28/nov/2018

Kidding: Jim Carrey volta à TV em seriado magistral

Perder alguém que se ama muito. Separar do amor da sua vida. Ser a imagem da sabedoria e auto-ajuda quando a própria vida está desmoronando. Tudo isso é um pequeno esboço do personagem Jeff Pickles, interpretado por Jim Carrey em “Kidding”, esta série fenomenal que marca o retorno da parceria entre Carrey e Michel Gondry, diretor responsável pelo melhor filme do ator chamado “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”.

Desde a década de 90 quando se consagrou como astro definitivo ao lançar em um mesmo ano “Ace Ventura”, “O Máskara” e “Debi e Lóide” – três sucessos de bilheteria que se tornaram clássicos absolutos -, Jim Carrey tornou-se o ator mais bem pago de Hollywood e um dos ícones da comédia mundial. De 1994 até o início do novo século, o ator variou entre comédias de sucesso que eram parte de sua identidade, mas também se enveredou em dramas elogiados como “O Show de Truman”, “O Mundo de Andy” e o já citado “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças“.

Longe dos holofotes, Carrey tem se dedicado nos últimos anos a uma nova arte: a pintura. Alguns problemas pessoais também o levaram a uma rotina menos frenética de trabalho no cinema, e atuou apenas em filmes pequenos e pouco expressivos como “Dark Crimes” e “Amores Canibais”. Voltar a TV com uma série no panteão de “Kidding” é uma oportunidade única não apenas para colocá-lo novamente em evidência, mas apresentar seu talento e versatilidade em transitar entre o drama e humor.

Na trama, Carrey é Jeff Pickles, apresentador de um programa televiso infantil e figura inspiradora para crianças e adultos. Porém, sua vida muda completamente quando sua família sofre uma perda drástica e seu mundo começa a desmoronar.

Como manter a sanidade e ser inspiração para as pessoas quando você mesmo está passando por um momento obscuro? “Kidding” é uma abordagem profunda e sutilmente emocionante dos percalços da vida que muitas vezes nos acomete sem pedir licença. Gondry constrói aquela mescla incômoda – no bom sentido, quem conhece seus filmes sabe o que quero dizer – de humor e momentos dramáticos mas sem deixar de lado a emoção, o que contribui para nosso engajamento na história e na identificação com o protagonista. Há momentos lindos de pura poesia, e outros bastante intimistas que fazem de Jeff um ser humano próximo do público, e naturalmente identificável.

Nada mais oportuno para Carrey do que interpretar um personagem em crise existencial, atingido por duros acontecimentos da vida pessoal e que precisa manter a imagem indelével de uma pessoa sempre feliz e cheia de palavras de sabedoria. Um espelho claro da vida do ator. Sua atuação carrega alguns trejeitos típicos de sua persona – ainda que bem contidos -, e por ter tanto em comum com sua personagem, Carrey entrega momentos emocionantes. Alguns onde as emoções eclodem como uma bomba e outros onde apenas o olhar diz tudo o que precisamentos saber, e sentir, sobre Jeff.