Goiás

Após denúncias de abuso sexual, Polícia Civil de Goiás investiga médium João de Deus

Relatos vieram à tona na última sexta-feira (7/12), no programa Conversa com Bial, da TV Globo.
09/12/2018, 13h10

Depois que 12 mulheres denunciaram abusos sexuais praticados pelo médium João de Deus, a Polícia Civil de Goiás abriu uma investigação para apurar os relatos, além de crimes como exercício ilegal de medicina e estelionato. O Serviço de Inteligência fará um levantamento de todos esses casos, denunciados nos anos 1970, que foram arquivados pelo regime militar.

Os investigadores esperam ainda chegar a possíveis vítimas de abuso sexual que ainda não registraram ocorrência ou deram depoimentos à polícia. O levantamento, de acordo com o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, começou em outubro deste ano quando a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) recebeu as denúncias.

“Nós recebemos essa denúncia no final do mês de outubro. Esse inquérito já está instaurado com toda atenção devido à complexidade os fatos. Todas as senhoras que estão denunciando serão ouvidas pela Polícia Civil para que possamos buscar as provas necessárias para investigar com imparcialidade e com eficiência”, explicou o delegado-geral ao Dia Online.

Mulheres denunciam médium João de Deus

As denúncias de abuso sexual vieram à tona na última sexta-feira (7/12), no programa Conversa com Bial, da TV Globo. As vítimas relataram que as agressões ocorreram na Casa Dom Inácio, em Abadiânia, interior de Goiás, onde o médium, famoso no mundo inteiro, atende milhares de pessoas que buscam curas espirituais.

As mulheres contaram ao jornalista e apresentador Pedro Bial que os abusos cometidos por João de Deus aconteciam numa linha padrão. O médium, segundo elas, atendia as mulheres em público e depois pedia que elas o encontrassem, sozinhas, em seu escritório, para que ele incorporasse uma entidade e terminasse o procedimento.

Os abusos sexuais ocorriam, de acordo com os relatos, dentro da sala dele. Algumas dizem ter sido levadas a um banheiro dentro do cômodo. Elas afirmam que João de Deus lhes pedia segredo sobre as supostas “práticas espirituais”. Após os relatos em rede nacional, outras duas possíveis vítimas procuram a imprensa local para denunciar agressões ocorridas com o mesmo padrão na ‘Casa’.

O que diz João de Deus

Por meio de nota, a assessoria do médium João de Deus afirma que “há 44 anos, João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais. Apesar de não ter sido informado dos detalhes da reportagem [veiculada no programa Conversa com Bial], ele rechaça veementemente qualquer prática imprópria em seus atendimentos”.

Imagens: Revista Factual 

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