Goiás

Polícia prende quatro por tráfico de drogas, em Goiânia

Com os suspeitos foram apreendidos 350 kg de maconha e 50 munições de calibre 380.
25/11/2018, 09h11

A Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) por meio das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (ROTAM) prendeu na madrugada deste domingo (25/11), quatro pessoas por tráfico de drogas, no Setor Marabá, região noroeste de Goiânia.

A polícia informou ao Portal Dia Online que uma equipe da ROTAM, em patrulhamento pela região encontrou um veículo Fiat Pálio com dois suspeitos identificados como Sandro Júnior Nascimento e Augusto Inácio Diamante, em atitude suspeita.

Os policiais abordaram o veículo e encontraram dentro do carro alguns tabletes de maconha, os dois presos então indicaram a equipe, a casa em que tinham comprado a droga.

Os policiais se deslocaram até a residência e encontraram outro veículo do mesmo modelo do primeiro, saindo da casa com dois suspeitos. A equipe abordou o carro, e identificou Hemerson Alves Carvalho e Tais Parreira Cunha, com eles a equipe encontrou outros tabletes de maconha.

Cães farejadores procuraram por mais entorpecentes, durante a prisão dos suspeitos por tráfico de drogas

Com os quatros suspeitos presos, a polícia se deslocou até o centro de distribuição da droga, onde encontrou uma grande quantidade de maconha, balança digital de precisão, um carro do modelo Renault/Logan. De acordo com a corporação, os entorpecente apreendidos somaram 350 kg de maconha.

Durante a ocorrência os policiais acionaram o Batalhão da Polícia Militar de Choque com o comando de Policiamento de Cães (BPMCHOQUE/CPCÃES), para procurar por mais entorpecentes. Os cães não encontraram drogas, mas acharam uma caixa com 50 munições de calibre 380.

Além dos 350kg de maconha encontrados com os suspeitos, na casa de Tais, aproximadamente 10kg do entorpecente e uma balança de precisão também foram apreendidos pela polícia. Os quatro suspeitos foram presos por tráfico de drogas e encaminhados à Central de Flagrantes (CF) onde foram autuados pelo crime, e os entorpecentes, carros e munições foram apreendidos.

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Esportes

Presidente da Conmebol pede punição a vândalos após final ser adiada: 'Vergonha'

O jogo que estava marcado para acontecer no último sábado, foi suspenso e vai ser disputado na tarde deste domingo (25/11).
25/11/2018, 09h12

Os atos de violência e vandalismo vistos em Buenos Aires no sábado, que resultaram no adiamento do confronto entre River Plate e Boca Juniors pela grande decisão da Libertadores, foram condenados pelo presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez. O dirigente se manifestou durante esta madrugada de sábado para domingo e lamentou as cenas de barbárie que impediram a realização da tão esperada partida.

“Um dia triste para o futebol sul-americano. A Conmebol se solidariza com os jogadores, suas famílias e todos os afetados. O que deveria ser um encontro esportivo para viver, desfrutar e compartilhar o melhor do futebol sul-americano se transformou em uma vergonha”, escreveu em sua página no Twitter.

Momentos antes do horário previsto para o início da final, nos arredores do Monumental de Núñez, torcedores do River Plate armaram uma emboscada e apedrejaram o ônibus que levava os jogadores do Boca Juniors. Não satisfeita, parte da torcida da casa ainda entrou em confronto com a polícia e invadiu o estádio.

“A Conmebol exige das autoridades competentes ação imediata e oferece toda sua colaboração para identificar, capturar e julgar os responsáveis. Estes acontecimentos não podem ficar impunes. Aos responsáveis, cabe dar-lhes todo o peso da lei e a rejeição da sociedade”, considerou Domínguez.

O apedrejamento do ônibus do Boca deixou alguns jogadores feridos. O capitão Pablo Pérez, com cortes no braço e ferimento no olho, foi encaminhado a um hospital. O reserva Gonzalo Lamardo também sofreu ferimentos no olho. Além disso, outros atletas foram vítimas dos efeitos de um artefato com gás de pimenta arremessado por um torcedor do River, como Tévez, Fernando Gago, Julio Buffarini, que foram vistos passando mal nas dependências do vestiário.

