14/jan/2019

Crítica: “Titãs – 1ª temp.” mostra que a DC não precisa ser comédia para valer a pena

Criou-se nos últimos anos uma visão da DC Comics muito errada. Por causa da recepção morna de “Homem de Aço”, “Batman VS Superman” e “Esquadrão Suicida”, muitos alegaram que a falta de humor era o grande motivo para a falta de interação do público, e crítica, com os longas-metragens. Já ouvi muitos dizerem que a DC precisava ser mais como a Marvel, e criar obras mais leves e engraçadas como na concorrência. Ledo engano! Tudo bem que a retaliação foi tão grande que os próximos projetos da empresa nos cinemas abraçam a comédia e seguem a linha “Marvel” de como se fazer um filme de super-herói. Já por outro lado, na própria televisão, a DC nunca seguiu esta cartilha e seus seriados são leves, cheios de piada e fazem muito sucesso.

Ainda que seja uma série, com “Titãs” a DC prova que não precisa ser como a concorrente para fazer algo bem feito. Produzida pela Warner e lançada na plataforma da Netflix, “Titãs” foge do mundo criado pela própria DC na televisão – como as séries de sucesso “The Flash”, “Arrow”, “Supergirl” e “Legends of Tomorrow” – e também do estilo Marvel no cinema. O seriado é sombrio, violento, abraça a carga dramática presente na história de cada personagem, mas em em nenhum momento soa cansativo, forçado ou pouco envolvente. Pelo contrário, ter ou não humor é o de menos, e a série só prova que o mais importante – e o que faz toda a diferença – é justamente ter um material bem escrito com personagens bem construídos.

“Titãs” possui produção de alto nível com cara de cinema. Se havia receio por causa das fotos divulgadas antes do lançamento – onde muitas pessoas falaram mal da série por causa da aparência de alguns personagens – tudo isso cai por terra logo no primeiro episódio As cenas de ação são excepcionais e casam perfeitamente com o tom da narrativa, e são ajudadas por uma edição eficaz e estilo de filmagem que preza o movimento das lutas e em mostrar, com nitidez, o que está acontecendo.

Mas uma das grandes qualidades de “Titãs” é não ter medo de assumir que é uma série de super-heróis, e faz isso sem deixar de abrir mão do estilo de narrativa que deseja ser. O programa não tem vergonha em mostrar diversos heróis com seus uniformes bem com cara de quadrinhos – e bastante fidedignos -. O tom realista apresentado no começo não é prejudicado, e ele também em nenhum momento prejudica a fantasia. É uma junção feita com maestria, equilíbrio e muita eficiência.  E, sim, temos o Batman que não aparece nitidamente – ainda -, mas está presente e tem papel pequeno, porém, significativo na história, afinal, foi ele quem adotou e criou Dick Grayson – o primeiro Robin, líder dos Titãs e futuro Asa Noturna -, portanto, é um personagem indispensável.

O quarteto protagonista – Robin, Ravena, Mutano e Estelar – é a espinha dorsal da trama e cada um recebe a devida importância dentro da narrativa. O roteiro faz questão de desenvolver sem pressa a relação entre eles, e aproveita o tempo proporcionado por uma série para se aprofundar na história de cada um. O que é excelente para tornar aqueles personagens interessantes e importantes para nós, o público.

Portanto, “Titãs” é uma excelente surpresa que abraça o melhor dos dois mundos: é uma adaptação de quadrinhos que respeita o material de origem – e o adapta sem medo de assumir o fantástico -, e é uma excelente série que engaja até quem nunca leu as HQs. Que venha a segunda temporada!

Titans-EUA

Ano: 2018 

Nº de episódios: 11

Elenco: Brenton Thwaites, Teagan Croft, Anna Diop, Ryan Potter…