16/dez/2018

Crítica: “Roma”: Filme de Alfonso Cuáron, para a Netflix, é forte candidato ao Oscar. E superestimado.

“Roma”, dirigido por Alfonso Cuáron – diretor de obras como “E Sua Mãe Também”, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, “Filhos da Esperança” e “Gravidade” – acompanha a vida de uma empregada doméstica no México e os altos e baixos de um cotidiano corriqueiro, por vezes agitado, mas quase sempre incólume. O novo filme de Cuáron para a Netflix conquistou a crítica, ganhou o Leão de Ouro de Melhor Filme no Festival de Veneza, e é um dos fortes candidatos ao Oscar 2019.

É incontestável a beleza visual de Roma – cujo nome se refere a um bairro da Cidade do México e não à capital italiana. A fotografia em preto e branco do próprio Cuáron não apenas é um requinte visual majestoso como reforça a intenção do diretor em apresentar a vida humana tal qual ela é: monótoma, quase sempre sem grandes reviravoltas e marcada por decepções, abandonos, angústias, choro e, claro, esporádicos momentos de alegria. E isto não é ser pessimista, mas reforçar uma realidade presente na vida de todo ser humano, principalmente daqueles de classe média baixa ou inferior.

No entanto, “Roma” não conseguiu me conquistar como aconteceu com a maioria dos críticos. Ouso em me colocar nesta posição de não exaltar uma obra tão aclamada pela crítica, e lamento em dizer que o longa pouco me encantou. Cuáron coloca a câmera estática e utiliza apenas movimentos panorâmicos sem nunca adentrar no ambiente dos atores com ela. A ideia é válida já que a intenção é criar uma atmosfera intimista e realista, mas, particularmente, o resultado foi algo inexpressivo, pouco envolvente e cansativo de acompanhar. Gosto quando a câmera está junto, em meio aos atores, pois cria identificação e torna mais íntimo nosso envolvimento com os problemas das personagens. Decisão esta que não temos aqui.

Por mais que a história da empregada Cleo seja o espelho de inúmeras outras histórias, tanto no México quanto no Brasil, esta não é a primeira vez que o assunto é abordado por um diretor. E “Roma” é também um filme sobre a força da mulher. Seja de Cleo que precisa enfrentar uma gravidez sem o companheiro que a engravidou – e desapareceu logo após receber a notícia -, ou a patroa da protagonista que é abandonada pelo marido.

Mas a condução de Cuáron, por mais bela, pessoal e sutil que seja, não conseguiu me emocionar, ou falar comigo, como poderia ter acontecido. É um estilo narrativo que requer paciência, e prefiro quando o cinema não segue um caminho realista documental, pelo contrário, gosto de estar envolvido naquele ambiente e por isso o estilo de filmagem de Cuáron neste filme pouco ajuda. As reviravoltas e cenas de maior impacto são prejudicadas e transmitidas com pouca emoção. É um filme visualmente incrível, mas que conseguiu ser apenas bom para mim. Sei que estou em uma posição complicada, quase sozinho, mas, infelizmente, queria ter gostado mais. Mas não aconteceu.

“Roma” deve ser indicado ao Oscar de Melhor Filme e sem dúvida é o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Particularmente? Considero superestimado. Até demais.

Roma-MÉXICO

Ano: 2018 – Dirigido por: Alfonso Cuáron

Elenco: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Nancy García

Sinopse: Cidade do México, 1970. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher (Yalitza Aparicio), que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais.