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Para elevar nível, clubes dos EUA priorizam contratações de sul-americanos

06/01/2019, 10h32

A contratação do técnico argentino Guillermo Barros Schelotto, ex-Boca Juniors, pelo Los Angeles Galaxy, na última quarta-feira, reforça os altos investimentos feitos pelos clubes da Major League Soccer (MLS) em treinadores e jogadores sul-americanos nos últimos anos. Atualmente, mais de 80 atletas e quatro técnicos da região têm contrato com equipes dos Estados Unidos e o número ainda deve aumentar até março, quando começa a nova temporada do MLS.

Maior campeão da MLS, dono de cinco taças, o Los Angeles Galaxy contratou Guillermo Schelotto não só pela sua familiaridade com o futebol nos EUA – como jogador, o argentino defendeu o Columbus Crew por quatro temporadas, conquistando o título nacional em 2008 -, mas principalmente por causa do seu desempenho à frente do Boca Juniors, onde conquistou dois títulos do Campeonato Argentino e chegou à decisão da Libertadores do ano passado. Além disso, no Lanús, ele ganhou a Copa Sul-Americana de 2013.

O talento sul-americano é a aposta do MLS para tentar se aproximar das grandes ligas. A estratégia do Galaxy é a mesma adotada pelo Atlanta United, campeão da MLS em 2018 sob o comando do também argentino Gerardo Martino, ex-Barcelona e seleção argentina.

O elenco do Atlanta United, inclusive, contou na campanha do título com oito atletas sul-americanos, entre eles o talentoso Josef Martínez, atacante venezuelano de 25 anos, eleito melhor jogador da liga depois de marcar 31 gols na temporada. Outro destaque da equipe é o argentino Ezequiel Barco, jogador mais caro da história do MLS, contratado por US$ 15 milhões (R$ 56,5 milhões pelo câmbio atual) do Independiente em janeiro de 2018, quando tinha apenas 18 anos e acabara de conquistar a Copa Sul-Americana em cima do Flamengo.

O Portland Timbers, atual vice-campeão, também confiou nos sul-americanos. O elenco do técnico venezuelano Giovanni Savarese tinha nove jogadores de países como Argentina, Colômbia, Peru e Paraguai na temporada passada.

Praticamente todos os principais negócios deste início da janela de transferências no mercado dos Estados Unidos apontam para atletas da América do Sul. O Chicago Fire, por exemplo, contratou o zagueiro brasileiro Marcelo, que estava no Sporting, de Portugal. O também zagueiro Bressan, ex-Grêmio, fechou com o FC Dallas.

Já o Galaxy contratou o meia brasileiro Juninho. Revelado pelo São Paulo e irmão do atacante Ricardo Goulart, que atua no Guangzhou Evergrande, da China, ele retorna a Los Angeles depois de passagem por Tijuana, do México, e Chicago Fire. O DC United centrou suas atenções na Argentina e contratou o meia Lucas Rodríguez, de 21 anos e com passagem pelas seleções de base do país.

Todos os 23 clubes que participaram da última edição da MLS têm jogadores sul-americanos no elenco. Ao mirar investimentos na região, os clubes da MLS mudaram o foco e o modelo de crescimento.

Se antes as equipes dos Estados Unidos apostavam quase que exclusivamente em estrelas em fim de carreira como o brasileiro Kaká, o inglês Beckham, o colombiano Valderrama ou o espanhol Raúl, agora o sueco Ibrahimovic (37 anos), o alemão Schweinsteiger (34) e o inglês Rooney (33) são exceções. Na última temporada, a média de idade dos jogadores contratados do exterior foi abaixo dos 25 anos pela primeira vez na história, tendência que deve continuar em 2019.

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