Política

Em depoimento, Daniel Messac nega coação de testemunha da Operação Poltergeist

Parlamentar foi preso na tarde da última sexta-feira (7/12), pela Operação Embaraço.
10/12/2018, 19h20

Daniel Messac (PTB) prestou depoimento na tarde desta segunda-feira (10/12), ao Ministério Público de Goiás (MPGO), e negou ter coagido testemunha da Operação Poltergeist, deflagrada em 2014 para apurar contratação de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). Durante os 40 minutos de depoimento, ele apenas repetiu as palavras do advogado.

deputado estadual foi preso na tarde da última sexta-feira (7/12), em Goiânia, no desdobramento da Operação Embaraço, que investiga a coação de testemunhas da Operação Poltergeist. Nas investigações, Daniel Messac foi apontado como líder do esquema na contratação de funcionários fantasmas para Alego. Além do deputado, outras 36 pessoas foram denunciadas por envolvimento no esquema.

Defesa de Daniel Messac considera prisão abusiva

Por meio de nota, divulgada na última sexta-feira (7/12), a defesa do deputado estadual Daniel Messac (PTB) diz que considera a prisão abusiva e “lamenta profundamente que o Ministério Público tenha se utilizado de documentos inconsistentes, que se não forem explicados a contento pelo órgão de acusação, caracteriza fraude. Motivo que levou o Poder Judiciário a erro.”

A defesa explica ainda que não houve coação da testemunha e reforça que “o Poder Judiciário tem que estar atento aos excessos do Ministério Público, há limites. A defesa usará de todos os recursos legais para a defesa do Deputado.”

Veja a nota na íntegra:

A defesa do Deputado Daniel Messac considera abusiva a sua prisão e lamenta profundamente que o Ministério Público tenha se utilizado de documentos inconsistentes, que se não forem explicados a contento pelo órgão de acusação, caracteriza fraude. Motivo que levou o Poder Judiciário a erro.

O Ministério Público diz que no momento em que Natã estava depondo aos Promotores de Justiça, no dia 26/05/2017, este recebeu uma ligação do Pastor VAGNO, assediando à testemunha. Porém, durante o período de depoimento gravado em um vídeo de 34:37:00, não houve nenhuma interrupção ou toque de celular, muito menos citação da tal ligação, o que demonstra que ela não existiu.

Alega, também, que a ligação de VAGNO ocorreu no dia 26/05/2017, no momento em que ele fazia o depoimento. Neste outro vídeo gravado (01:37:00), a data de geração das imagens é no dia 15/08/2017. Esta data é parte integrante do vídeo, imodificável quando há transferência para outros dispositivos eletrônicos, segundo especialistas. Embora no vídeo Natã esteja com a mesma camiseta, percebe-se modificação do tamanho da barba, das unhas e do esmalte, que no primeiro vídeo tem esmalte nas unhas e no outro não, demonstrando que são dias diferentes.

Se ocorreu a ligação, o vídeo não mostra quem a fez, apenas é um recorte de um diálogo onde o interlocutor NATÃ induz o pastor VAGNO a responder o que ele deseja. Quando Natã perguntou ao pastor se Daniel mandou Anderson procurá-lo, o vídeo é interrompido. Fatalmente porque a resposta não foi conforme o interesse do Ministério Público. Deveria a acusação apresentar o vídeo na sua integralidade e não parte.

Salienta-se que o protegido do Ministério Público (NATÃ) reconheceu ser um funcionário fantasma da Assembleia Legislativa, mas misteriosamente ele não foi denunciado juntamente com os outros supostos fantasmas. Este procedimento é irregular, a exemplo do que ocorre na operação Lava Jato, os delatores são denunciados e suas penas amenizadas, não pode o MP decidir quem denuncia ou não, sob pena de lesão ao princípio da obrigatoriedade da ação penal. Muitas pessoas fariam qualquer coisa para não serem denunciadas.

