11/fev/2019

Marconi Perillo e José Éliton usaram a UEG como instrumento político

Os ex-governadores de Goiás, Marconi Perillo e José Eliton, ambos do PSDB usaram a Universidade Estadual de Goiás (UEG) de modo político e como instrumento para captação de votos nos últimos 10 anos. A afirmação consta de um relatório que um grupo de professores ai encaminhar para o Ministério Publico (MP) com pedido de abertura de investigação e providências jurídicas.

As denúncias de mestres, doutores e pós-doutores versam sobre fatos graves que vão da criação de cursos apenas para agradar prefeitos amigos dos poderosos de então até o uso escrachado de mecanismos de perseguição e constrangimento de quem é oposição à forma autoritária do comando da instituição. Somente no apagar das luzes de 2018 a UEG aprovou uma miríade de cursos superiores distribuídos pelos quadrantes do estado sem qualquer critério acadêmico ou que respeitasse as condições financeiras e estruturais dos diversos campi espalhados pelo interior de Goiás.

“Tudo era feito de acordo com critérios meramente políticos e nada técnicos”, revela um professor que elaborou o documento. Todos eles pedem anonimato por temerem represálias que podem vir, mesmo que o reitor não seja partidário do novo governo. Um professor conta que após a eleição para reitor em que ele e outros colegas não apoiaram o atual dirigente máximo foram instaurados nada menos que sete procedimentos disciplinares administrativos contra ele como forma de constrange-lo e dar-lhe um “cala boca” afim de não incomodar mais.

Marconi Perillo e José Éliton usaram a UEG como instrumento político

O atual reitor da UEG, professor Haroldo Reimer, foi primeiramente um interventor quando denúncias afastaram o reitor de então, Luiz Antônio Arantes e depois disso foi eleito para o cargo por votação da comunidade acadêmica. Depois disso se tornou um áulico do poder estadual e não se intimidava em participar ativamente das campanhas políticas. Se estatelou em carrocerias de caminhonetes durante carreatas, fez adesivaço e comandou bandeiradas usando camisetas do staff tucano em que parecia mais um militante aguerrido do que um professor-doutor que comanda uma instituição de ensino superior.

Cursos superiores e de Pós-Graduação foram criados na UEG neste período

Pois a UEG sob o comando de Marconi Perillo e José Eliton colocou a máquina política para funcionar em benefício da dupla. Diversos cursos superiores foram criados quando a campanha política estava em pleno vapor e José Eliton era candidato à reeleição e Marconi Perillo tentava emplacar uma vaga para o Senado. Em agosto de 2018 o Conselho Acadêmico da UEG referendou, ou seja, aprovou depois de consolidado o ato, a reedição de um curso de Pós-Gradução Lato Sensu em Gerenciamento de Segurança Pública. O conselho universitário aprovou depois que o reitor baixou a normativa.

Antes disso o reitor criou com uma canetada diversos cursos de pós-graduação em cidades do interior como Agroecologia e Educação (Itapuranga); Linguagem, Cultura e Ensino (Inhumas); Estratégia em Logística (Senador Canedo); História (Uruaçu) e por aí vai. Foram mais de 30 nesses moldes. Os integrantes do conselho foram chamados depois para referendar o que já estava consumado. Um grupo de no máximo 10 ou 11 integrantes ainda tentou gritar e dizer que aquilo beirava o absurdo, mas sua voz nem se fez ouvir pelos outros 70 que dão o beneplácito para o reitor.

“A maioria desses cursos foi feito em parceria dos prefeitos com o ex-governador Marconi Perillo e visava apenas firmar apoio político para ele e José Eliton”, frisa outro mestre. Quem vive a rotina da UEG sabe que a criação desses cursos não tem qualquer razão de ser senão uma vontade política. Usavam a pretensa criação de cursos superiores para fazer proselitismo político sem considerar a vocação da região, as condições financeiras da instituição e a possibilidade de continuidade das atividades acadêmicas.

Marconi Perillo e José Éliton usaram a UEG como instrumento político

Além disso foram criados cursos como direito em Iporá, Psicologia em Inhumas e Medicina em Itumbiara, sem laboratórios, sem recursos, sem transparência na contratação de professores e sem qualquer indicação de como vão carrear recursos para manter esses cursos com regularidade. Enquanto isso outras unidades vivem na inanição. O caso mais emblemático é o da Medicina em Itumbiara, com Marconi Perillo fazendo o lançamento desse curso por três vezes junto com o prefeito Zé Antônio e José Eliton relançou o mesmo curso em julho de 2018, em plena campanha pela reeleição. O reitor Haroldo Reimer se referiu a Zé Eliton na ocasião como “quem olha rumo ao futuro”.

No campi de Aparecida de Goiânia, por exemplo, dois cursos se destacam: Administração e Ciências Contábeis são ilhas de excelência com notas máximas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que avalia o nível dos acadêmicos. Mesmo assim não há sequer água para os professores, que precisam levar de casa para não beber água da torneira e nem mesmo copiadoras funcionam.

A UEG hoje tem cerca de 19.000 alunos espalhados por 42 campi.