Saúde

Registro de tuberculose que resiste a remédios triplica; já são 3 casos por dia

Dados são do Ministério da Saúde.
08/04/2019, 11h35

A taxa de incidência de tuberculose preocupa o governo federal – foram 73,2 mil infecções em 2017, média de mais de 200 por dia. E o mais grave: voltou a crescer no País o número de infecções multirresistentes, ou seja, que não respondem aos dois principais medicamentos. Esse número triplicou em uma década, alcançando 1, 1 mil naquele ano – três por dia, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Doença diretamente relacionada às condições socioeconômicas da população, a tuberculose registrou aumento, segundo especialistas, principalmente por causa da crise econômica que atingiu o País nos últimos anos, o que teria diminuído os investimentos no sistema de saúde e piorado a vida da população em aspectos que contribuem para a infecção, como moradias inadequadas e sem circulação de ar.

O próprio Ministério da Saúde destaca a crise, ao lado de melhorias no diagnóstico. “O aumento do coeficiente de incidência da tuberculose nos dois últimos anos pode representar uma ampliação do acesso às ferramentas de diagnóstico. No entanto, também pode estar relacionado aos desafios no controle da doença por determinação social, ao lado de uma importante crise econômica pela qual o país tem passado nos últimos anos”, destacou a pasta em boletim epidemiológico publicado no último mês.

O documento mostra que o índice de casos por 100 mil habitantes, que era de 34,1 em 2015, foi para 34,3 em 2016 e alcançou 35,3 em 2017. No ano passado, a taxa teve uma leve queda (ficou em 34,8), mas continua superior ao coeficiente registrado em 2014 e 2015. Somente em 2017, 73,2 mil pessoas foram infectadas pela doença no Brasil, das quais 1,1 mil apresentaram a forma multirresistente da tuberculose, o triplo do registrado em 2009, quando 339 tiveram infecção resistente. O índice de mortalidade por tuberculose permanece estável no País, mas a doença, embora curável e com tratamento gratuito na rede pública, ainda mata cerca de 4,5 mil brasileiros por ano.

Causas

Para médicos especialistas no tema e ativistas no combate à doença, o contingenciamento de recursos públicos é determinante para o cenário. “É uma resposta à deterioração dos serviços de saúde. Há muita rotatividade dos profissionais, eles não recebem o treinamento adequado, não há identificação com a comunidade e o diagnóstico é tardio”, afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Exemplo de como a tuberculose tem forte ligação com as condições de vida da população é a incidência da doença em favelas cariocas. “Enquanto no Brasil a taxa é de cerca de 35 casos por 100 mil habitantes, na Favela da Rocinha, chega a 300”, comenta Margareth.

Mais análises

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, Denise Arakaki, ainda são necessárias análises mais aprofundadas para verificar as causas do aumento da incidência da tuberculose nos últimos anos. “Um ou dois anos de crescimento na incidência é pouco tempo para dizermos se a doença, de fato, voltou a aumentar ou se cresceu a notificação por causa da melhoria no diagnóstico. De qualquer forma, para não sermos surpreendidos no futuro, vamos realizar uma reunião com especialistas no próximo mês para verificar se esse aumento é real e definir o que fazer”, disse ela.

Denise citou ainda, como outro fator que explicaria o aumento, um trabalho mais ativo do ministério nos últimos anos na busca de casos entre a população carcerária, um dos grupos mais afetados.

Sobre as infecções multirresistentes, a coordenadora disse que o número de casos cresceu de forma expressiva por causa da inclusão no SUS, em 2014, de um teste rápido molecular que verifica a resistência da bactéria a um dos principais antibióticos, a rifampicina. “Os casos diagnosticados estão crescendo, mas a resistência no Brasil continua baixa, principalmente porque aqui os remédios só são oferecidos pelo governo, não são vendidos em farmácia, o que evita o uso indiscriminado”, destaca Denise.

Para Margareth, no entanto, embora a inclusão do teste rápido tenha, de fato, aumentado o número de diagnósticos de casos multirresistentes, esse não é o único fator que explica a alta. “Tem crescido a resistência a alguns medicamentos e, além disso, a ocorrência de casos multirresistentes é favorecida pelas situações dos doentes ditos crônicos, que ficam rodando na rede sem ter diagnóstico ou acompanhamento. Se a doença não é tratada adequadamente, ela pode voltar mais resistente”, diz.

