01/abr/2019

Marconi Perillo recebia propina em barras de ouro, diz delator

O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi citado em uma delação feita no Ministério Público (MP) como sendo recebedor de pagamentos feitos em barra a título de propina por fraudes na Saneago, estatal goiana de água e saneamento básico. A denúncia consta de uma “Notícia de Fato” colhida pela promotora de Justiça Villis Marra e encaminhada dia 15 de março para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e para o Ministério Público Federal. A reportagem do Dia OnLine teve acesso com exclusividade ao documento.

Segundo o delator narrou para a promotora Villis Marra, haveria um esquema poderoso na Saneago para desviar dinheiro por vários furos e que não são investigados por órgãos competentes no MP e Tribunal de Contas do Estado. O primeiro nome citado é do ex-presidente da estatal, Júlio César Vaz de Melo, que “possui um patrimônio milionário que está em nome da empresa Jussara Investimentos e Empreendimentos Ltda”.

Organização criminosa

Júlio foi preso no final de 2018 quando era presidente da Codego e foi um dos alvos da Operação Confraria. Nessa mesma operação, o MPF acusou Marconi Perillo de ser “o líder de uma organização criminosa de coleta de propina e lavagem de dinheiro” e que o esquema abarcaria, segundo a Polícia Federal, “as agências do Estado de Goiás pelas quais os envolvidos passaram ou ainda integram, entre elas a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) e a Companhia Saneamento de Goiás (Saneago)”.

Na sequência da delação o funcionário da Saneago, que conhece tudo sobre o esquema de fraude, contou que os cofres da empresa eram sangrados com compras de créditos de IPI se licitação, desvios feitos pela Caixa de Assistência dos Empregados da Saneago e até pela contratação irregular de escritórios de advocacia como foi o escritório Tibúrcio, Peña e Associados, do ex-presidente da OAB-GO e ex-secretário de Marconi, Henrique Tibúrcio.

Marconi Perillo recebia propina em barras de ouro, diz delator

O principal foco de desvios e pagamentos de propinas seriam as empresas Fuad Rassi e Sanefer. A segunda empresa, Sanefer, do empresário Carlos Eduardo Pereira da Costa. Esse foi preso em 2017 na Operação Decantação e novamente em março desse ano na Operação Decantação 2 e sempre lembrado como pagador de propinas para os donos do poder durante os governos tucanos. O delator cita também o ex-diretor financeiro da Saneago, Robson Salazar, também preso nessa mesma operação.

No final da página 2 do documento, o relatório da promotora Villis Marra informa que o denunciante conclui “delatando o ex-governador Marconi Perillo, o qual seria beneficiário da metade das mesadas recebidas pelos presidentes da Saneago, ou seja, recebia R$ 500 mil reais a título de propina, que eram entregues em sua fazenda no município de Pirenópolis em barras de ouro e que um engenheiro da Saneago tem provas de que a propina era entregue ao ex-governador”.

A promotora frisou em seu relatório que o delator sustentou haver “uma organização criminosa na Saneago” e que a grande extensão das denúncias requeria envolvimento do Gaeco e do MPF, com o envio dos autos para a Procuradoria Geral da República para apuração de fatos envolvendo citados com prerrogativa de foro ou função.