Goiás

"Ele dizia que mulher tinha que apanhar do marido mesmo", relatam estudantes sobre diretor de colégio de Goiânia

A reportagem do Dia Online conversou com alunas e alunos do Colégio WR, de Goiânia. Uma ex-aluna relatou que frases como "mulher não devia ter saído da cozinha" são frequentes.

Por Ton Paulo
11/03/2019, 10h50

O que era para ser uma simples postagem de homenagem ao Dia Internacional da Mulher numa rede social acabou se transformando numa avalanche de chocantes denúncias e relatos de machismo e misoginia por parte, supostamente, do proprietário e professor de um tradicional colégio particular de Goiânia, o WR. Na publicação, feita pela instituição em seu perfil oficial no Instagram na última sexta-feira (8/3) e removida ontem, domingo, centenas de alunas, alunos e ex-estudantes do colégio reproduziram frases que, segundo eles, seriam ditas para eles com frequência pelo professor dentro e fora da sala de aula, coisas como “mulher tem que apanhar do marido e não reclamar” e “mulher passa creme hidratante para a mão do homem não doer quando for bater nela”.

A publicação feita pelo colégio, cuja unidade sede está localizada no Setor Bueno, em Goiânia, atingiu quase dois mil comentários. Em seu conteúdo, a postagem falava sobre a importância da mulher para a instituição e a sociedade como um todo. Entretanto, pelo teor dos comentários dos estudantes, a mensagem iria totalmente contra a rotina das aulas e as declarações do professor de Química e proprietário da instituição, Rubens Ribeiro Guimarães, conhecido como “Rubão”.

A reportagem do Dia Online conversou com alunas e alunos do colégio que relataram que declarações machistas e misóginas “são rotina” nas aulas do professor. “Ele faz isso toda aula. Teve uma em que uma aluna não soube responder uma pergunta e ele disse ‘Ta vendo? Mulher tem só metade da capacidade intelectual do homem”, diz um estudante.

Uma ex-aluna contou à reportagem que saiu do colégio antes da conclusão do ano letivo, uma vez que não estaria mais aguentando as situações de embaraço. Ela também diz que os comentários de teor misógino e machista são frequentes, e costumam deixar as alunas constrangidas. “Ele costuma dizer que mulher tem que apanhar do marido mesmo e não reclamar, porque quando morrer o espírito evolui e volta em forma de pedra, querendo dizer que mulheres são menos que pedras”, conta.

Alunas contam que professor dizia que “mulher não devia ter saído da cozinha”

Os relatos de supostos casos de machismo e misoginia dentro e fora da sala de aula surgem em dezenas. Num deles, uma ex-aluna conta à reportagem do Dia Online que o professor “Rubão” tem o costume de dizer que “a mulher não devia ter saído da cozinha” e que só serviria para ser “piloto de fogão”.

“Ele sempre fazia pergunta sobre a matéria pros alunos, e quando um dos meninos errava, ele perguntava pra uma mulher, dizendo que ia pedir pra um “animal irracional, uma subespécie” ensinar ao menino a matéria”, relembra. Ela revela ainda que o professor e diretor do Colégio WR comentava muito que “os livros didáticos foram feitos pra mulheres”, uma vez que elas seriam “intelectualmente incapazes de compreender os conteúdos sozinhas”.

“Ouvi várias vezes ele dizer que mulher não devia ter saído da cozinha, que serve só pra ser “piloto de fogão”. Dizia aos meninos que quanto mais bate numa mulher, mais ela apaixona. E em uma aula específica, ele parou a aula pra ensinar as alunas a satisfazer sexualmente os seus “deuses” (os homens)”, conta.

A ex-aluna disse ainda que é um costume do professor dizer que “não se importa que o processem”. “Ele diz que tem vários processos por danos morais contra ele e que não se importa, porque tem dinheiro para pagar”.

Professor disse que não vai se manifestar

Diante da enorme repercussão negativa, o post de homenagem ao Dia Internacional da Mulher foi removido do perfil do Colégio WR e os comentários desativados. A reportagem do Dia Online entrou em contato nesta manhã com o colégio, e foi informada que o professor “Rubão” estava em sala de aula e só poderia falar à tarde.

Entretanto, logo depois, um funcionário do colégio entrou em contato com nossa reportagem e informou que o professor Rubens não iria se manifestar no momento, mas que deixava “abertas as portas do colégio” caso a reportagem quisesse entrevistar os alunos sobre as denúncias em questão.

Nenhuma nota ou comunicado foi divulgado pela instituição até o momento (10h37 da manhã de hoje).

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