Economia

'A escola de Chicago ficou menos isolada', diz economista Robert Shimer

16/12/2018, 09h12

O Departamento de Economia da Universidade de Chicago, por onde passou o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e parte das lideranças de seu time para formar o próximo governo, se transformaram ao longo do tempo. Em entrevista ao Estado, o economista Robert Shimer avalia que a escola está menos isolada em suas visões do que na época em que Milton Friedman impulsionou a defesa do livre mercado. “Não acho que há muitas pessoas que acreditem que mercados são sempre e em qualquer lugar perfeitos e não há necessidade de nenhuma interferência do governo em nenhum lugar. Essa é uma visão da Escola de Chicago que não se vê aqui, ao menos em muitas pessoas desse departamento atualmente”, afirmou Shimer. Na Universidade desde 2003, Shimer assumiu o posto de “chair” do departamento – o equivalente a diretor – neste ano, mas não conhece a equipe de Guedes.

O sr. vê alguma diferença entre o que é a Escola de Chicago hoje e o que foi na época de Milton Friedman, que deu voz às teorias de livre mercado?

Não estava aqui na época do Milton Friedman, então é um pouco difícil de responder. Há coisas semelhantes entre a Chicago de hoje e a Chicago de 30, 40 anos atrás, mas também há coisas que mudaram aqui. Naquela época, os mercados estavam sob ataque e os principais economistas estavam escrevendo livros sobre uma potencial superioridade de ‘planned economies’ (economias controladas por governos) sobre economias de mercado, o sistema da União Soviética sobre o sistema dos Estados Unidos naquele período. Era uma visão controversa a de que o mercado poderia ir muito bem e de que há limitações nos governos. A Escola de Chicago, não diria que era sozinha, mas foi uma líder no pensamento, em primeiro lugar, de que os mercados podem alcançar resultados muito bons e, em segundo lugar, de que há limitações no que os governos podem fazer em questões econômicas.

E atualmente?

Não acho as pessoas acreditem que mercados são sempre, e em qualquer lugar, perfeitos e que não há necessidade de nenhuma interferência do governo em nenhum lugar. Essa é uma visão da Escola de Chicago que não se vê aqui, ao menos em muitas pessoas desse departamento atualmente. Mas por outro lado há a visão de que economias de mercado geralmente “performam” muito bem em várias dimensões e há limitações no que os governos podem fazer. Isso seria a corrente principal. Chicago está menos ‘isolada’ em suas visões do que era quando Milton Friedman estava aqui.

O sr. mencionou que o contexto era diferente na época de Friedman. É o contexto o responsável por mudanças?

O Brasil, por exemplo, teve uma grande mudança política. Provavelmente, há questões abertas sobre os papéis a serem exercidos pelo mercado e pelo governo. Algumas dessas questões apareceram nos Estados Unidos também.

O que se torna importante em política econômica durante esses momentos de mudança?

Há muitas coisas que o mercado consegue fazer extremamente bem e que os governos conseguem fazer. Há uma série de experimentos – e essa talvez seja uma palavra leve – de governos tentando comandar a economia, forçar as pessoas a fazerem coisas que elas não desejam. Isso não parece funcionar no longo prazo. A União Soviética e o Leste Europeu são exemplos extremos disso. Não significa, de outro lado, que os mercados estão sempre corretos, há limitações, como externalidades. É preciso ter cuidado sobre o papel do governo de intervenção nos mercados, porque também não é verdade que os governos sempre se saem bem. Governos são compostos por indivíduos, que têm seus próprios interesses. Governos nem sempre alcançam resultados perfeitos.

Para dar um contexto muito rápido sobre o Brasil. Temos um elevado déficit fiscal no momento. Entre as medidas defendidas pela nova equipe econômica para solucionar o problema está uma imediata reforma da Previdência e um processo de privatização de empresas estatais. Pensando nesse cenário, qual seria sua avaliação para recuperação de confiança dos mercados e geração de crescimento econômico?

Não é exatamente minha área de expertise, já que um país como o Brasil não pode lidar com o mesmo nível de déficit que os Estados Unidos pode. Faz sentido que seja necessário colocar o déficit sobre controle. Para fazer isso, é preciso haver uma combinação de aumento de tributos e corte de benefícios dados pelo governo. Ou aumentando a receita de outra maneira, com a venda de companhias estatais, por exemplo. A questão é qual o papel do governo nessas companhias e quais devem ser vendidas. Em casos de monopólios nacionais, onde naturalmente só havia uma firma operando, é preciso pensar em regulação quando a companhia é vendida. Não sei exatamente quais seriam consideradas no Brasil, mas imagino que há espaço para aumentar a eficiência da economia assim como aumentar a receita com essas vendas. Sobre reformas da Previdência, de novo, não sei sobre o contexto brasileiro. Há sempre problemas quando se fala em reformas como essa – há ganhadores e perdedores. Ao mesmo tempo, todo mundo sofre se há um crise fiscal, um colapso da moeda. Há uma questão entre fazer uma reforma fiscal agora ou ser forçado a fazer em alguns anos pelos mercados financeiros globais. Mas, de novo, eu não sei o suficiente sobre Brasil especificamente.