Diante deste cenário, um longo impasse gerou o clima de incerteza visto por horas no sábado. O horário do jogo chegou a ser adiado em duas oportunidades. Somente quando as diretorias de River e Boca entraram em acordo e comunicaram o desejo do adiamento da data da partida, a Conmebol estabeleceu que ela fosse disputada neste domingo, às 18 horas (de Brasília).

“A Conmebol faz um chamado para que neste domingo se viva uma final em paz, com respeito pelo rival e mostrando a melhor cara da América do Sul para o mundo. Convidamos todos os torcedores a compartilhar os valores do fair play”, pediu o presidente da entidade.

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Goiás

Homem é morto com 12 tiros na cabeça, em Anápolis

Bandidos aguardaram a vítima ficar sozinha em casa, para cometer o crime.
25/11/2018, 10h08

Um homem, identificado como Janilton Alves Teixeira Filho, foi morto a tiros dentro de sua casa, na madrugada do último sábado (24/11) no bairro da Lapa, em Anápolis, a 55 quilômetro de Goiânia.

O delegado do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Anápolis, Cleyton Lobo, esteve no local e informou ao Portal Dia Online que Janilton foi vítima de diversos disparos, com 12 deles efetuados contra a cabeça da vítima.

Cleyton Lobo afirmou que os suspeitos ficaram de guardar esperando o pai da vítima sair, assim que o pai de Janilton saiu, os suspeitos arrombaram a casa e encontraram o rapaz e efetuaram vários disparos contra ele. Durante os levantamento, a polícia constatou que Janilton tinha passagens por furto.

“Não vislumbro que os furtos que ele tenha cometido na região, tenham sido a motivação para o assassinato”, afirma Cleyton Lobo.

Segundo o delegado, motivação e autoria do crime no momento são desconhecidos. A corporação afirmou à reportagem, que tem informações sobre os autores e a arma utilizada no crime, mas ela não foram divulgadas para não atrapalhar as investigações do caso.

Mortos a tiros em Goiás

No último dia (9/11) o Pai de família Antônio Pinto Primo foi morto a tiros e sua filha Larissa de Sousa Primo baleada, dentro de sua casa, na Rua W8, no Jardim Itaipu, em Goiânia.

Na véspera do feriado da proclamação da república, um outro homicídio foi registrado na capital. Ricardo de Campos Moreira, de 29 anos, dormia ao lado de sua esposa, quando dois homens invadiram a casa, chegaram ao quarto da casal e efetuaram pelo menos quatro tiros contra a vítima, que se colocou na frente da esposa, para que ela não fosse morta.

Na madrugada de sábado (17/11) um outro caso também foi registrado, desta vez na Rua das Orquídeas, no Jardim Pompeia, em Goiânia. O jovem Gabriel Felipe Santos Silva, de 19 anos, estava em uma kitenete, quando cinco homens pularam o muro, invadiram o local, mataram o cachorro da raça pitbull e arrombaram a porta para chegar até o jovem e matá-lo com nove tiros.

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Política

Palocci acusa Lula de interferir em fundos de pensão

O ex-ministro afirmou que o objetivo era viabilizar o projeto de nacionalizar a indústria naval e arrecadar recursos para "quatro ou cinco" campanhas do PT.
25/11/2018, 10h12

Em delação premiada à Polícia Federal, o ex-ministro Antônio Palocci relata suposta atuação criminosa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para viabilizar o projeto de nacionalizar a indústria naval e arrecadar recursos para “quatro ou cinco” campanhas do PT – em especial, a primeira eleição de Dilma Rousseff, em 2010 -, à reboque da descoberta do pré-sal.

Segundo Palocci, Lula e Dilma teriam determinado indevidamente a cinco ex-dirigentes dos fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Petrobrás (Petros), indicados aos cargos pelo PT, que capitalizassem o “projeto sondas”. A operação financeira, que resultou na criação da Sete Brasil, em 2010, buscava viabilizar a construção no Brasil dos navios-sonda – embarcações que perfuram os poços de petróleo – para a Petrobrás explorar o pré-sal. A estatal anunciara em 2008 que precisaria de 40 equipamentos – no mundo, existiam menos de 100. “Dentro desse investimento, tinha todo ilícito possível”, afirmou o ex-ministro, em depoimento à PF.

As “ordens” de Lula – que, assim como Palocci, está preso e condenado pela Operação Lava Jato – eram cumpridas, diz o ex-ministro. Os presidentes dos fundos, segundo ele, “eram cobrados a investir sem analisar.”

