Goiás

Marconi Perillo encabeça organização criminosa em plena atividade em Goiás, diz PF

O esquema abarca, segundo a PF, as agências do Estado de Goiás pelas quais os envolvidos passaram ou ainda integram, entre elas a Agetop, Codego e Saneago.

Por Ton Paulo
06/12/2018, 13h05

O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), seria o líder de uma organização criminosa de coleta de propina e lavagem de dinheiro, cujos nomes presos hoje (6/12) na Operação Confraria, Jayme Rincón e Julio Vaz, seriam os integrantes. O esquema abarca, segundo a Polícia Federal (PF), as agências do Estado de Goiás pelas quais os envolvidos passaram ou ainda integram, entre elas a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) e a Companhia Saneamento de Goiás (Saneago).

Em documento do Ministério Público Federal (MPF) ao qual a reportagem do Dia Online teve acesso, consta que, além de longevo (opera pelo menos desde 2010, havendo indícios de que atue desde até mesmo antes, em 2006), o esquema permanece atualmente em plena atividade de coleta de propina e de lavagem de dinheiro. De acordo com o documento, “o mecanismo segue operando com as mesmas engrenagens”.

De acordo com o MPF, após deflagrada a Operação Cash Delivery, a PF recebeu denúncia anônima noticiando que o Gerente Geral dos Distritos da Codego, Marcio Gomes Borges, manteria em imóveis de sua propriedade valores recebidos de propina. Ainda de acordo com a PF, no documento do MPF, Marcio é pessoa diretamente ligada a Jayme Rincón, preso na manhã desta quinta-feira na Operação Confraria. Jayme é ex-diretor presidente da Agetop e foi coordenador de campanha do governador Zé Eliton (PSDB).

A propina da Codego seria resultado do adiantamento do pagamento a fornecedores supostamente participantes do esquema de corrupção e desvio de recursos públicos de contratos firmados pelo órgão do Estado. Marcio Gomes, ainda, teria salário de aproximadamente R$ 12.000,00, e sua esposa Meire Cristina Rodrigues Borges, que também foi presa hoje, teria salário de R$ 3.000,00. Levando em conta a soma de suas rendas, a “vida de luxo ostentada pelo casal, que possui diversos veículos de luxo, além de imóveis, seria incompatível” com seus proventos.

Segundo a PF, a célula criminosa existente no âmbito da Codego é composta por Julio Cezar Vaz de Melo (preso hoje na Operação Confraria), atual presidente da Codego e ex-presidente da Saneago; Marcu Antonio de Souza Bellini, chefe de Gabinete da Codego, Jayme Rincón e Marcio Gomes Borges, e que Jayme Rincón e Marcio Gomes seria “prepostos”do ex-governador Marconi Perillo.

O MPF diz ainda que Julio Vaz é sócio e “verdadeiro comparsa de Jayme Rincón”, investigado da Operação Cash Delivery, e que ambos integrariam o esquema de propina encabeçado por Marconi Perillo. Segundo a PF, no documento, “extraem-se elementos hábeis a consubstanciar que atuam em conjunto tanto nos crimes de corrupção quanto na “lavagem de dinheiro” no momento em que ambos são prepostos do Ex-Governador Marconi Perillo, e juntamente arquitetam desvios de recursos públicos e direcionamento de propinas auferidas no âmbito das agências do Estado de Goiás por onde passam e/ou passaram, bem como se beneficiam do enriquecimento ilícito”.

Marcio teria, ainda, mantido contato telefônico com os alvos da Operação Cash Delivery, Marcio Garcia Moura e Sergio Rodrigues de Souza, policiais militares encarregados de receber a propina da Odebrecht, que seria destinada a Marconi, justamente no dia em que comprovadamente a propina fora recolhida por estes, em São Paulo.

Esquema de propina de Marconi Perillo iria além da Odebrecht

Segundo o MPF, fatos relatados por Jayme Rincón na Operação Cash Delivery e respingaram na Operação Confraria “constituem-se fortes indícios de que Marconi Perillo montou e mantém uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro, formado por “empresas parceiras”, para ocultar a origem da propina recebida, não só, da Odebrecht

De acordo com o MPF, as novas diligências realizadas e descritas na representação da autoridade policial revelam que a organização criminosa dirigida por Marconi Perillo encontra-se em plena atividade de coleta de propina e lavagem de dinheiro, não se limitando à Odebrecht, mas a outras fontes de recursos ilícitos (possivelmente junto às tais “empresas parceiras” a que se referiu Jayme Rincón, em seu interrogatório), envolvendo, além da Agetop, também a Codego e Saneago (Operação Decantação).

A reportagem do Dia Online segue tentando contato com o ex-governador Marconi Perillo ou sua assessoria. Marconi mudou-se para São Paulo, onde trabalha como consultor da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O novo emprego teria sido articulado pelo governador eleito de São Paulo, João Dória (PSDB).

Governo de Goiás emitiu nota sobre a Operação Confraria

A assessoria do Governo de Goiás, em nota, afirmou que já determinou o afastamento dos servidores citados na Operação Confraria, e que acompanha e apoia as investigações.

A assessora especial da governadoria e esposa de Marcio Borges, Meire Cristina, foi presa hoje na operação.

Confira a nota na íntegra:

“NOTA OFICIAL

O Governo de Goiás acompanha com atenção os desdobramentos da Operação Confraria, da Polícia Federal, realizada na manhã desta quinta-feira e informa que já foi determinado o afastamento dos servidores, citados na operação, de seus respectivos órgãos. O Governo de Goiás enfatiza ainda que apoia e colabora com todas as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.”

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