Conhece algum desses profissionais brasileiros que passaram por Chicago, como o economista Paulo Guedes?

Infelizmente, não. Eu me tornei ‘chairman’ (o equivalente a diretor) do departamento de economia apenas neste ano e não tenho uma rede de contatos no Brasil particularmente.

Paul Romer, um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia deste ano, teve uma passagem pela Universidade de Chicago. O que a entrega do Nobel deste ano indica?

Sobre Romer, eu vejo que sua observação principal foi o papel da inovação e o quanto a inovação é importante para avanços nas fronteiras tecnológicas. Também há um aspecto central da inovação como algo que, uma vez descoberto, pode ser adotado por todos no mundo. Pensando sobre questões relevantes ao Brasil, as ideias descobertas em uma parte do mundo podem se espalhar muito rapidamente a outras partes. É algo que vimos de forma dramática nas últimas décadas na Ásia, na China, e é algo que acontece numa taxa mais baixa no Brasil. E o crescimento da América Latina, em comparação com a Ásia, tem sido decepcionante. Parte da resposta a isso, e estou indo além do que Romer escreveu, é a forma como as ideias se espalham de um país rico para países menos ricos – é através da abertura de mercados, através de comércio, de investimento estrangeiro direto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Goiás

Homem bate em mãe, avó e tios em Caldas Novas depois de “passar raiva”

Caso ocorreu na noite deste sábado (15/12); vítimas têm de 41 a 76 anos.
16/12/2018, 13h20

Um homem foi preso em flagrante após agredir a mãe, avó, um tio e uma tia, em Caldas Novas, interior de Goiás. À polícia, o agressor disse que cometeu o crime depois que umas das vítimas havia lhe “passou raiva”. Caso ocorreu na noite deste sábado (15/12), na casa onde todos os envolvidos moram.

De acordo com a Polícia Civil, inicialmente a briga foi entre Misael Bento de Oliveira, de 31 anos, e o tio, e em seguida, ao tentarem separar a confusão, as mulheres também foram agredidas com socos e chutes. O homem usou ainda uma faca, que acabou perfurando a perna da avó. As vítimas têm de 41 a 76 anos idade.

Homem agride família em Caldas Novas após “passar raiva”

Homem bate em mãe, avó e tios em Caldas Novas depois de “passar raiva”
Foto: Reprodução/Polícia Militar

A Polícia Militar foi acionada e Misael preso em flagrante. Segundo o delegado Tibério Cardoso, que registrou o caso, o homem disse que começou a discutir com o tio e o agrediu também com socos e chutes, além de bater com a cabeça dele no chão. Ele alegou ter feito isso porque o tio havia lhe passado raiva.

Os feridos foram encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caldas Novas, onde receberam atendimento médico e liberados. Elas não tiveram ferimentos graves.

Misael, que já foi encaminhado ao presídio da cidade, disse à polícia que antes das agressões havia consumido bebidas alcoólicas, como vodca e cerveja. Ele foi autuado em flagrante por lesão corporal grave e leve, além de ameaça.

Imagens: UOL G1 

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Goiás

Integrantes de grupo de teatro morrem em acidente na GO-333

Oito pessoas ficaram feridas; acidente ocorreu na manhã deste domingo (16/12).
16/12/2018, 14h43

Um acidente entre uma caminhonete e um ônibus que transportava integrantes de um grupo de teatro deixou duas pessoas mortas e oito feridas, na GO-333, entre Rio Verde e Paraúna, interior de Goiás. Caso ocorreu na manhã deste domingo (16/12). O grupo saiu de São Luís de Montes Belos e seguia para Jataí, onde se apresentariam neste domingo.

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), o motorista do ônibus, que saiu da pista e capotou, perdeu o controle da direção depois que a caminhonete bateu na traseira do veículo. Não se sabe de o motorista da caminhonete ficou ferido e por qual motivo teria batido no ônibus.

Integrantes de grupo teatral morrem na GO-333

As vítimas fatais foram identificadas apenas como  Shirley e Gabriel, mãe e filho, que ficaram presos às ferragens. Os outros oito feridos foram socorridos por equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), e levadas para o Hospital Municipal de Rio Verde.  Todos estavam no ônibus que transportava a equipe do Grupo de Teatro Star.

Por meio das redes sociais, o prefeito de São Luís de Montes Belos, Major Elderício, postou um vídeo atualizando o estado de saúde dos feridos, para tranquilizar amigos e familiares. Ele também esteve no local do acidente e acompanha os atendimentos na unidade de saúde de Rio Verde.

De acordo com ele, algumas das vítimas sofreram apenas escoriações e outros, que necessitarem de mais cuidados médicos serão encaminhados para o hospital municipal de São Luís. “Seguem internados aqui a senhora Jaqueline, a Karmosina, a Dilce, que está no centro cirúrgico […] o jovem Ezequiel e a Rosimar Gonçalves. Segundo o médico me relatou, todos estão fora de risco”, disse o prefeito.