A Polícia Federal levantou dados que corroborariam a delação ao indicar que prazos, estudos técnicos detalhados e apontamentos de riscos e prejuízos foram ignorados. O delator afirma que “todos” sabiam que estavam “descumprindo os critérios internos” dos fundos “e também gerando propinas ao partido”.

Cinco ex-dirigentes são citados: Sérgio Rosa e Ricardo Flores (Previ), Guilherme Lacerda (Funcef) e Wagner Pinheiro e Luís Carlos Affonso (Petros). Na sexta-feira, como parte da 56.ª fase da Lava Jato, a Justiça determinou a prisão de Affonso, enquanto endereços de Pinheiro foram alvo de operações de busca e apreensão. Ambos são investigados por supostas irregularidades em obra da sede da Petrobrás na Bahia.

Palocci cita “reuniões” de Lula com os representantes dos fundos, “muitas vezes em conjunto”, outras separadamente. A delação forneceu à PF pistas para confirmação dos encontros, alguns em “reuniões oficiais” com atas. Palocci afirmou ter alertado Lula sobre os riscos, por não serem “atas de reuniões, mas sim relatos de ilícitos”. O ex-ministro disse ter sido procurado por ex-dirigentes dos fundos, que demonstraram “preocupação”. “Eles pediam para que eu ajudasse a tirar a pressão do Lula e da Dilma para que eles pudessem ter tempo de avaliar o projeto e fazer (os investimentos) de forma adequada.” Segundo ele, “o presidente reagia muito mal”. “Ele (Lula) falava quem foi eleito fui eu, ou eles cumprem o que eu quero que façam ou eu troco os presidentes”.

Palocci não é um colaborador qualquer. Além de ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, ele foi um dos coordenadores das campanhas do PT, interface do partido com o empresariado e o setor financeiro, membro do Conselho de Administração da Petrobrás e responsável pela indicação de alguns dos presidentes dos fundos de pensão de estatais.

O PT ocupou os comandos da Previ, Funcef e Petros desde o início do governo Lula, em 2003. O papel de liderança de Palocci no esquema político alvo da Lava Jato pesou na decisão da PF em aceitar a delação. Os termos acordados foram homologados em junho pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região.

Defesas

A Previ afirmou, em nota, que o “investimento em FIP Sondas foi realizado de acordo com as normas regulatórias vigentes e estava em consonância com a política de investimentos” da fundação. “A Previ não coaduna com atos ilegais. Caso fique comprovado que o nome da Previ foi utilizado para vantagens indevidas, serão adotadas todas as medidas para reparação de danos.”

A Petros informou que “não teve acesso à delação e não comenta investigações em andamento”, e que “foram e continuam sendo realizadas Comissões Internas de Apuração para averiguar eventuais irregularidades em investimentos decididos no passado”. A Funcef não quis se manifestar.

Lula e Dilma negam todas as acusações e afirmam que Palocci “mente” para sair da prisão. Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins afirma que a delação de Palocci foi recusada pelo Ministério Público Federal. Diz que “mais uma vez Palocci mente, sem apresentar prova” para “obter generosos benefícios”.

O advogado Rafael Favetti, que defende Guilherme Lacerda, informou que “ainda não teve acesso ao inteiro teor da delação de Antonio Palocci, o que limita a compreensão do relatado pelo criminoso confesso”. “A defesa de Lacerda reafirma a lisura dos procedimentos feitos por ele quando diretor-presidente da Funcef”, disse o advogado.

O ex-presidente da Previ Sérgio Rosa não comentou o caso. Os demais ex-dirigentes dos fundos não foram localizados.

Semiaberto

A delação de Antonio Palocci, homologada em junho pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), tem 18 termos de depoimento, relacionados a inquéritos da Polícia Federal no âmbito da Lava Jato, em Curitiba. Um segundo pacote de termos aguarda homologação no Supremo Tribunal Federal (STF). Na próxima quarta-feira, seus benefícios serão julgados e o ex-ministro pode sair da prisão, para cumprir o resto da pena em casa, em regime semiaberto.

A frente que apura os navios-sonda e a Sete Brasil é a mais ampla. Além de incriminar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, essas apurações podem atingir diretamente a presidente cassada Dilma Rousseff. As revelações forneceram dados para a Lava Jato, em Curitiba, e para a Operação Greenfield, em Brasília, que apura desvios nos fundos de pensão. A delação ainda abastece outros quatro inquéritos, que apuram: corrupção em Belo Monte; propinas do Grupo Schahin para Lula e o PT; o caso de suposto enriquecimento ilícito de instituição financeira em negociação de exploração de petróleo na África, por pagamentos de propinas ao PT; e o vazamento de dados da operação contra Lula em 2016 e a suposta tentativa de obstrução da Justiça.

