Goiás

Vítima de 3 anos do líder da seita de Caiapônia entrou em pânico ao ouvir sua voz na TV

A menina de 3 anos teria sido a quarta vítima de abuso sexual praticado por Nilson Alves de Sousa, líder da seita de magia negra.

Por Ton Paulo
07/01/2019, 12h02

Conforme adiantado anteriormente pelo delegado responsável pela Operação Anjo da Guarda 2, Marlon Luz, o número de vítimas do líder da seita de Caiapônia, preso na última sexta-feira (4/1), pode ser bem maior do que o de três crianças confirmadas até agora. Na manhã desta segunda-feira (7/1), uma menina de três anos prestou depoimento acompanhada de familiares na delegacia de Caiapônia, a 330 quilômetros de Goiânia. A menina teria sido a quarta vítima de abuso sexual praticado por Nilson Alves de Sousa, de 49 anos, líder da seita de magia negra. Ela estava na casa da avó paterna e entrou em pânico ao ouvir a voz do homem em uma reportagem na TV.

Nilson foi preso na última sexta-feira, juntamente com Noêmia Cândida de Jesus, de 42 anos, em um acampamento sem-terra às margens da GO-221, entre Caiapônia e Palestina de Goiás. As investigações apontaram que Nilson abusou sexualmente de duas crianças de 7 e 10 anos, e uma adolescente de 13, netas de Noêmia. A própria avó levava as crianças para serem submetidas aos estupros.

Segundo ele, a vítima de 13 anos e a mãe foram ouvidas no fim de semana. A menina relatou, entre outras coisas, que foi abusada por sete dias seguidos, na frente de outra criança mais nova.

Delegado responsável pelo caso, Marlon Souza Luz, afirma que com a prisão, novas vítimas devem procurar a delegacia do município para registrar as denúncias.

A garota é a quarta possível vítima identificada até o momento, mas o delegado acredita que novos casos devem aparecer. “Acreditamos que muitas pessoas possam ter sido vítimas de Nilson e que além de acreditar, temem suas ações. Muitos dos frequentadores do local possuem alto poder aquisitivo e muitas vezes isso causa vergonha ainda maior. Sabemos que alguns pagavam em dinheiro e também trocavam favores. Quem tiver alguma denúncia precisa procurar a delegacia de Caiapônia”, completa Marlon, em entrevista a um jornal local.

De acordo com a polícia, a criança, irmã de outras duas vítimas, estaria na casa da avó paterna quando viu reportagem sobre a ação policial e ficou apavorada ao ouvir a voz do investigado. Na sequência, a avó veio a descobrir, por relatos da própria criança, que o investigado teria praticado masturbação na menina.

Depois de ter prestado depoimento, a garotinha deve ser encaminhada pelo Conselho Tutelar a Goiânia, onde deverá receber tratamento psicológico.

Líder da seita de Caiapônia convenceu avô das vítimas a assumir a culpa pelos abusos

De acordo com o delegado responsável, Nilson teria convencido um homem, o avô das vítimas, que é seguidor da seita, a confessar os crimes em seu lugar, em um vídeo obtido com exclusividade pela reportagem do Dia Online, assumindo toda a culpa com o objetivo de isentá-lo. Além do líder da seita de Caipônia, foi presa também a esposa do homem que tentou reivindicar a autoria dos abusos.

No vídeo (assista aqui) divulgado em primeira mão pela reportagem do Dia Online, um homem identificado somente como Francisco, vulgo Ceará, aparece confessando os crimes de estupro e narrando em detalhes como ele teria abusado das menores, e não o líder da seita.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, Marlon Luz, o homem, que gravou o vídeo ao lado da esposa, Noêmia Cândida de Jesus, fez a gravação com a falsa confissão dias antes da prisão de Noêmia e Nilson, justamente com o objetivo de “confundir a opinião pública”  e tentar inocentar o verdadeiro abusador.

De acordo com o delegado, “os autos do inquérito policial indicam elementos de informação e de prova consistentes quanto a autoria do crime”. O delegado ainda relata que “o teor da confissão em vídeo demonstra total incongruência com as declarações das vítimas, que inclusive estavam sendo ameaçadas e coagidas a não revelarem os autores”.

O delegado revela, por fim, que Francisco, marido de Noêmia, em depoimento formal à Polícia Civil contou que havia sido convencido por Nilson a gravar o vídeo.

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