27/dez/2018

Crítica: “Bumblebee” é o melhor filme de Transformers e um dos melhores de aventura do ano

O diretor Travis Knight – que só tinha dirigido a ótima animação “Kubo e as Cordas Mágicas”– é uma dessas crias dos anos 80, e ao dizer em uma entrevista que este seu “Bumblebee” é regido pelo clássico “E.T – O Extraterrestre” de Steven Spielberg, Travis não apenas define o tom de sua aventura – tanto que a trama se passa nos anos oitenta -, como lhe dá liberdade para fugir da megalomania e confusão dos cinco filmes de “Transformers” dirigidos por Michael Bay.

Os anos 80 foram, sem dúvida, a década que influenciou em definitivo o cinema atual. Muito da cultura pop consumida hoje provém deste período que teve nomes poderosos como Spielberg, George Lucas, John Carpenter, Robert Zemeckis e tantos outros responsáveis por moldar o gosto pela aventura de uma geração, que em sua maioria, é o braço trabalhador da atual Hollywood.

Bumblebee é a versão com robôs gigantes de “E.T”, e isto não é ruim. A trama é de uma simplicidade impar, não há exageros pirotécnicos ou dominações em escala mundial como existe nos filmes de Bay. Aqui, acompanhamos a chegada de Bumblebee a Terra, como ele perdeu a voz e o que aconteceu consigo antes de se encontrar com a personagem de Shia LaBeouf no primeiro Transformers. Ele conhece essa garotinha chamada Charlie (Hailee Steinfeld), os dois viram amigos inseparáveis, existem dois Decepticons lhe procurando junto com a ajuda dos militares, e tudo é contado com dinamismo, simplicidade e muito humor e aventura. Tudo muito leve e gostoso de assistir.

Pela primeira vez, em minha opinião, temos um filme de “Transformers” onde entendemos o que acontece nas cenas de ação. Travis pega inspiração em Spielberg e não exagera nos cortes, é preciso no ritmo e sabe deixar a câmera seguir os personagens sem causar tontura ou cansaço como acontece nos longas-metragens de Michael Bay. Esta foi a primeira vez em que realmente senti como se estivesse brincando com os brinquedos da Hasbro ou assistindo a série de TV icônica que era transmitida na televisão quando criança.

Mas além da ação ser boa e empolgante, ela só funciona porque Travis desenvolve com profundidade a relação das personagens. A química entre Charlie e Bumblebee é contagiante e o coração do filme. É uma relação de Elliot e E.T, de fato, e o roteiro explora sem exageros, ou cenas piegas, essa amizade improvável entre um ser humano e um robô alienígena. Tanto que os melhores momentos do filme são justamente aqueles que envolvem a dinâmica entre os dois protagonistas.

Nunca pensei que após cinco filmes péssimos de “Transformers” – particularmente – eu ia querer assistir outros filmes da franquia com este estilo de matinê apresentado em “Bumblebee”. A solução mesmo era tirar Michael Bay e deixar outros diretores mais talentosos, como Travis Knight, dar frescor e imaginação a um mundo de fantasia rico, e por si só, bastante divertido de assistir. Recomendado!

Bumblebee-EUA

Ano: 2018 – Dirigido por: Travis Knight

Elenco: Hailee Steinfeld, John Cena, Jorge Lendeborg Jr.

Sinopse: 1987. Refugiado num ferro-velho numa pequena cidade praiana da Califórnia, Bumblebee, um fusca amarelo aos pedaços, machucado e sem condição de uso, é encontrado e consertado pela jovem Charlie (Hailee Steinfeld), às vésperas de completar 18 anos. Só quando Bee ganha vida ela enfim nota que seu novo amigo é bem mais do que um simples automóvel.