Setor

A Sete Brasil quebrou cinco anos depois de montada. Dos 28 navios-sonda contratados com estaleiros no Brasil, quatro serão entregues com atraso – eles deveriam estar funcionando desde 2016. São as embarcações Urca, Arpoador, Guarapari e Ondina, construídas em Angra dos Reis (RJ), no Estaleiro BrasFELS; em Vitória (ES), no Estaleiro Jurong Aracruz e em Maragogi (BA), no Estaleiro Enseada Paraguaçu. Os outros 13 tiveram construção iniciada e estão parados, e 11 sequer saíram do papel.

Atingida pelas revelações da Lava Jato de que todos negócios tinham “acerto” de 1% de propinas para políticos do PT e agentes públicos, a Sete Brasil viu a Petrobrás sair do seu quadro societário. Em comunicado do início do ano, a estatal afirmou que cancelou 24 contratos e ficou apenas com os que estavam em estágio mais avançado.

Com a paralisação, o setor naval brasileiro afundou em crise. O Sinaval, sindicato que representa os estaleiros nacionais, informa que 60 mil vagas de empregos foram fechadas nos últimos quatro anos. Dos 28 estaleiros associados à entidade, 12 estão parados.

A Sete Brasil entrou com pedido de recuperação judicial em 2016. A empresa afirmou que “a atual administração apoiou e apoiará as investigações em curso” e que se considera “prejudicada por conta dos fatos”.

Além de Palocci, três ex-executivos da Petrobrás que comandaram a Sete Brasil, João Carlos de Medeiros Ferraz, Pedro Barusco e Eduardo Musa, confessaram o esquema em delações fechadas em 2014 e 2015.

Assistente

A Sete Brasil foi autorizada pela Justiça, no início do ano, a ser assistente de acusação da Procuradoria da República nas ações penais da Lava Jato – como ocorre com a Petrobrás.

Como assistente, a empresa pleiteia o direito de ser declarada vítima da corrupção e pede a restituição de US$ 180 milhões pelo prejuízo, com US$ 70 milhões de propinas nos pagamentos efetuados, e pelos danos causados. O Ministério Público Federal, no entanto, se posicionou contra o pedido com o argumento de que a empresa foi parte do esquema. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Economia

O 'vale tudo' contra a crise das grandes livrarias

A missão agora é convencer o cliente acostumado a comprar livros na Saraiva e na Cultura a procurar o produto em sites, clubes de assinatura ou outras redes.
25/11/2018, 10h24

Em menos de um mês, duas das maiores livrarias do País entraram em recuperação judicial, com dívidas que, somadas, chegam perto de R$ 1 bilhão. A Cultura recorreu à medida no fim de outubro. Na sexta-feira foi a vez da líder Saraiva seguir o mesmo caminho. Ainda que editoras e outros varejistas do setor insistam que não se trata de uma crise de demanda por livros – que está em discreta expansão -, os problemas das duas varejistas obrigam o mercado editorial a desarmar uma bomba a poucas semanas do Natal: a missão agora é convencer o cliente acostumado a comprar livros nessas duas empresas a procurar o produto em sites, clubes de assinatura ou outras redes.

Não se trata de um volume pequeno: Saraiva e Cultura respondem por cerca de 35% das vendas do setor. Diante da necessidade, redes regionais, grandes sites de varejo eletrônico – do Brasil e dos EUA – e até as próprias editoras estão virando opções para ajudar os livros a chegar às mãos do consumidor. “Vivemos um paradoxo, pois não se trata de falta de leitores – esse é um problema crônico, mas que não se agravou”, diz Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Planeta. “Mas vamos passar por essa travessia do deserto, porque existe demanda pelo livro.”

Embora a estratégia da Planeta seja evitar concorrer a sua rede de distribuição, há grandes editoras que pensam diferente. Um dos grupos mais tradicionais do País, a Record vai estrear um e-commerce próprio antes do Natal. A ideia era estrear a novidade na Black Friday, mas a vice-presidente da companhia, Sônia Machado Jardim, diz que a opção foi resolver falhas técnicas, para evitar problemas em dezembro.

