04/fev/2019

Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres não são mais amigos

O empresário Carlinhos Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres romperam a amizade depois de longos anos de relação harmoniosa e de cumplicidade a toda prova. O motivo do rompimento foi a candidatura do procurador de Justiça nas eleições do ano passado, em que ele pediu para se afastarem a fim das ligações não melindrarem sua pretensão nas urnas.

Uma fonte que partilhou do convívio dos dois disse que a conversa definitiva ocorreu em abril de 2018, quando Demóstenes esboçava lançar-se candidato nas eleições parlamentares e sabia que a proximidade com Cachoeira poderia provocar embaraços em sua imagem. “Carlinhos, quero viabilizar minha candidatura ao Senado ou à Câmara Federal nesse ano e acho melhor darmos um tempo em nossas relações para que isso não seja usado por adversários para reduzir minhas chances eleitorais”, teria dito Demóstenes. A medida de afastamento, segundo ele, seria apenas temporária e somente para não “macular” sua imagem política.

Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres se desentendem

O que Demóstenes não esperava era a mágoa que deixaria no amigo Cachoeira. “Então se é assim pode romper para sempre”, disse o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, nome completo de Carlinhos. Uma relação de tantos anos não deveria ser rompida apenas para abrandar a busca por votos que Demóstenes ensaiava naqueles meados de 2018. Cachoeira reviveu todo o drama vivido por ambos em virtude de suas relações amistosas: ele, Carlinhos Cachoeira, foi preso em um presídio federal de segurança máxima e Demóstenes Torres teve o mandato de senador cassado sob acusação de ter faltado com o decoro parlamentar ao esconder as relações de amizade com Cachô.

No dia 28 de fevereiro de 2012, às 6 horas da manhã, agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal deflagraram a Operação Monte Carlo e abriram uma ferida de difícil cicatrização para todos os envolvidos. Demóstenes e Carlinhos Cachoeira, a Construtora Delta, o ex-governador Marconi Perillo – que foi alvo de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Senado e da Câmara -, policiais militares, civis e federais envolvidos com os jogos de azar e uma infinidade de funcionários de baixo escalão.

Demóstenes Torres tentou ser candidato ao Senado e foi preterido na chapa da base aliada, que perdeu de forma fragorosa com Marconi Perillo e Lúcia Vânia, amargando suas primeiras expectativas. Viabilizou sua candidatura a deputado federal pelo PTB, mas teve uma votação pífia, como atestava uma pesquisa qualitativa que ele encomendou e que mostrou um diagnóstico fortemente negativo para suas pretensões.

Agora afastados, Demóstenes e Cachoeira seguem suas vidas sem qualquer relação. Demóstenes esboça se aposentar no Ministério Público de Goiás e militar na advocacia, onde será um dos próceres com toda certeza. Grande conhecedor do direito e principalmente dos corredores e gabinetes de Tribunais Superiores ele será, certamente, um dos mais destacados causídicos em Goiás e na corte de Brasília.

Carlinhos Cachoeira espera julgamento de seu recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Brasília) sobre as provas – já julgadas ilegais pelo STF – para ter sua liberdade restituída e retomar suas atividades empresariais. Os dois confirmaram o rompimento e o teor da conversa.