Grupo de Teatro Star

Segundo informações da página oficial, o Grupo de Teatro Star, de São Luis de Montes Belos, é voltado para cultura e entretenimento dos cidadãos goianos. A equipe já levou prêmios como Ator revelação em Xica Boa: Carlos Pedro (1996); Indicação de melhor atriz em Santo Inquérito: Karmozina (2002) e I Festival de Teatro Comunitário Jardim Curitiba e Região Noroeste 1º lugar, em Goiânia, realizado pela Escola de Teatro Arte Viva.

Imagens: Ratinho Notícias 

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Brasil

Senadora quer que crime de estupro seja imprescritível após caso João de Deus

"Muitos casos denunciados contra João de Deus, e contra outros, se comprovados, estão prescritos. Cruel, injusto", escreveu Simone Tebet.
16/12/2018, 15h32

A líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MS), defendeu, por meio de sua conta no Twitter, a aprovação de uma PEC que torna o crime de estupro imprescritível. Simone relacionou a proposta com as denúncias contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, acusado de uma série de abusos sexuais contra mulheres em Abadiânia (GO).

Para Simone Tebet, as denúncias contra o líder espiritual, se comprovadas, demonstram o quanto a retirada da prescrição para casos de estupro é importante. “Muitos casos denunciados contra João de Deus, e contra outros, se comprovados, estão prescritos. Cruel, injusto”, escreveu a senadora.

A PEC, de autoria do senador Jorge Viana (PT-AC), permite que as vítimas denunciem o crime à Justiça a qualquer tempo. Hoje, esse prazo é de 20 anos, após o qual ocorre a prescrição. A medida está parada na Câmara dos Deputados devido à intervenção federal nos Estados do Rio de Janeiro e de Roraima, até 31 de dezembro.

Caso João de Deus

João de Deus é considerado foragido da Justiça e seu nome foi incluído na lista da Interpol. A prisão preventiva contra ele havia sido decretada no fim da manhã de sexta-feira, 14. O prazo para se entregar terminou às 14 horas do sábado, 15. João de Deus deve se entregar neste domingo, 16. O jornal “O Estado de S. Paulo” apurou que a data foi definida em uma negociação entre a polícia e a defesa do médium.

A reportagem ainda não conseguiu contato, neste domingo, com os defensores do líder espiritual para saber quando e onde, de fato, ele irá se entregar. O advogado de defesa de João de Deus, Alberto Zacharias Toron, havia afirmado em entrevista que seu cliente vai se entregar antes da apresentação do habeas corpus. A ação será proposta na segunda-feira (17).

Uma vez preso, João de Deus seria levado para Goiânia, onde deve acontecer o interrogatório. O Ministério Público de Goiás também investiga eventual movimentação suspeita de recursos financeiros, como transferência de dinheiro das contas de João de Deus.

Imagens: Metro Jornal 

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Goiás

Criminosos invadem igreja e roubam fiéis em Águas Lindas de Goiás

Vítimas foram feitas reféns em um cômodo do local.
16/12/2018, 15h38

Três homens foram presos na madrugada deste domingo (16/12), suspeitos de invadir uma igreja e roubar pertences de fiéis, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. As vítimas foram feitas reféns em um cômodo do local. Os bandidos levaram celulares e um carro.

Um dos fiéis conseguiu acionar a polícia, que prendeu o trio pouco tempo após o crime. Com eles, foram encontrados os aparelhos celulares, dinheiro e o carro que havia sido roubado, além de uma arma falsa usada no assalto.

Os homens, que não tiveram as identidades reveladas, foram encaminhados para a delegacia, onde foram reconhecidos pelas fiéis.  Eles foram autuados por roubo.

Invasão em igreja

Este é o segundo caso no mês de crime cometidos em igrejas, em Goiás. No dia 2 de dezembro, um homem de 28 anos invadiu uma igreja no Setor Colina Azul, em Aparecida de Goiânia, e esfaqueou quatro fiéis. Segundo testemunhas, o jovem entrou no local dizendo que todos iriam morrer.

O homem foi preso no local e levado para o 1º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia. Durante a prisão, o homem contou aos policiais militares que cometeu o crime depois de assistir a um vídeo na internet, no qual “Deus amaldiçoava negros e carecas”. Ele, por se sentir ofendido porque é um pouco careca, resolveu ir até a igreja e “esfaquear todo mundo”.

Uilker Alves teve a prisão preventiva decretada e está detido no  Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Por meio de um vídeo, ele falou sobre a motivação do crime: “Assisti a um vídeo que fala que aquela igreja lá eles negam o nascimento de Jesus Cristo, e fala que, na primeira batalha contra Lúcifer, fala que Jesus Cristo colocou a maldição no corpo da pele escura e, depois que ele morreu na cruz, ele jogou a maldição da calvície sobre o povo”.

Nas imagens, gravadas pela polícia, Uilker disse ainda que se arrepende do que fez. “Ninguém quer ir para a cadeia, ninguém quer fica preso. Aconteceu. Se eu pudesse voltar atrás, eu voltava”, declarou.

Imagens: G1 

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