Além do novo site, a Record – que concentra 15 selos, em diferentes segmentos – também está lançando um clube de assinaturas, com curadoria de escritores. Nesse sentido, a empresa segue o caminho da Intrínseca, que lançou em outubro o Intrínsecos, em que assinantes têm acesso a edições especiais, em capa dura, de obras que só serão lançadas posteriormente. “É mais uma opção de receita”, disse Jorge Oakim, fundador da Intrínseca, que insiste que a crise é das varejistas, e não dos livros. De janeiro a outubro, a Intrínseca acumulou alta de 23% em vendas, na comparação com o mesmo período de 2017.

Na web

Além dos testes de venda direta pelas editoras, os grandes sites de e-commerce também devem abocanhar parte das vendas da Saraiva e da Cultura, segundo fontes do setor. Para algumas grandes editoras, a americana Amazon já representa cerca de 15% do faturamento – e oferece a vantagem de comprar livros, em vez de pegá-los em consignação. Neste fim de ano, gigantes brasileiras, como Americanas.com e Submarino, também reforçaram aquisições de títulos. Procurada, a B2W não quis comentar.

Embora a Amazon não revele sua participação de mercado, o diretor da área de livros da gigante americana no Brasil, Mário Meirelles, diz que a receita com o segmento foi recorde na Black Friday 2018. “O crescimento está relacionado ao aumento do número de títulos oferecidos e também ao atendimento”, diz. “A Black Friday é a nossa data de maior volume em vendas. Começamos o planejamento no início do ano, para garantir que a disponibilidade de produtos e a experiência de atendimento fossem as mesmas de um dia comum.”

Rivais. Embora a venda direta e a busca pelos canais online sejam opção às redes tradicionais, há empresas que no varejo físico também conseguem obter bons resultados. Uma das companhias vistas pelo mercado editorial como candidata a assumir parte do espaço da Saraiva é a Leitura, hoje vice-líder do setor, com 70 lojas. Em entrevista ao Estado na semana passada, o presidente da Leitura, Marcus Teles, disse já ter iniciado negociações com shopping centers para assumir até cinco lojas que a Saraiva encerrou.

Outra rede de médio porte, a Livrarias Curitiba, atualmente com 29 lojas, a maior parte delas no Paraná e em Santa Catarina, começa a ocupar espaços em São Paulo sem medo da concorrência já estabelecida.

“Buscamos espaço ainda não ocupado, com aluguel mais barato do que o cobrado nos shoppings de primeira linha”, explica Marcos Pedri, diretor comercial da Livrarias Curitiba e membro da família que fundou o negócio há 55 anos. A Curitiba chegou em solo paulista pelos shopping Aricanduva e Tucuruvi, na capital, e por Taboão da Serra. A empresa também abriu uma unidade em Diadema.

Todas essas áreas tinham um ponto em comum: eram “território virgem” para livrarias. Pedri diz que o fato de o preço do livro ter caído nos últimos anos acabou abrindo uma oportunidade para o produto cair no gosto da classe C. “Seremos beneficiados pelos problemas enfrentados pela concorrência.”

Para garantir um discreto crescimento – de 5% a 10% -, tanto a Leitura quanto a Curitiba vêm apostando em lojas simples, de porte médio e longe dos endereços “classe A”. O modelo das chiques megastores virou coisa do passado, segundo Teles. O nome do jogo, na atual situação, é a austeridade.

Acordo

Depois de sofrer com atrasos no pagamento tanto da Cultura quanto da Saraiva – que, apesar da dilatação de prazos dos fornecedores, tiveram de recorrer à recuperação judicial -, as editoras bateram o martelo: agora só aceitam enviar livros para as duas redes se tiverem algum tipo de garantia de recebimento.

Foi o que aconteceu no acordo fechado com a Saraiva na última quinta-feira: ao apoiarem a recuperação judicial da líder em vendas no País, as editoras aceitaram adiar o recebimento de débitos antigos, mas exigiram garantias claras daqui para frente. Pelo acordo, todos os livros enviados à Saraiva deverão ser pagos à vista. É assim que funcionará para as encomendas para o Natal, por exemplo.

Segundo apurou o Estado, um contrato parecido, com garantias claras de recebimento, é esperado também da Cultura. As negociações com a rede se estenderam pela sexta-feira, segundo uma fonte ligada à empresa. No entanto, um ponto dificultaria a construção de um entendimento: a situação de caixa da rede da família Herz, que não permitiria pagamentos imediatos de grande porte.