Diagnóstico

Foram necessárias três passagens por especialistas e um mês de angústia para que a auxiliar administrativa Érica Barbosa Decaris, de 31 anos, tivesse o diagnóstico. Mesmo com tosse persistente e muita dor nas costas, nenhum dos dois médicos cogitou tuberculose.

“Fui a um pronto-socorro do SUS (rede pública) e o médico disse que era pneumonia. Fiz o tratamento, mas logo depois voltaram os sintomas. Então decidi pagar um clínico particular e ele me disse que era inflamação nos brônquios, mas o tratamento também não adiantou. Só o terceiro médico disse que podia ser tuberculose e me orientou a fazer o exame”, conta ela. “Acho que os médicos não estão preparados.”

Para Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é “inadmissível” esse atraso na detecção. “É injustificável que, em um país com mais de 70 mil casos, nossos pacientes estejam sendo diagnosticados tardiamente.”

A demora fez Érica iniciar o tratamento quando a doença estava mais avançada. “Eu já estava tossindo sangue e tinha afetado os dois pulmões.” Depois da descoberta, a auxiliar administrativa passou a ir diariamente ao posto de saúde, durante seis meses, para tomar os medicamentos. “No começo foi muito difícil porque eu sentia dores no corpo e enjoos por causa dos remédios, mas me apeguei ao pensamento de que cada dia que eu ia ao posto era um dia a menos no meu tratamento.”

Preconceito

Ela se afastou do trabalho por quatro meses, usou máscara no início do tratamento e dormiu na sala por meses pois, enquanto não estivesse curada, a recomendação era não dividir o quarto. Mas o que mais chateou a paciente foi o preconceito de amigos. “Pessoas me viam na rua com a máscara e não chegavam perto. Sempre fui bem amparada no posto de saúde na parte médica, mas acho que faltou uma rede de apoio psicológico.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Goiás

Transferência do Terminal Isidória em razão do BRT gera insatisfação em Goiânia

O terminal provisório será construído a cerca de 1 km do atual Terminal Isidória, pelo tempo necessário para reconstrução no novo terminal apropriado para o BRT.

Por Ton Paulo
08/04/2019, 11h45

A implantação do já quase lendário BRT em Goiânia, que já está em atraso, está gerando bastante polêmica entre os usuários do transporte coletivo na capital. Isso porque a execução do projeto vai exigir a transferência provisória do Terminal Isidória, no Setor Pedro Ludovico, para um local a 1 quilômetro dali.

Conforme apurado pela reportagem do Dia Online, o terminal provisório será construído no canteiro central da Alameda João Elias da Silva Caldas, cerca de 1 km do atual Terminal Isidória, pelo tempo necessário para reconstrução no novo terminal apropriado para o BRT. No entanto, a comunidade local não teria sido informada e não houve diálogo sobre os impactos de trânsito e ambiental que a região irá sofrer.

O departamento da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) responsável pelas obras e implentação do BRT foi contatado pela reportagem do Dia Online, e disse em nota que o canteiro que será usado para o terminal provisório será restaurado após ser usado e transformado em praça. Confira abaixo:

“O Consórcio responsável pelas obras do BRT informa que os trabalhos para  instalação do terminal provisório no Setor Pedro Ludovico já foram iniciadas e serão entregues em 60 dias. Na sequencia, a empresa inicia as obras de requalificação do Terminal Isidória, prevista para ser entregue no fim de 2020.

Em relação ao local que abrigará o terminal provisório, a Prefeitura de Goiânia informa que todo o canteiro será recuperado e transformado numa praça.”

Vereador fará reunião para tratar da insatisfação da população quanto à transferência do Terminal Isidória por causa do BRT

O vereador de Goiânia Paulo Magalhães (PSD), representante do Setor Pedro Ludovico, informou por meio de sua assessoria que vai realizar nesta segunda-feira (8/4), a partir das 19h, uma reunião com moradores, comerciantes e representantes da CMTC, Prefeitura de Goiânia, Seinfra e das empresas do consórcio do BRT, para discutir a mudança provisória do Terminal Isidória para implantação do BRT. O encontro irá ocorrer na Alameda João Elias da Silva Caldas.