Nas conversas extraídas do aplicativo WhatsApp, supostamente entre Daniel e Anderson, não há nenhum diálogo combinando coação de testemunhas, as conversas são evasivas e sem relacionamento com NATÃ, isso não pode justificar a prisão.

O curioso é que este processo ficou parado de setembro de 2017 a agosto de 2018, só se movimentando no período próximo das eleições, sem nenhum outro fato novo. Que coação é essa que faz o MP ficar inerte e não agir para proteger o cidadão? Ou ela não existiu, mas se existiu, prevaricou. O Poder Judiciário tem que estar atento aos excessos do Ministério Público, há limites. A defesa usará de todos os recursos legais para a defesa do Deputado.

Leandro Silva, Advogado

Imagens: PTB 

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Goiás

Primeiro dia de força-tarefa recebe 40 denúncias contra médium João de Deus

Se comprovados os abusos, João de Deus pode pegar até 150 anos de prisão.
10/12/2018, 20h02

Nesta segunda-feira (10/12), primeiro dia de força-tarefa que apura acusações de abuso sexual feitas contra o médium João de Deus, quarenta mulheres que se sentiram vítimas fizeram denúncias ao Ministério Público de Goiás (MPGO), sendo 35 delas pelo e-mail criado exclusivamente para o caso: denuncias@mpgo.mp.br. De acordo com o MP, os depoimentos de todas essas vítimas serão colhidos nos próximos dias. A força-tarefa conta com cinco promotores e duas psicólogas.

Denúncias contra João de Deus

As primeiras denúncias de abuso sexual vieram à tona na última sexta-feira (7/12), no programa Conversa com Bial, da TV Globo. As vítimas relataram que as agressões ocorreram na Casa Dom Inácio, em Abadiânia, interior de Goiás, onde o médium, famoso no mundo inteiro, atende milhares de pessoas que buscam curas espirituais.

As mulheres contaram ao jornalista e apresentador Pedro Bial que os abusos cometidos por João de Deus aconteciam numa linha padrão. O médium, segundo elas, atendia as mulheres em público e depois pedia que elas o encontrassem, sozinhas, em seu escritório, para que ele incorporasse uma entidade e terminasse o procedimento.

Os abusos sexuais ocorriam, de acordo com os relatos, dentro da sala dele. Algumas dizem ter sido levadas a um banheiro dentro do cômodo. Elas afirmam que João de Deus lhes pedia segredo sobre as supostas “práticas espirituais”. Após os relatos em rede nacional, outras duas possíveis vítimas procuram a imprensa local para denunciar agressões ocorridas com o mesmo padrão na ‘Casa’.

Após as denúncias em rede nacional, outras mulheres, do país e do exterior, procuraram a imprensa, delegacias e o Ministério Público para relatar casos semelhantes.

Investigações

De acordo com o MPGO, o médium já vinha sendo investigado por abuso sexual contra suas pacientes, em sigilo, desde o mês de junho deste ano. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, em outubro deste ano a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) recebeu as denúncias.

“Nós recebemos essa denúncia no final do mês de outubro. Esse inquérito já está instaurado com toda atenção devido à complexidade os fatos. Todas as senhoras que estão denunciando serão ouvidas pela Polícia Civil para que possamos buscar as provas necessárias para investigar com imparcialidade e com eficiência”, explicou o delegado-geral ao Dia Online.

Via: MP-GO 
Imagens: Revista Factual 

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Política

PF cumpre mandado de busca e apreensão em apartamento de Aécio, diz Globonews

Aécio foi eleito deputado federal por Minas Gerais.
11/12/2018, 07h24

A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta terça-feira, dia 11, mandado de busca e apreensão no apartamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), eleito deputado federal este ano, informa a Globonews. De acordo com a emissora, ocorre operação similar no endereço de Andrea Neves, irmã de Aécio, que chegou a ser presa em 2017.