Outra questão que pesaria contra a companhia seria o próprio acordo com a Saraiva. Embora resolva apenas o problema de curto prazo relacionado às vendas de fim de ano, ele tira das editoras uma pressão muito maior do que a exercida pela Cultura. Apesar de ter fechado quase 20 pontos de venda nas últimas semanas, a Saraiva tem uma presença espalhada pelo País, com 85 unidades em funcionamento, enquanto a Cultura está restrita a algumas capitais, com 15 lojas.

Débitos

Embora a Saraiva tenha chegado à recuperação judicial com uma dívida de R$ 674 milhões, seus débitos são proporcionalmente menores em relação à capacidade de faturamento da empresa. A Cultura, em seu plano de recuperação judicial, informou um endividamento de R$ 285 milhões. O resultado equivale a 42% do valor total da dívida da Saraiva.

Apesar de afirmarem que as editoras têm todo o interesse em negociar, fontes do mercado já se questionam se a Cultura teria lastro financeiro para garantir o fornecimento de livros nas próximas semanas.Procurada, a assessoria de imprensa da Cultura não retornou os contatos da reportagem até o fechamento desta edição.

Estratégias

O trabalho de startups brasileiras mostra que existe espaço para abordagens criativas na hora de vender livros – e que pensar fora da caixa pode gerar lucros. Entre os modelos já consagrados está o da Tag Livros, clube de livros criado em Porto Alegre, em 2014, e que prevê faturar R$ 26 milhões em 2018 – valor equivalente a cerca de um décimo da receita estimada pelo mercado para a Livraria Cultura (a empresa deixou de divulgar dados em 2016).

Gustavo Lembert, sócio-fundador da Tag, engrossa o coro dos que defendem que a crise que as livrarias é de canal de venda, e não de falta de leitores. “Ainda vemos grande demanda por livros”, diz o empreendedor. Ele defende a aproximação direta com os leitores: “O contato com nossos leitores rompe a lógica historicamente praticada pelas editoras, que viam as livrarias, e não o leitor, como seus clientes. As dificuldades da Saraiva e da Cultura vão obrigar as editoras a mudarem de pensamento.”

A Ubook é outro exemplo de empresa que detectou uma demanda que os grupos estabelecidos do mercado editorial jamais conseguiram desenvolver no Brasil: os livros em áudio. O presidente da Ubook, Flávio Osso, diz que resolveu investir no negócio depois de detectar que as pessoas gostariam de ler mais, mas não faziam isso por falta de tempo. Disponível por meio de um aplicativo, o Ubook mantém parceria com grandes editoras e também produz conteúdos exclusivos, encomendados conforme a demanda percebidas entre os clientes.

Entre as editoras parcerias da Ubook está a Todavia. Criada em 2017, a Todavia já nasceu antenada com as novas formas de comercialização: mantém um site de vendas diretas de seus títulos e se associou à startup por acreditar que o livro pode chegar ao consumidor em diferentes formatos. “O varejo passa por uma transformação muito importante, e acreditamos que o audiobook é um formato viável, uma nova forma de as narrativas chegarem às pessoa”, diz Marcelo Levy, diretor comercial da editora.

Criada em 2014, a Ubook tem hoje 6 milhões de usuários ativos e aproximadamente 25 mil livros disponíveis em inglês, espanhol e português. “O nosso modelo de audiolivro é complementar a outras formas de literatura. Não acreditamos que iremos substituir outros formatos. Até porque, em alguns momentos, como em frente a uma lareira, em um momento de descanso, é difícil substituir o livro tradicional.”

Crianças. A Storymax, fundada em 2013 por Samira Almeida, dedica-se à criação do hábito da leitura em crianças. A empreendedora Samira Almeida trabalhou em uma editora de livros infantis por 12 anos – e percebia constante queda nas vendas. Por isso, decidiu criar uma solução para trazer os livros para os celulares e tablets, cada vez mais usados pelas crianças.

Logo no início das atividades da Storymax, alguns aplicativos foram vendidos para escolas americanas. A empresa já fez parte do Google Campus (programa que seleciona startups com potencial para receber apoio do Google por um semestre) e acumula vários prêmios, incluindo dois Jabutis. A companhia não revela faturamento, mas estima ter alcançado 120 mil leitores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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