“Durante décadas, essa avenida ficou abandonada e a cerca de 11 anos conseguimos, com recurso próprio, revitalizar e construir os canteiros centrais. É um absurdo destruir esse espaço e, principalmente, sem comunicar a população local. Compreendo a importância do BRT para mobilidade urbana, mas não posso concordar em destruir uma praça, sendo que existem outros locais no setor para abrigar o terminal provisório”, declarou Paulo Magalhães.

O vereador ainda pretende apresentar à equipe responsável pela obra outras duas áreas no Setor Pedro Ludovico que podem abrigar o terminal provisório. E caso não haja entendimento, o vereador disse que vai exigir um acordo por escrito para que o consórcio do BRT, após terminar a construção do novo terminal, reconstrua e faça benfeitorias nas quatro ilhas da Avenida João Elias.

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Goiás

Sebrae do DF lamenta morte de diretor técnico em acidente a caminho da Tecnoshow

Ele não usava cinto de segurança no momento do ocorrido, e acabou não resistindo aos graves ferimentos.

Por Ton Paulo
08/04/2019, 13h09

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, do Distrito Federal, publicou na manhã desta segunda-feira (8/4) uma nota de pesar onde informa e lamenta o falecimento do diretor técnico Rodrigo de Oliveira Sá, de 53 anos. Rodrigo sofreu um acidente de carro na noite de ontem (7/4) na BR-060, no município goiano de Acreúna, quando estava a caminho da Tecnoshow, em Rio Verde. Ele não usava cinto de segurança no momento do ocorrido, e acabou não resistindo aos graves ferimentos.

De acordo com o Sebrae DF na nota, Rodrigo de Oliveira Sá deixa esposa e dois filhos. Ele estava há 35 anos no Sebrae DF, e estava indo para a Tecnoshow, em Rio Verde, acompanhando de outro servidor e o motorista. Esses dois sofreram apenas ferimentos leves.

Ainda segundo o Sebrae DF, Rodrigo era economista e iniciou a carreira atuando no Banco Bradesco. Ele galgou até chegar ao Sebrae, onde permaneceu por mais de 30 anos. Em 2/1 de 2019, Rodrigo foi eleito pelo Conselho Deliberativo para o cargo de Diretor Técnico do Sebrae DF, quadriênio 2019 a 2022.

Sebrae do DF lamenta morte de diretor técnico em acidente a caminho da Tecnoshow
Foto: Reprodução

Confira abaixo a nota de falecimento:

“É com o profundo pesar que comunicamos o falecimento do nosso diretor–técnico, Rodrigo de Oliveira Sá, aos 53 anos,  dos quais 35 dedicados ao Sebrae-DF. Rodrigo não resistiu aos ferimentos provocados após grave acidente automobilístico, em Acreúna (GO), município a 350 quilômetros de Brasília, na noite de domingo. Rodrigo deixa viúva e dois filhos, além de  centenas de amigos, que merecem nesse momento da a solidariedade do Sebrae no Distrito Federal. Oportunamente, quando forem definidos os últimos detalhes, serão divulgadas informações referentes à cerimônia de despedida do nosso Diretor-técnico.”

Diretor técnico do Sebrae estava indo para a Tecnoshow, em Rio Verde

De acordo com a PRF, o acidente com o carro em que estavam servidores do Sebrae do DF aconteceu na  BR-060, no município de Acreúna, quando eles seguiam de Brasília para participar da Tecnoshow Comigo, em Rio Verde, na região, na sudoeste de Goiás. O diretor técnico Rodrigo de Oliveira Sá morreu em consequência do acidente após 35 anos de serviço na instituição. Ele foi arremessado do carro.

O evento anual é o maior do Centro-Oeste em sua categoria, e conta com a presença de milhares de pessoas, incluindo autoridades como governadores, prefeitos e até o presidente da República.

Durante o evento, inclusive, a capital de Goiás passa simbolicamente para Rio Verde durante os dias do evento agrícola.

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Goiás

Jovem desaparece durante festa no Vaca Brava, em Goiânia

"Cadê minha filha pelo amor de Deus", diz a mãe. Jovem é de Trindade e foi vista pela última vez em uma festa no Parque Vaca Brava, no sábado.
08/04/2019, 14h36

A jovem Érica Lopes Silva, de 15 anos, saiu de casa na cidade de Trindade no sábado (6/4) dizendo para a mãe que iria a um Chá de Fraldas, mas foi vista pela última vez horas depois no Parque Vaca Brava, em Goiânia.

