito por São Paulo, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, chegou a ser lançado pela sigla como candidato a presidente da Câmara. Outro nome que foi colocado na bolsa de apostas foi o do fundador do PSL, Luciano Bivar. “Em função da cláusula de barreira, 31 parlamentares ficarão sem partido. Pelo menos 15 deles devem vir para o PSL. Com isso, seria natural disputar a presidência da Casa. Manter o Rodrigo Maia seria manter o mesmo rosto”, disse a deputada eleita Joice Hasselmann (SP).

Ela defende o próprio nome para a liderança do governo, Luciano Bivar na presidência da Câmara e a procuradora e deputada eleita Beatriz Kicis no comando da comissão mais cobiçada da Casa, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Negociação

A ideia de negociar diretamente com frentes parlamentares temáticas, aventada pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), divide especialistas no assunto. Somadas, as bancadas ruralista, evangélica e da bala, com quem o capitão reformado tem afinidade, representam cerca de 200 votos na Câmara. Alguns analistas políticos, no entanto, duvidam que esses grupos formem uma base sólida para votar temas que não sejam de seu interesse.

“Isso é uma furada. Bancada informal se organiza em torno de um interesse muito exclusivo que, em geral, busca se apropriar de recursos do Orçamento”, diz o analista político e diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto Queiroz.

A professora do departamento de Ciência Política da Unicamp Andrea Freitas concorda. “Pode funcionar para temas específicos, como o tema da redução da maioridade penal. Mas não se tratará só dessas questões no governo todo”, afirma Andrea. “Terá muito mais dificuldade para aprovar uma reforma econômica polêmica.”

A base dos partidos que fazem parte de sua coligação partidária ou demonstraram apoio no segundo turno (PSL, PTB, PSC, PSD, DEM e Podemos) equivale a pouco mais de 140 deputados.

Para Queiroz, será inevitável articular uma coalizão nos moldes tradicionais, especialmente com caciques do chamado Centrão que demonstraram disposição para apoiá-lo na semana passada. “Eles (Centrão) querem declarar o apoio, e ficam utilizando a retórica de que estão independentes, apenas vão liberar as bases, mas, na verdade, estão é temerosos de que, uma vez declarado o apoio, o candidato descarte.”

Já o cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice, vê um enfraquecimento dos líderes partidários tradicionais, após a renovação de mais da metade da Câmara. O prestígio do Centrão, diz ele, depende da aprovação de matérias favoráveis ao próximo governo ainda no fim deste ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Imagens: a tribuna 

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Política

Economistas de Bolsonaro e Haddad trocam farpas em debate

As divergências entre os economistas dos presidenciáveis se deram por diferenças nos receituários de como resolver a crise fiscal e retomar o crescimento econômico.
22/10/2018, 14h11

Uma discussão sobre princípios liberais virou motivo de troca de farpas em debate promovido nesta segunda-feira, 22, pela rádio Jovem Pan entre os economistas de Bolsonaro e Haddad, que disputam o segundo turno da corrida à Presidência da República.

Após ouvir, nas considerações iniciais, críticas tanto à estrutura tributária quanto à falta de competição no setor bancário feitas pelo economista Guilherme Mello, assessor econômico de Fernando Haddad (PT), o assessor de Jair Bolsonaro (PSL), Carlos Alexandre da Costa, disse ter ficado feliz ao descobrir outro candidato liberal. “Fico feliz em ver outro candidato liberal conosco”, comentou o economista, em declaração que provocou aplausos da plateia.

Troca de farpas entre economistas de Bolsonaro e Haddad

Em resposta, Mello disse não ver problema em ser chamado de liberal, emendando que um verdadeiro liberal nunca defenderia a ditadura ou a tortura. O economista acrescentou ainda que o pensamento liberal historicamente defendeu os direitos humanos, bem como as minorias.

Nesse momento, Mello recebeu uma reação hostil da plateia, que cobrou dele uma resposta rápida a uma pergunta sobre outro tema. “Vou responder a pergunta, mas acho importante lembrar o que é liberalismo”, afirmou o economista.

As divergências entre os economistas dos presidenciáveis se deram por diferenças nos receituários de como resolver a crise fiscal e retomar o crescimento econômico.

O assessor de Bolsonaro defendeu uma agenda de redução do tamanho do Estado e privatizações, ao passo que o economista de Haddad sustentou que o ajuste deve ser precedido por crescimento econômico, cujo indutor seriam a retomada de obras públicas e o fortalecimento dos programas de transferência de renda.

“Depois desse gatilho, você discute as reformas estruturais”, comentou Mello. “Não existe ajuste bem sucedido nas contas públicas com estagnação econômica. O crescimento facilita o ajuste”, acrescentou o economista do PT, que também disse ser inviável a promessa de Bolsonaro de zerar o déficit primário das contas públicas já no ano que vem.

Imagens: Exame.com 

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Goiás

Dupla é presa por porte ilegal de arma dentro do Ceasa, em Goiânia

Mulher disse que o revólver seria utilizado para resolver problemas com outros comerciantes.
22/10/2018, 14h20

Um homem e uma mulher foram presos em flagrante, por porte ilegal de arma na madrugada desta segunda-feira (22/10), dentro das Centrais de Abastecimento de Goiás SA (CEASA), no Jardim Guanabara, em Goiânia.

A Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) informou ao Portal Dia Online que a prisão dos dois foi feita por policiais do 9 Batalhão da Polícia Militar (BPM). A prisão dos suspeitos faz parte de uma operação que tem como objetivo reforçar o policiamento na região durante a madrugada.