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Brasil

Sem turismo espiritual, Abadiânia (GO) teme colapso

A expectativa é para ver o que ocorrerá na quarta, quando os trabalhos semanais teriam início.
11/12/2018, 07h52

Sentado em frente da sua loja de roupas “Nirvana”, em Abadiânia (GO), Antonio de Carmo não escondia a preocupação com as denúncias contra João de Deus. “Não ganho muito com as vendas, mas vivo bem. Se a Casa (Dom Inácio de Loyola, onde o médium atende) acabar, metade do comércio vai junto.” Na loja de cristais em frente, vê-se outro relato na mesma linha. O temor é de “quebradeira”.

Marcos Júnior, que há oito meses chegou à cidade para ajudar o pai no comércio, nem imagina o que seria de Abadiânia se as atividades do líder espiritual fossem encerradas. “Não gosto nem de pensar. Ele atrai muita gente, movimenta os negócios.” Isso vale até para cursos de idiomas. Marcos, por exemplo, para atender melhor fregueses, vai para cidade ao lado cursar inglês e espanhol.

“Claro que a verdade tem de ser dita, que as denúncias têm de ser investigadas. Se for culpado, merece castigo. Mas não vou esconder que fico preocupada com meu futuro”, afirma uma comerciante que trabalha na rua que leva à Casa Dom Inácio, onde João de Deus atende às quartas, quintas e sextas.

Pelas contas do prefeito José Aparecido Diniz (PSD), os atendimentos feitos pelo médium atraem mensalmente cerca de 10 mil pessoas – 40% estrangeiros. Número expressivo, sobretudo considerando os 17 mil habitantes da cidade – a 90 quilômetros de Goiânia e a 120 quilômetros de Brasília. “Olha o salto no consumo”, afirma Diniz.

Secretário de Turismo e Meio Ambiente, José Augusto Paralov concorda. “A cidade é pequena e o comércio vive em função disso. Temos 40 pousadas e hotéis, além de uma dezena de restaurantes, que dependem exclusivamente das excursões e romarias. Pode acontecer uma quebradeira.”

Pelas contas do município, a Casa Dom Inácio de Loyola cria, direta e indiretamente, 1,3 mil postos de trabalho. Mas também dá gastos. “Muita gente com problema de saúde chega aqui em busca de atendimento espiritual. Mas o que acontece é que muitos acabam parando no hospital”, completa o prefeito. Ele relata ainda mortes de fiéis. “E algumas vezes, o traslado do corpo ficou por conta do município.” Procurada, a Casa não se pronunciou.

O turismo religioso divide a cidade. De um lado da BR-060 onde está o centro religioso, o comércio de lojas esotéricas, de roupas brancas (pede-se que os visitantes usem essa cor) e do movimento de estrangeiros dá um ar movimentado e pitoresco ao lugar. No outro lado da BR, onde ficam as casas dos moradores da cidade e a maior parte dos prédios públicos, Abadiânia é uma típica cidade do interior. “Até a violência onde ficam os moradores é maior”, conta um lojista, que não quis se identificar.

“Era tudo mato”. Dona da pousada que leva seu nome, Izaíra Alves da Silva, de 84 anos, diz que “todo mundo vive em torno do médium”. Ela conta que, quando se mudou para Abadiânia, há 33 anos, “era tudo mato”. “Sou de Dourados (MS). O médium me colocou como guia e passei a trazer excursões de Belém, até conseguir montar minha pousada. Se fechar, acaba tudo mesmo. Como vamos pagar as contas?” Dono da Pousada São Gabriel, Jovelino Junior estima que 90% das ocupações da rede hoteleira local resultam do fluxo de pessoas para a Dom Inácio. “Vi alguma coisa no noticiário e estou assustado. Vai ter desemprego, não sei como a cidade vai sobreviver.”

A guia Maria da Penha Ribeiro, de 73 anos, que há mais de 30 anos leva excursões de Belo Horizonte, relata cuidar de duas viagens por mês. “Todos são bem atendidos e não se cobra. Quem quer faz doação em dinheiro ou remédio.”