Jaima da Silva Lopes enviou um áudio para a reportagem chorando muito e pedindo ajuda. Mensagens enviadas ao whatsapp do marido, Naldo de Lima Lopes, dão pistas que Jaima, apavorada, não consegue saber se são verdadeiras ou falsas.

Ao contrário do que disse para a mãe, a jovem foi ao “Bloco Das Solteiras 4.0”, festa regada a álcool e funk nos arredores do lago do Parque Vaca Brava.

Segundo a mãe, a adolescente não é acostumada a sair de casa sozinha. “Ela nunca veio a Goiânia sem mim”, disse ela, que veio de Trindade em busca de informações que podem levá-la ao paradeiro da filha.

“Entrei em contato com algumas pessoas no Facebook, que minha filha deixou aberto no celular do pai. Uma amiga fica jogando para outra sobre o sumiço”, diz, inconsolável.

A mãe quer saber como a adolescente veio para Goiânia e com quem. “Ela nunca andou sozinha de ônibus. Cadê minha filha pelo amor de Deus?”, pergunta o tempo todo enquanto conversa com a reportagem.

Jaima ainda diz que tenta falar no telefone da filha, mas a ligação vai direto para a caixa de mensagem. “Dá desligado. Não sabemos mais o que fazer”, diz ela.

A mãe foi em uma delegacia de Trindade. “Eles me passaram um papel e pediram para registrar no site da Polícia”, conta.

Jovem que desapareceu no Vaca Brava em Goiânia não atende ligações

Pessoas com quem Jaima conversou enviaram fotografias da adolescentes em meio a outros jovens antes de escurecer. Uma mensagem conta que a adolescente, que estaria embriagada, foi jogada no lago do Parque Vaca Brava. O Corpo de Bombeiros, no entanto, informou que não atendeu ocorrência no local.

Na busca pela filha, Jaima conversou com um adolescente que disse que teria ido comprar um refrigerante, mas quando voltou, não viu a adolescente mais.

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Goiás

Empresas devem mostrar melhorias no transporte público antes de passagem subir para R$ 4,30

Proposta, apresentada pelo deputado Lucas Calil (PSD), segue em processo de aprovação pelo relator, deputado Virmondes Cruvinel, na CCJ.
08/04/2019, 15h30

Antes que a passagem do transporte público suba para R$4,30 em Goiânia e Região Metropolitana, as empresas responsáveis devem divulgar uma lista de melhorias na prestação do serviço. Essa proposta foi apresentada na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e segue em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ).

De autoria do deputado Lucas Calil (PSD), o Projeto de Lei 1458/19 tem como justificativa “a necessidade de melhorias no transporte público, como determina a Emenda Constitucional nº 19. Além disso, os contratos de concessão devem estar atrelados à qualidade e bom provimento do serviço ao usuário, tais como: continuidade, regularidade, segurança, atualidade e generalidade.”

O objetivo, segundo o autor, é fazer com que a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) apresente um plano de melhorias e benfeitorias no transporte público, diante da possibilidade do aumento da passagem. Essa lista, ainda de acordo com a matéria, deverá ser divulgada em meio público e de relevância estadual para que ocorra o previsto aumento de R$ 0,30 na tarifa de ônibus.

A proposta aguarda aprovação do relator, deputado Virmondes Cruvinel (Cidadania), na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ).

Reajuste na passagem no transporte coletivo em Goiânia

No dia 18 de março, os cálculos de reajuste da tarifa foram aprovados em uma reunião do Conselho Regulador da Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização dos Serviços Públicos (AGR). Esses cálculos devem ser analisados pela CDTC e se aprovados, a passagem pode custar até R$ 4,30. Atualmente, a tarifa do transporte público custa R$ 4,00.

Sete dias após a aprovação do cálculo, no 25 de março, um grupo de deputados protocolou, junto ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), um requerimento contra o aumento da passagem de ônibus em Goiânia e na Região Metropolitana. A proposta é avaliada pela promotora Leila Maria de Oliveira.

Uma reunião da Câmara Deliberativa de Transporte Coletivo (CDTC) marcada para o dia 26 de março, para discutir e definir o novo valor da tarifa da passagem foi adiada pela segunda vez. A informação foi divulgada por meio de nota enviada à imprensa. Uma nova data ainda não foi definida.

Imagens: Revista Factual 

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