De acordo com a PM, comerciantes do CEASA chamaram a equipe e informaram que dentro do centro havia um homem em atitude suspeita. Os policiais que atenderam a ocorrência encontraram Leandro Gonçalves Melo de Rosa, de 19 anos, com um revólver calibre 38 na cintura e com seis munições intactas.

Mulher presa no Ceasa disse que iria resolver problemas com outros comerciantes

Durante a abordagem ao suspeito, os policiais informaram que uma mulher identificada como Larissa Valeriano dos Santos Valadares, de 24 anos, contou que havia pedido ao rapaz para que ele levasse a arma para ela no Ceasa.

Segundo a PM, quando questionada sobre o motivo de ter pedido a Leandro para levar a arma, a mulher disse que tinha se envolvido em uma discussão com outros comerciantes do CEASA, e que iria usar o revólver para resolver o problema.

A polícia informou também que Leandro é filho da namorada de Larissa e que a arma estava na residência onde eles moram. Ao confirmar os fatos, a polícia encaminhou os dois suspeitos para a Central de Flagrantes, onde foram autuados em flagrante por porte ilegal de arma.

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Política

Bolsonaro recebe visitas de evangélicos e de ministro do TST

Os evangélicos foram entregar um documento de apoio a Bolsonaro, enquanto o motivo do encontro com o ministro não foi revelado.
22/10/2018, 14h31

Sem previsão de cumprir agenda externa de campanha, o candidato à presidência Jair Bolsonaro recebe visitas de representantes da Assembleia de Deus e do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Ives Gandra Martins Filho nesta segunda-feira, 22. Os evangélicos foram entregar um documento de apoio a Bolsonaro, enquanto o motivo do encontro com o ministro não foi revelado.

“O apoio que viemos prestar aqui, inclusive com documento entregue, é do Conselho Geral da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB). É o maior movimento evangélico do Brasil”, afirmou o presidente do conselho, Samuel Câmara.

Bolsonaro recebe visitas e documento que pede compromisso a favor “da preservação da vida humana desde a sua concepção”

O documento entregue pede o compromisso de Bolsonaro a favor “da preservação da vida humana desde a sua concepção”, da “formação familiar tradicional”, da educação pública “sem influência ideológico-partidária esquerdista e sem erotização de crianças”, pela redução do Estado e a retomada do crescimento econômico, e a favor da liberdade de pensamento e religião, “com preservação dos valores éticos e morais cristãos”, além de pedir o combate ao crime e à corrupção, ao tráfico de drogas e sua descriminalização.

No início da manhã, Ives Gandra Martins Filho se reuniu com Bolsonaro por pouco mais de uma hora. Ele entrou e saiu sem falar com a imprensa.

Imagens: políticaaominuto 

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Política

“Atacar Poder Judiciário é atacar democracia”, diz presidente do STF

Nota é divulgada pelo STF após a repercussão de uma fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), em que o parlamentar diz que para fechar o Supremo “não manda nem um jipe, manda um soldado, um cabo”.
22/10/2018, 15h09

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, divulgou hoje, (22), uma nota oficial em que afirma ser fundamental para a democracia garantir a independência da Corte.

Toffoli: “Atacar Poder Judiciário é atacar democracia”

“O Supremo Tribunal Federal é uma instituição centenária e essencial ao Estado Democrático de Direito. Não há democracia sem um Poder Judiciário independente e autônomo. O País conta com instituições sólidas e todas as autoridades devem respeitar a Constituição. Atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”, diz a nota.

O texto foi divulgado pelo STF após a repercussão de uma fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), em que o parlamentar diz que para fechar o Supremo “não manda nem um jipe, manda um soldado, um cabo”.

Toffoli, que estava na Itália em viagem a trabalho quando a fala de Bolsonaro repercutiu no Brasil, se manifestou após outros ministros também falarem sobre o caso. Ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro Luís Roberto Barroso havia dito que o STF deveria se manifestar a “uma só voz”.

Também nesta segunda, o ministro Celso de Mello, o mais antigo do Supremo, classificou de golpista a fala do deputado. “Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!!”, disse o decano em nota também publicada pela Folha de S. Paulo.

Ontem (21), a ministra do STF Rosa Weber, presidente ainda do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também rebateu as declarações de Eduardo Bolsonaro. “No Brasil, as instituições estão funcionando normalmente e juiz algum que honra a toga se deixa abalar por qualquer manifestação que eventualmente possa ser compreendida como inadequada”, disse ela.

Vídeo

O vídeo em que Eduardo Bolsonaro, deputado federal reeleito por São Paulo com a maior votação da história (1,8 milhão de votos), diz que basta um soldado e um cabo para fechar o STF viralizou durante o fim de semana nas redes sociais. A afirmação foi feita em julho durante a aula de um cursinho preparatório para a Polícia Federal (PF), em Cascavel (PR).

Em resposta a um questionamento sobre uma possível ação do Exército caso seu pai fosse impedido de assumir a Presidência por alguma decisão do Supremo, Eduardo Bolsonaro respondeu: “Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo”.

“O que é o STF? Tira a poder da caneta da mão de um ministro do STF, o que ele é na rua. Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter manifestação popular a favor dos ministros do STF? Milhões na rua?”, acrescentou o deputado federal.

O presidenciável Jair Bolsonaro desclassificou a fala do filho, afirmando que se ele falou em fechar STF, “precisa consultar um psiquiatra”. O candidato do PSL negou qualquer intenção em intervir no Supremo.

Imagens: Veja 

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