Outra guia, Claudia Celina Silva, de 59 anos e de Cuiabá, está com excursão fechada para esta terça-feira, 11. “Telefonei para todos e querem ir do mesmo jeito. A maioria é portadora de câncer e vai só para agradecer. Estou apavorada com a possibilidade de fechar (a casa). Sou católica, mas devo muito ao médium. Meu filho teve cinco comas, o último de 45 dias. Nenhum médico me deu esperança, mas ele voltou a enxergar e andar.

O guia internacional Anselmo Lima, de Brasília, que organiza excursões da França, disse que não há cancelamentos. “Mas é importante que toda essa situação seja esclarecida.”

Polêmico. A expectativa é para ver o que ocorrerá na quarta, quando os trabalhos semanais teriam início. “Estou certa que muitos vão chegar. Como eu”, disse a diarista Maria Aparecida Barros. A cada quatro meses, ela viaja de Curitiba para Abadiânia, em busca de tratamento para seu filho, Luan, de 27 anos.

Com Síndrome Wolfran (doença genética rara), Luan apresenta visão comprometida. “Há cinco anos venho aqui na casa (onde o médium atende). Depois disso, a progressão da doença diminuiu.” Maria Aparecida é uma das que acreditam que em pouco tempo as denúncias serão desmentidas. “Isso vai passar.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Goiás

Jayme Rincón e Júlio Vaz são liberados pela PF após cinco dias de prisão

Além de Jayme Rincón e Júlio Vaz, foram liberados também o casal Márcio Gomes Borges, gerente-geral de Distritos da Codego, e Meire Cristina Rodrigues Borges, servidora comissionada da Secretaria Extraordinária de Articulação Política.

Por Ton Paulo
11/12/2018, 07h57

O ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, e Júlio Vaz, presidente da Codego, foram liberados da sede da Polícia Federal (PF) em Goiânia na madrugada desta terça-feira (11/12), após cinco dias de prisão. Jayme e Júlio tiveram prisão temporária decretada na última quinta-feira (6/12), na Operação Confraria, um desdobramento da Operação Cash Delivery que apura a suspeita de repasses indevidos a agentes públicos por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego). A informação é da CBN Goiânia.

Além deles, foram liberados também o casal Márcio Gomes Borges, gerente-geral de Distritos da Codego, e Meire Cristina Rodrigues Borges, servidora comissionada da Secretaria Extraordinária de Articulação Política. Todos estavam presos na Operação Confraria. Eles foram liberados por volta de meia-noite de hoje, após a Justiça aceitar os pedidos de Habeas Corpus feitos pelos seus advogados.

O grupo é suspeito de participar de esquemas de desvio de verbas do governo de Goiás e as investigações apontam incompatibilidade da vida luxuosa levada por Márcio Gomes e Meire Cristina com a renda comprovada por eles.

Operação Confraria e Cash Delivery

A Operação Confraria, desdobramento da Cash Delivery, envolveu, ao todo, 50 policiais federais que cumpriram 10 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de prisão temporária, além de sequestros de imóveis, nas cidades de Goiânia, Caldas Novas, Aruanã, Brasília/DF e Búzios/RJ, todos expedidos pela 11ª Vara da Justiça Federal em Goiânia.

Já a Operação Cash Delivery foi desencadeada a partir de investigação depois de delação de executivos da Odebrecht, que alcança empresários, agentes públicos e doleiros pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária, expedidos pela 11ª Vara da Justiça Federal de Goiás, nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Pirenópolis e Aruanã, Campinas e São Paulo. O ex-presidente da Agetop, Jayme Rincón, e o ex-governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo, chegaram a ser presos preventivamente, obtendo um Habeas Corpus logo depois.

Durante a ação, foram apreendidos R$ 940.260 na casa de Márcio Garcia de Moura, policial militar e motorista de Jayme Rincón. Outros R$ 79 mil foram apreendidos na casa de Jayme, além de 2,4 mil euros, 80 libras esterlinas, 101 dólares e 15 pesos argentinos.

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